Policial
Dono de autoescola confunde estudantes com bandidos e expõe vítimas nas redes sociais
Para OAB-MA e familiares, situação é fruto de racismo
| TOP MíDIA NEWS/THIAGO DE SOUZA
Três estudantes denunciam que foram humilhados pelo dono de uma autoescola, ao serem expostos como bandidos, nas redes sociais, em São Luis (MA). O trio tinha ido à empresa fazer pesquisa de preços. O empresário insinuou que os três eram assaltantes.
Jadilson Campos, uma das vítimas, contou que entrou no local para fazer um orçamento para tirar a CNH, a pedido da mãe. Ele e Rubenspierre Costa e Gabriel Diniz, estavam juntos porque antes foram tomar a vacina contra a covid-19.
Depois de pegar as informações, o trio deixou o local. Horas depois, o proprietário postou um vídeo com imagens das câmeras de segurança do local nas redes sociais. Ele afirmou que os três rapazes iriam assalta-lo.
A gravação mostra quando Jadilson, de camisa azul, chega e senta em frente à recepcionista. Na sequência, entram os dois amigos do rapaz.
Segundo o G1, junto do vídeo, o dono da autoescola postou a legenda:
'Por pouco, não fomos assaltados'. Ele também afirmou que 'eles (os jovens) foram com esse propósito'. O empresário também cita um prejuízo de R$ 6 mil que teve no último assalto, e que 'o jeito é cancelar o CPF das almas sebosas'.
Exposição
Os três jovens contam que não tiveram paz após o vídeo circular nas redes sociais.
“Tô me sentindo constrangido por conta desse vídeo que tá circulando e [medo] de alguém reconhecer nós na rua e querer fazer alguma coisa de mau. Reconhecer nós como bandido”, desabafou, Gabriel.
As famílias das vítimas também têm medo de algo ruim acontecer com os jovens. Elisângela Soares, mãe do Gabriel, afirmou que está revoltada.
“Não é porque ele é empresário que ele pode fazer isso. Ele não tem poder pra isso. Não pode julgar os outros. Quem pode julgar é só Deus. Então como que ele vai julgar meu filho?’’, desabafou a familiar.
Queixa
A família denunciou o caso à polícia. Uma advogada Emília Almeida, que acompanha o caso, diz que vê vários crimes a serem apurados. Ela destaca crime contra a honra, ameaça, difamação e injúria racial, apesar de ter sido cometido pela internet.
A Ordem dos Advogados do Brasil no Maranhão (OAB-MA) tomou conhecimento do caso e pede providências do Ministério Público. Para o presidente da Comissão da Igualdade Racial, Erick Moraes, o racismo está por trás dos outros crimes relacionados à postagem do empresário.
Procurado, o empresário e dono da autoescola envolvido no caso, ainda não se manifestou sobre o assunto.
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