O que explica a queda de rendimento do Palmeiras depois da Copa? Comentaristas analisam

Aproveitamento de pontos do clube caiu de 75,92% para 52,38% no Brasileiro; apesar disso, avaliação é de que time não precisa de "revolução" para voltar a desempenhar bem

| GLOBOESPORTE.COM / CAMILA ALVES E INGRID GONZAGA


Flaco López comemora segundo gol contra o Santos — Foto: Marcos Ribolli
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Cotações

Apesar de continuar na liderança do Campeonato Brasileiro, o Palmeiras não está jogando como antes. A dificuldade em repetir o desempenho do período anterior à pausa para a Copa do Mundo tem se refletido nas estatísticas do time, que apresentaram queda: o aproveitamento de pontos, por exemplo, caiu de 75,92% para 52,38% na competição.

O ge ouviu comentaristas para discutir motivos que levaram a equipe a performar menos no Brasileiro e o que precisa (ou pode) mudar para recuperar o bom desempenho.

Entre as razões citadas, estão a sequência de jogos, as lesões que afetam o elenco, a queda técnica de alguns atletas, além da falta de reposição com características iguais e a falta de solidez defensiva.

É preciso, na visão dos comentaristas, retomar intensidade e fluidez ofensiva, corrigir a marcação pelos lados do campo e recuperar jogadores do elenco.

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– O que chama mais atenção é o aproveitamento absurdamente alto antes da Copa. Palmeiras e Flamengo são os dois melhores times do Brasil e da América do Sul, mas eles não são imbatíveis, vão tropeçar, vão deixar pontos pelo caminho – opina Caio Ribeiro.

No primeiro semestre, os palmeirenses conquistaram 41 dos 54 pontos disputados no Brasileiro. Já nos últimos sete jogos, na volta do campeonato, conseguiram 11 dos 21 pontos em disputa.

A vantagem que tinha sobre o Flamengo, vice-líder, caiu para quatro pontos depois do empate contra o Mirassol. Há quatro rodadas, a diferença era de oito. O clube carioca tem uma partida a menos.

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Como mandante, a queda é maior: de 85,18% para 44,44%. Antes da pausa para a Copa, o Palmeiras fez nove partidas em casa, das quais venceu sete e empatou duas, sem derrotas. Após a Copa, foram três jogos no Nubank Parque pelo Brasileirão: uma vitória, um empate e uma derrota.

– Essa queda de rendimento, acho que é pela sequência de jogos. A sequência te traz algumas lesões, como a do Sosa e a do Piquerez, e outros jogadores que ficaram afastados. Quando vende o Allan, não tem reposição à altura. Quando machuca o Arias, perde os dois caras de intensidade pelos lados. Tem que se reinventar – conclui Caio Ribeiro.

No momento, apenas quatro times da Série A do Brasileiro estão competindo em três torneios ao mesmo tempo: além do Palmeiras, Santos, Atlético-MG e Vasco participam também da Copa do Brasil e de uma das competições internacionais — Libertadores ou Sul-Americana.

– É o grupo mais qualificado que o Palmeiras tem nesse período de Abel, mas não é o time que joga o melhor futebol – diz o comentarista Fernando Prass.

– Alguns jogadores tecnicamente não estão bem. Vitor Roque, como o próprio Abel falou, Piquerez não vem em uma fase que nos acostumamos a ver. E Roque não tem um substituto, ele coloca Flaco de centroavante e outro no lugar do Flaco.

– O meio campo, por característica, acho que não tem reposição e ninguém que se firmou na lateral direita. São aspectos que pesam nesse momento de oscilação. É um período de muitos jogos, com recuperação complicada, e a reposição é mais necessária porque tem lesão, desgaste físico. E em determinadas funções o Palmeiras não tem substituições com característica do titular.

Além das questões individuais, ao ampliar o olhar para o âmbito coletivo, Cabral Neto e Fernando Prass citam o comportamento defensivo como um ponto de atenção.

– O sistema de marcação por encaixes individuais exige muita precisão. Quando um jogador perde o duelo, abre espaço pro adversário aproveitar. O time vem cedendo muitos espaços nas laterais do campo, permitindo cruzamentos e ainda vem tendo buracos na zaga para cortar essas bolas alçadas na área – afirma Cabral Neto.

– Abel tenta insistir na formação com três zagueiros. E embora tenha jogado nessa formatação, só por mudança de característica já tem que ter uma readaptação, dos zagueiros e do entorno deles. O Palmeiras sempre foi muito sólido defensivamente. Era um time que marcava muito bem, marcava muitos gols e era letal. E está tendo uma queda defensiva – completa Prass.

O que não caiu foi o número de gols. Proporcionalmente, o Palmeiras está mais goleador do que antes, mesmo com menos vitórias. Desde que os jogos voltaram, a equipe de Abel Ferreira alcançou uma média de 2,14 gols por partida, contra 1,66 de antes.

Isso se dá, sobretudo, pelos placares elásticos das vitórias. Em duas das três partidas vencidas após a volta da Copa, o clube aplicou quatro gols nos adversários, contra Vasco e Vitória. Mesmo nas derrotas conseguiu marcar e somente em um jogo saiu sem gols: no empate por 0 a 0 com o Internacional.

Abel Ferreira tem culpa?

Criticado por parte da torcida, Abel Ferreira não é o único culpado, na visão dos comentaristas. Ainda assim, tem parte no problema do clube, e pode atuar para fazer com que o cenário evolua.

– O Abel tem que ser cobrado porque o time pode jogar mais bola do que vem jogando. Antes da saída do Arias, ele tinha o melhor elenco que já teve à disposição. Pelo menos 18, 19 jogadores em condições de serem titulares. O técnico tem que ser cobrado – pontua Caio Ribeiro.

– O Palmeiras está vivo em todas as competições e pelo menos em uma delas vai ser campeão. Graças à estrutura do departamento de futebol, à gestão das pessoas que dirigem o clube, ao trabalho do Abel e à qualidade dos jogadores – continua o ex-atacante.

Cabral Neto, no entanto, relembra o peso das perdas no elenco nas decisões do treinador, que tenta lidar com diversos problemas simultâneos, sem conseguir soluções para todos.

– Eu não colocaria a maior parte da responsabilidade em Abel. Ele tem encontrado soluções, mas algumas delas são soluções de emergência e não substituições equivalentes. A questão é que Abel está tentando preservar a identidade com peças diferentes, e isso tem um limite, evidentemente – pondera.

Como voltar a subir?

A saída parece estar na aposta no grupo como um todo, não nos talentos de jogadores isolados. De acordo com o comentarista Cabral Neto, nem tudo está perdido: o Palmeiras continua mostrando bom futebol, mesmo que precise de ajustes.

– O principal é recuperar intensidade e fluidez ofensiva sem depender exclusivamente da inspiração individual. Ganhar maior mobilidade pra acelerar a circulação quando enfrenta adversários fechados, corrigir a marcação pelos lados do campo e povoar melhor a área pra sofrer menos com o jogo aéreo, precisa recuperar jogadores e estabilizar uma estrutura. Portanto, não vejo necessidade de uma revolução – afirma.

– O Palmeiras mostrou contra o Vasco, contra o Santos, que o futebol de alto nível continua presente na equipe, mas precisa diminuir os momentos de apagões ao longo das partidas pra voltar a ter capacidade de controlar os diferentes momentos dos jogos – finaliza Cabral Neto.

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