Alvo de ataques misóginos, Cármen diz que continuará julgando 'serenamente'

A ministra foi alvo de ofensas misóginas do ex-deputado Roberto Jefferson (PTB)

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© Cármen Lúcia confirma voto por prisão após segunda instância
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Ela foi alvo de ofensas misóginas do ex-deputado Roberto Jefferson (PTB), o que motivou uma nova ordem de prisão contra ele. Cármen Lúcia é uma das principais vozes feministas no Judiciário.

Em um vídeo publicado nas redes sociais, Roberto Jefferson comparou a ministra a 'prostitutas', 'arrombadas' e 'vagabundas'. Ele reiterou os ataques em audiência de custódia na segunda, 24, quando se desculpou com as prostitutas pela 'má comparação'.

Cármen Lúcia agradeceu o apoio que recebeu dos pares nos últimos dias e disse que continuará julgando 'serenamente'.

A ministra fez um discurso sobre a unidade do tribunal. 'O atingimento de um é de todos', disse. 'Vários de nós passamos, nesses últimos tempos especialmente, por agruras que vão além de qualquer civilidade.'

Ela disse ainda que o Brasil passa por 'tentativas de subversão ou erosão democrática'.

'Desde pequena, no sertão mineiro, quando eu reclamava de alguma dificuldade, minha mãe perguntava: 'Quem te disse que é fácil?' Dificuldades fazem parte, mas o Brasil vale a pena, o Estado de Direito vale a pena, a democracia vale o que cada um de nós faz', defendeu.

Omissão

O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal, também criticou os ataques recentes contra Cármen Lúcia. Ele pediu a palavra antes da sessão de julgamentos e falou por cerca de dez minutos.

O ministro disse que Cármen Lúcia tem as 'mais elevadas virtudes republicanas'. Sem citar o ex-deputado, Gilmar Mendes afirmou ainda que o Brasil vive um 'cenário de recessão democrática' e 'erosão constitucional'. 'A República foi submetida aos mais impensáveis ataques nos últimos anos', disse. 'O autoritarismo germina em uma lógica discursiva bélica.'

O decano do STF disse ainda que a 'decadência democrática' do País é fruto de 'omissões calculadas e conivências oportunistas das autoridades', no que classificou como um 'ambiente de rapinagem institucional'.

'A muitos interessa um Supremo Tribunal Federal fraco e para enfraquecer a instituição todo meio é válido: ameaçar a vida de ministros e de seus familiares, financiar quadrilhas que acampam na Esplanada dos Ministérios, bem como incitar seus comparsas a destruir o tribunal', disparou.

Gilmar Mendes também reagiu a acusações de que o tribunal tem desbordado suas atribuições e interferido em funções do Executivo e do Legislativo, como frequentemente afirmam o presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores.

'Nessa realidade paralela, os que militam por ditadura, apresentam-se como defensores da liberdade. Como uma mentira dita mil vezes começa a assumir tons de verdade, qualquer decisão do tribunal que busque proteger o Estado democrático de Direito passa a ser descrita histericamente como um abuso. É assim que o Poder Judiciário, um poder desarmado, consegue ser pintado como golpista', afirmou.

Misoginia

A presidente do STF, Rosa Weber, leu no plenário a nota divulgada no último sábado, 22, em que classificou as ofensas a Cármen Lúcia como uma 'agressão sórdida e vil' e 'expressão da mais repulsiva misoginia'.

'Não há como compactuar com discurso de ódio, abjeto e impregnado de discriminação, a atingir todas as mulheres e ultrapassar os limites civilizatórios', repetiu Rosa.

A vice-procuradora-geral da República, Lindôra Araújo, disse que as ofensas a Cármen Lúcia foram 'degradantes'. 'O País está em um momento difícil. A pessoa pode estar revoltada, mas nada justifica', criticou. ACOMPANHE AQUI O



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