Esportes
WTorre tem último dia para pagar os R$ 128 milhões cobrados pelo Palmeiras; saiba próximos passos
Após notificação recebida na última sexta, empresa tem que quitar o débito ou contestar a cobrança; em nota, construtora fala em "tomar as medidas cabíveis"
| GLOBOESPORTE.COM / EMILIO BOTTA E THIAGO FERRI
A Justiça deu até esta quarta-feira para que a Real Arenas, braço da WTorre responsável pela gestão do Allianz Parque, pague os R$ 128 milhões cobrados pelo Palmeiras, referentes a repasses não feitos ao clube e previstos em contrato nos últimos oito anos.
A notificação foi recebida na sexta-feira, após três tentativas de entrega sem sucesso. A construtora recebeu três dias úteis para fazer o depósito ou contestar a cobrança, e o prazo se esgota nesta noite.
Caso não responda de nenhuma forma, a Real Arenas passa a ter 15 dias para responder ao chamamento da ação, podendo sofrer penhoras e outras sanções. A empresa ainda não sinalizou qual será sua próxima ação.
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– A Real Arenas reafirma que não deve R$ 128 milhões para o Palmeiras e que os débitos de ambas as partes estão em arbitragem em curso. A empresa informa que analisou o conteúdo da citação e tomará as medidas cabíveis – diz a WTorre, em nota.
O que o Palmeiras cobra?
Os R$ 127.972.784,97 cobrados são referentes a percentuais de receitas do Allianz Parque, como locação para shows, exploração de áreas como lanchonetes e estacionamentos, além de locações de cadeiras, camarotes e naming rights. O valor aumenta ao longo dos 30 anos de parceria (veja a tabela completa abaixo).
A presidente Leila Pereira disse que o Verdão não recebe nada destas fatias desde 2015. A WTorre admite o débito, mas contesta o valor.
A construtora justifica que há discussões sobre valores a pagar e a receber da parceria na corte arbitral. A cobrança citada, porém, está sendo feita pelo Palmeiras na Justiça Comum. A ação foi aberta em 2017.
A avaliação no clube é de que a dívida é incontroversa, pois a WTorre apresenta relatórios mensais, como previsto no acordo, detalhando as receitas que o Palmeiras teria direito a um percentual.
Por isso, também entende que não pode ser tratada como um tópico da arbitragem, onde os parceiros negociam temas em que há divergência de interpretação no contrato.
Caso também está na polícia
Além da ação na Justiça, o Palmeiras pediu, e a polícia abriu inquérito para investigar a Real Arenas, braço da WTorre responsável pelo Allianz. A diretoria alviverde deseja que se apurem possíveis crimes de apropriação indébita e associação criminosa.
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O ge publicou na última semana uma entrevista com Leila Pereira, presidente do Palmeiras, que fez duras críticas à parceria.
Além de falar sobre a cobrança, a dirigente respondeu que financeiramente a gestão da arena tem sido um "péssimo negócio" para o clube.
– A Real Arenas não paga ao Palmeiras há oito anos. Desde o fim de 2014, pagaram apenas sete meses do que o clube tem direito, de percentuais de receitas, como aluguel para shows, naming rights, restaurantes, cadeiras, camarotes. Quando falam que o Allianz é um case de muito sucesso, não é um case de sucesso. Seria, se pagassem o que devem – detonou a dirigente.
A WTorre, em nota, rebateu:
– Reafirmamos que este é um modelo de negócio vencedor e que tem sido extremamente positivo para todas as partes.
Jogos fora de casa em 2023
A presidente alviverde diz temer retaliação da WTorre por conta da ação movida para receber os R$ 128 milhões, com possíveis marcações de eventos que tirem o Verdão do Allianz Parque na reta final da temporada.
A construtora responde que ao todo serão seis jogos do Palmeiras fora da arena, número dentro da média dos últimos anos. Há no clube, porém, a reclamação de que nunca os jogos foram em fase tão decisiva como agora: o Verdão não terá sua casa nas 32ª (Athletico-PR), 34ª (Internacional) e 36ª (América-MG) rodadas do Brasileirão.
Até quando vai a parceria entre Palmeiras e WTorre?
Os 30 anos da parceria começaram a valer a partir da inauguração da arena, no fim de 2014. Ou seja, o contrato entre o clube e a construtora é válido até novembro de 2044.
Qual o percentual a que o Verdão tem direito nas receitas?
As receitas do Palmeiras pela locação da arena para eventos, além da exploração de áreas como lojas, lanchonetes e estacionamento são:
Até 5 anos da abertura: 20%De 5 anos até 10 anos da abertura (estágio atual): 25%De 10 anos até 15 anos da abertura: 30%De 15 anos até 20 anos da abertura: 35%De 20 anos até 25 anos da abertura: 40%De 25 anos até 30 anos da abertura: 45%
Já as receitas pela locação de cadeiras, camarotes, além do naming rights com a Allianz são:
Até 5 anos da abertura: 5%De 5 anos até 10 anos da abertura (estágio atual): 10%De 10 anos até 15 anos da abertura: 15%De 15 anos até 20 anos da abertura: 20%De 20 anos até 25 anos da abertura: 25%De 25 anos até 30 anos da abertura: 30%
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