Fretes de grãos desaceleram em MS, mas seguem acima de 2025 em algumas rotas

Levantamento da Conab mostra recuos em nove rotas, estabilidade em quatro e altas em outras quatro

| JHEFFERSON GAMARRA / CAMPO GRANDE NEWS


Carreta abastecendo com grãos na atual safra em Mato Grosso do Sul (Foto: Divulgação/Aprosoja)
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Cotações

Os fretes agrícolas praticados nas principais rotas de escoamento de grãos de Mato Grosso do Sul tiveram predominância de queda ou estabilidade em agosto, mas o comportamento não foi uniforme entre os corredores. Das 17 rotas acompanhadas pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), houve redução mensal em nove, estabilidade em quatro e aumento em quatro. Na comparação com agosto de 2025, porém, oito trajetos apresentaram valores maiores, enquanto outros oito registraram queda e um permaneceu estável.

O cenário ocorre justamente durante o avanço da colheita do milho segunda safra no Estado, quando aumenta a necessidade de transporte da produção retirada das lavouras para armazéns, cerealistas, cooperativas e consumidores. Segundo a Conab, não houve pressão generalizada de alta sobre os fretes em agosto, apesar do aumento da movimentação de milho.

O levantamento integra o Boletim Logístico de setembro de 2026, divulgado pela Conab nesta quarta-feira (30). A análise acompanha os principais corredores de transporte de grãos em dez estados brasileiros.

Maracaju–Paranaguá teve maior alta no mês - Entre as rotas de Mato Grosso do Sul, a maior valorização em agosto ocorreu no trajeto entre Maracaju e Paranaguá (PR). O frete passou de R$ 266 para R$ 285 por tonelada, aumento de 7,1% em relação a julho.

Também houve alta na ligação entre Ponta Porã e Rio Grande (RS), de R$ 310 para R$ 320 por tonelada, variação de 3,2%. Na rota entre Maracaju e Maringá (PR), o preço passou de R$ 138 para R$ 142 por tonelada, alta de 2,9%.

Já o trajeto entre Sidrolândia e Santos (SP) teve aumento de 2,8%, com o valor subindo de R$ 282 para R$ 290 por tonelada.

Apesar dessas altas, os aumentos ficaram restritos a quatro dos 17 corredores monitorados.

Chapadão do Sul teve queda de até 9,4%

Entre as maiores reduções mensais está a rota de Chapadão do Sul para Guarujá (SP). O valor caiu de R$ 320 para R$ 290 por tonelada, recuo de 9,4%.

No mesmo município, o transporte para Paranaguá passou de R$ 315 para R$ 300 por tonelada, queda de 4,8%.

Em Ponta Porã, o frete para Maringá teve a maior redução mensal entre as rotas do município, passando de R$ 149 para R$ 138 por tonelada, recuo de 7,4%. Para Paranaguá, a queda foi de 2,9%, de R$ 280 para R$ 272.

Em Dourados, o frete para Rio Grande caiu 4,8%, de R$ 289 para R$ 275 por tonelada. Para Maringá, a redução foi de 0,8%, de R$ 120 para R$ 119, enquanto a rota para Paranaguá permaneceu em R$ 248 por tonelada.

Comparação com 2025 mostra cenário dividido - Embora agosto tenha sido marcado pela acomodação das tarifas, a comparação com o mesmo mês do ano passado mostra um cenário mais dividido.

A maior alta anual foi registrada no trajeto entre Sidrolândia e Maringá, cujo frete passou de R$ 126 por tonelada em agosto de 2025 para R$ 147 neste ano, avanço de 16,7%.

Na sequência aparece a rota Maracaju–Paranaguá, com aumento de 14,9%, de R$ 248 para R$ 285 por tonelada. Sidrolândia–Paranaguá também ficou 10,8% mais cara no período, passando de R$ 249 para R$ 276.

Dourados–Maringá teve alta anual de 8,2%, enquanto Ponta Porã–Maringá aumentou 6,2%. Também houve avanço de 4,2% em Dourados–Paranaguá e de 3,2% nas rotas Ponta Porã–Rio Grande e Ponta Porã–Santos.

Por outro lado, o maior recuo anual foi registrado no trecho Sidrolândia–Santos, de R$ 320 para R$ 290 por tonelada, redução de 9,4%.

São Gabriel do Oeste–Santos teve queda de 7,6%, Chapadão do Sul–Guarujá recuou 6,5% e São Gabriel do Oeste–Maringá caiu 5,9%. Em Chapadão do Sul–Paranaguá, o valor ficou exatamente no mesmo patamar de agosto de 2025: R$ 300 por tonelada.

Colheita do milho aumenta movimentação - A dinâmica dos fretes em Mato Grosso do Sul está relacionada ao avanço da colheita do milho segunda safra. De acordo com a análise da Conab, a área colhida no Estado havia alcançado aproximadamente 87% até 28 de agosto, com os trabalhos praticamente concluídos na região Norte e ainda em andamento nas regiões Centro e Sul.

O avanço da colheita ampliou a necessidade de movimentação dos grãos entre propriedades rurais e unidades armazenadoras. Em algumas localidades, houve saturação de silos de cerealistas e cooperativas, com registros de filas para descarga, sinalizando limitações pontuais de recebimento e armazenagem.

Esse movimento, entretanto, não significou aumento generalizado dos fretes. A Conab aponta que a pressão logística ocorreu de maneira desigual, com a movimentação destinada à armazenagem convivendo com as entregas para os mercados consumidores.

Isso ocorre porque o volume colhido não é necessariamente igual ao volume comercializado ou transportado imediatamente para consumo. Parte dos grãos pode permanecer armazenada e ser retirada posteriormente, conforme contratos, demanda dos compradores e necessidade de reposição dos estoques.

Além das exportações, o mercado interno também exerce papel importante na demanda pelo transporte de milho produzido em Mato Grosso do Sul. O cereal é utilizado na nutrição animal e no processamento industrial, incluindo a produção de etanol, fazendo com que diferentes corredores sejam acionados conforme a necessidade dos consumidores.

Exportações de MS somaram 648,2 mil toneladas - No comércio exterior, Mato Grosso do Sul exportou 548,1 mil toneladas de soja e 100,1 mil toneladas de milho em agosto, totalizando 648,2 mil toneladas das duas commodities.

A soja respondeu pela maior parte desse volume, mas os embarques da oleaginosa recuaram em relação a julho. De acordo com a análise da Conab, essa redução, associada à sazonalidade da comercialização, pode ter contribuído para a acomodação dos fretes no Estado.

Os números de exportação, porém, não representam toda a movimentação rodoviária de grãos. Os registros não incluem cargas destinadas ao consumo interno e também não correspondem necessariamente ao total transportado por caminhões durante o mês.

Entre os principais portos utilizados para o escoamento da soja e do milho sul-mato-grossenses em agosto, Paranaguá (PR) recebeu 246,3 mil toneladas, São Francisco do Sul (SC) ficou com 214,6 mil toneladas e Santos (SP) recebeu 186,4 mil toneladas.

A distribuição ajuda a explicar a importância dos corredores que ligam as regiões produtoras de Mato Grosso do Sul aos portos do Sul e do Sudeste.

Soja sustenta demanda nacional por transporte - No cenário brasileiro, o mercado externo da soja continuou aquecido. Entre janeiro e agosto de 2026, o país exportou 92,7 milhões de toneladas da oleaginosa, crescimento de 7% em relação aos oito primeiros meses de 2025.

No caso do milho, os embarques acumulados chegaram a 14,5 milhões de toneladas, queda de 7,9% na comparação anual. Mesmo com a redução no volume exportado, a Conab destaca um cenário de valorização do cereal tanto no mercado brasileiro quanto internacional.

O Arco Norte respondeu por 38,85% das exportações brasileiras de soja entre janeiro e agosto, enquanto o porto de Santos concentrou 34,42%. No milho, a participação do Arco Norte foi ainda maior, chegando a 48,98%, seguida por Santos, com 27,08%.

O porto paulista também concentrou 44,02% dos embarques brasileiros de farelo de soja no período.

Fertilizantes - Do lado da entrada de insumos, as importações brasileiras de fertilizantes alcançaram 25,38 milhões de toneladas de janeiro a agosto, volume aproximadamente 13,7% menor que o registrado no mesmo período de 2025.

A movimentação de fertilizantes também integra a dinâmica logística do agronegócio, embora os dados de fretes analisados pela Conab estejam concentrados nas principais rotas de escoamento de grãos.

Dessa forma, o cenário observado em Mato Grosso do Sul em agosto combina avanço da colheita do milho, movimentação para armazenagem, demanda do mercado interno e exportações, sem que esses fatores tenham provocado uma alta generalizada nos fretes. Ao mesmo tempo, algumas rotas específicas, principalmente com origem em Maracaju, Sidrolândia e Ponta Porã, apresentaram aumentos no mês ou permanecem acima dos valores registrados um ano antes.



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