Agronegócios
Com 80% da soja vendida, produtor de MS monitora clima dos EUA para vender saldo
Mercado acompanha período decisivo da produção norte-americana, enquanto milho ganha espaço na comercialização
| ANDERSON VIEGAS / CAMPO GRANDE NEWS
Com cerca de 80% da produção da safra 2025/2026 de soja já comercializada, os produtores de Mato Grosso do Sul entram na reta final das vendas atentos a um fator que está a milhares de quilômetros das lavouras estaduais: o clima no Meio-Oeste dos Estados Unidos. É justamente entre 10 de julho e 30 de agosto, período de floração das lavouras norte-americanas, que se concentra a fase considerada mais decisiva pelo mercado para definir o potencial produtivo da safra dos Estados Unidos, segundo maior produtor mundial da oleaginosa e principal referência para a formação dos preços internacionais.A expectativa em torno das condições climáticas nos Estados Unidos já influencia as cotações negociadas na Bolsa de Chicago, principal referência mundial para a formação dos preços da soja. Alterações nas previsões de chuva e temperatura durante esse período podem modificar as estimativas de produtividade e provocar oscilações imediatas nas cotações internacionais.
Segundo o diretor da Granos Corretora, Carlos Ronaldo Davalo, a comercialização da soja em Mato Grosso do Sul está mais adiantada do que o padrão histórico.
'Normalmente, nesta época do ano, cerca de 30% da safra ainda estaria disponível para negociação no segundo semestre. Neste ano, o ritmo de comercialização foi mais acelerado, principalmente em função da recuperação das cotações em Chicago, impulsionada pelas incertezas sobre o clima nos Estados Unidos', explica.
Na safra 2025/2026, Mato Grosso do Sul produziu 16,7 milhões de toneladas de soja, conforme o SIGA (Sistema de Informação Geográfica do Agronegócio), da Aprosoja/MS (Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul). Desse total, aproximadamente 80% já estão comprometidos em contratos de venda, enquanto a demanda interna do Estado gira em torno de 5,2 milhões de toneladas.
Clima nos Estados Unidos dita o humor do mercado
Os próximos dias são considerados estratégicos pelos operadores internacionais. Durante a floração, a soja apresenta maior sensibilidade ao estresse hídrico e às temperaturas elevadas, o que faz com que qualquer alteração nas previsões meteorológicas tenha impacto imediato sobre as cotações.
Na avaliação de Davalo, é justamente essa expectativa que sustenta o comportamento mais cauteloso dos produtores brasileiros neste momento. 'O produtor está acompanhando diariamente a previsão climática americana. Uma semana de chuva ou de tempo seco pode mudar completamente a expectativa de produção deles e, consequentemente, os preços internacionais', afirma.
Como a soja brasileira tem seus preços formados a partir das cotações internacionais, somadas ao câmbio e aos prêmios de exportação, qualquer valorização em Chicago tende a ser rapidamente incorporada ao mercado interno.
Soja e milho viram duas moedas para o produtor
Com a colheita da soja concluída e o avanço da colheita do milho safrinha, os agricultores que cultivaram as duas culturas e ainda mantêm parte da oleaginosa armazenada passam a administrar duas commodities simultaneamente. Na prática, explica Davalo, soja e milho funcionam como duas moedas diferentes dentro da propriedade rural.
Na avaliação do diretor da Granos Corretora, a tendência é que parte dos produtores intensifique as vendas de milho e mantenha o restante da soja armazenado, aguardando uma possível valorização das cotações internacionais. 'Agora ele tem duas moedas. Pode vender soja ou vender milho. Tudo indica que o produtor vai comercializar mais milho neste momento e segurar a soja, esperando uma valorização maior', afirma.
Atualmente, o milho disponível é negociado entre R$ 48 e R$ 50 por saca, dependendo da região, enquanto a soja está cotada entre R$ 130 e R$ 132 por saca.
Relação de troca orienta decisão de venda
Davalo explica que uma das principais referências utilizadas pelos produtores para decidir qual produto comercializar é a relação de troca entre soja e milho. No mercado, essa comparação é conhecida como a 'conta do dois para um'. O cálculo é simples: basta dividir o preço da saca da soja pelo preço da saca do milho.
Com os preços atuais, uma saca de soja de R$ 130 equivale aproximadamente a 2,6 sacas de milho de R$ 50. Na prática, isso significa que o produtor precisa vender cerca de duas sacas e meia de milho para obter a mesma receita gerada por uma saca de soja.
Quando essa relação aumenta, significa que a soja está relativamente mais valorizada em relação ao milho. Nesse cenário, muitos produtores optam por comercializar primeiro o cereal e manter parte da soja armazenada, apostando em uma valorização adicional da oleaginosa.
Segundo Davalo, essa estratégia pode influenciar diretamente o ritmo das vendas no segundo semestre e até mesmo a disponibilidade de soja para exportação.
Milho também avança na comercialização
Enquanto a soja já tem grande parte da safra negociada, o milho safrinha ainda está no início da comercialização. A produção estadual está estimada em 13,8 milhões de toneladas. A colheita alcança aproximadamente 24% da área, enquanto 32% da produção já está comprometida em contratos. A demanda anual de Mato Grosso do Sul é estimada em 7,5 milhões de toneladas.
Segundo Davalo, o avanço da colheita tende a ampliar a oferta de milho nas próximas semanas. Ainda assim, o comportamento dos preços continuará sendo influenciado pela demanda interna, pelas cotações internacionais e, principalmente, pelas condições climáticas da safra norte-americana.
Clique aqui e confira as últimas notícias de Itaporã!
Siga o Itaporã News no Youtube!
Grupo do WhatsApp do Itaporã News Aberto!
WhatsApp. VIP do Itaporã News clicando aqui!"
WhatsApp do Itaporã News, notícias policiais!
"Ao vivo a programação da Alternativa FM de Itaporã."






















