Após venda da SAF, Pedrinho garante: "Acabou o problema das dívidas do Vasco"

Sócios aprovaram com 90% dos votos a venda da SAF para a empresa de Marcos Lamacchia na noite desta sexta-feira. Presidente responde sobre planos e acredita que Anresf vai validar transação

| GLOBOESPORTE.COM / SERGIO SANTANA


Pedrinho, presidente do Vasco — Foto: Jorge Rodrigues/AGIF
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Presidente do Vasco, Pedrinho definiu como "um dia histórico" a aprovação dos sócios para a venda da SAF do clube para a empresa de Marcos Lamacchia, que se deu na noite desta sexta-feira, na Sede Náutica. Pedrinho garantiu, entre outras coisas, que o novo proprietário do futebol dará um fim ao "problema das dívidas".

+ Socios do Vasco aprovam venda da SAF para Marcos Lamacchia

Foram 4.675 votos a favor e 437 contra, além de 48 abstenções, conforme o resultado oficial da Assembleia Geral Extraordinária (AGE). Ao todo, aproximadamente 90% de aprovação.

- Hoje é um dia histórico por saber o tipo de investidor que está entrado. É uma correção de um problema criado. O investidor agora... a gente sabe do poder financeiro que ele tem. Há segurança institucional, temos todas as garantias. Além disso, o investidor quer estar aqui. Ele demonstrou carinho muito forte. Hoje é uma virada de página - afirmou Pedrinho.

- Sempre prometi trabalho. Óbvio que, com o poder financeiro do investidor, tudo melhora. Estrutura, centro de treinamento. Um dos pontos mais importantes para mim é o pagamento das dívidas. Acabou o problema das dívidas do Vasco. Com o poder do investidor, você vai ter times mais competitivos para brigar de forma grande como o Vasco merece. Título não vou promoter, pois o futebol tem várias variáveis - acrescentou.

Pedrinho também destacou o sentimento de Marcos Lamacchia com relação ao Vasco e disse que o desejo do amigo e empresário é transformar o clube "em uma grande potência".

"As coisas contratuais estão assinadas e é o que vale. O meu "feeling" é que o investidor vai fazer algo além do que está no contrato. Isso é sensibilidade por ter contato muito próximo. Há o desejo dele em transformar o Vasco em uma grande potência. Então, obviamente, se precisar de algo a mais no contrato, vai acontecer".

Veja outras respostas de Pedrinho, presidente do Vasco, na entrevista:

Reforma do CT

- Tem alguns processos que não são trâmites do Vasco. Por exemplo, o terreno do lado, que é nosso, está passando uma tubulação de uma obra da prefeitura que ainda vai iniciar, a gente tem que esperar isso começar. Depois disso, são três ou quatro meses de obra. Aí a gente pode começar a obra do CT. A partir de hoje, a gente segue os trâmites de cartório, transições de documento, de aporte, para o contrato começar a entrar em vigor. O terreno do CT precisava de documentos que, pela gestão anterior, estavam irregulares para começar a obra assim que terminar a obra da prefeitura.

Processo na Anresf

- Não só a Anresf, mas (também tem) o Cade. A gente vai respeitar todos os processos. Ali é só entregar documentação. Nós fizemos todos os processos com muita transparência e legitimidade. Passamos pelo AJ, por todos os processos da associação, conselho dos beneméritos, conselho deliberativo, hoje a Assembleia Geral. Então todos os processos foram respeitados. A Anresf e o Cade vão solicitar qualquer tipo de documento que vão ser entregues, como foi todo o processo até aqui. Hoje realmente está concretizada a venda da SAF.

Com a SAF, sai a obra em São Januário?

- São Januário está no meu teto jurídico e técnico e precisa de trâmites que não dependem de mim. Eu entrei para isso, né? Fui até onde podia no estádio. Não tem como correr de não começar a obra do estádio no ano que vem. É a tendência.

Pronto para a reeleição?

- Respeitando sempre todos os candidatos. Não sei quantos serão. A gente vive numa democracia, e o sócio tem o direito de escolher o melhor. Não era a minha intenção, estava definido que não queria. Era para seguir meus projetos pessoais. Foi um pedido firme do investidor. Fiquei receoso se uma possível saída minha prejudicaria a negociação. Então, decidi ficar.

Qual o seu sentimento pessoal depois de hoje?

- Como falei na votação do conselho deliberativo, hoje é mais um dia de tantos dias de dificuldade. Respeito muito todos os presidentes que sentaram nessa cadeira. Estou vivendo agora, sei quanto é difícil mesmo você tocar um clube de futebol, estou sentindo na pele isso. Sempre respeitei muito a questão de honrar os compromissos com as pessoas. É bom deixar claro que, quando entrei na SAF, não tinha conhecimento da questão financeira, e ela me assustou completamente porque a gente não tinha o dinheiro para o mês seguinte. Mesmo assim, fizemos todos os mecanismos necessários para honrar todos os compromissos em dia, muitas vezes pagando até adiantado. Isso foi eito com muita dedicação e carinho pela instituição e funcionários. Muitos posicionamentos de alguns clubes sobre novas contratações... Os clubes para os quais o Vasco devia disseram "sim" na recuperação judicial, eles aprovaram. Foi um acordo que eles aceitaram. Podem falar que o Vasco está levando uma vantagem porque contratou e não pagou esse clube, não. O Vasco paga esse clube dentro do acordo que foi feito.

- Particularmente, é um dia de missão cumprida. Porque, como falei, foram noites difíceis demais para mim porque eu tinha muita responsabilidade com toda a instituição. No início, mais ainda, porque eu tinha todo o contexto de saber o que estava acontecendo com o clube e o torcedor não sabia. Quando entrei com a ação, eu sabia o que iria acontecer e a forma que eu seria atingido. É bem difícil aguentar o processo, tá? Não foi fácil, não. Agradeço muito às pessoas que participaram comigo, eu não fiz nada sozinho. Hoje é um dia que eu sei que o Vasco está num caminho muito importante da sua história, é uma mudança, um novo capítulo.

Planejamento para 2027

- A gente passou por muitos processos de negociação. Todos os problemas que tive de enfrentar, todas as burocracias. A gente não parou ainda para ajustar. Então, agora vai começar o planejamento esportivo, acompanhar a obra da prefeitura para acelerar a obra do CT. Depois disso, a gente entra para o planejamento esportivo.

O que dizer para o torcedor que está traumatizado depois da 777?

- Acho que não tem nem como iniciar qualquer tipo de comparação, não tem nem como começar a fazer a comparação. Você pode fazer qualquer busca na internet que você vai saber do investidor, qualquer busca simples. Quando o Vasco foi vendido, foi vendido de uma forma incorreta. Muitos falam que eu votei, eu não votei, não. Eu estava trabalhando na Globo. Não votei. Era uma empresa que já tinha uma receita menor que a despesa. Hoje estamos falando de um investidor com todas as garantias, com um valor que vocês sabem. Não tem nem como iniciar a comparação, além da paixão que o investidor tem pela instituição. Essa comparação não tem que ser feita em respeito ao próprio investidor.

O que dizer para os que tentaram atrapalhar o processo?

- Me incomoda muito. Quando eu entrei aqui, nenhum clube se posicionou para saber se eu precisava de alguma ajuda. E ninguém tem a obrigação disso não, tá? Mas quando a gente dá um passo como a gente está dando com um investidor tão sério, todo mundo quis se meter. Comigo, as coisas são muito diretas e transparentes. Não vai ter nenhum tipo de irregularidade, nada que não seja legal. A Anresf vai ficar tranquila, porque vamos apresentar tudo.

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