Brasil/Mundo
Terremoto na Indonésia forçou 5 mil pessoas a deixarem suas casas
Número de mortos subiu para 53 em balanço neste domingo
| ANANDA TERESIA, STANLEY WIDIANTO, DEWI KURNIAWATI, BERNADETTE CHRISTINA - REPóRTERES DA REUTERS*
O número de mortos no terremoto de magnitude 7.7 que atingiu o leste da Indonésia no sábado (15) subiu para pelo menos 53 mortos, segundo autoridades locais, que contabilizam ainda 130 feridos. O tremor bloqueou estradas, causou deslizamentos de terras e forçou cerca de 5 mil pessoas a saírem de suas casas.
O abalo sísmico foi o mais mortal na nação do Sudeste Asiático desde 2022, quando houve centenas de mortos em Java Ocidental.
Mais de 3.300 pessoas na região de Sikka, na Indonésia ─ uma das mais atingidas ─ saíram por conta própria ou estavam em uma arena esportiva, de acordo com a agência nacional de mitigação de desastres do país, conhecida como BNPB.
Alguns moradores ficaram ilhados do lado de fora de casas que desabaram, sob tendas improvisadas feitas de lona, enquanto outros recebiam tratamento em uma tenda fora do hospital local.
A Indonésia, um vasto arquipélago com 290 milhões de habitantes, situa-se no 'Anel de Fogo do Pacífico', uma zona sismicamente ativa onde as placas tectônicas se encontram, desencadeando frequentes terremotos e erupções vulcânicas.
Medo de réplicas
Em um porto agora fechado em Maumere, repleto de destroços de um telhado e paredes que desabaram, moradores disseram à Reuters que temiam tremores secundários.
A agência de gestão de desastres informou neste domingo que quase 1 mil réplicas foram registradas desde o terremoto.
Nas proximidades, centenas de moradores lotaram um estádio esportivo, que foi designado como ponto de retirada.
Ao pôr do Sol, os moradores faziam fila para comprar bebidas quentes. Algumas mães improvisavam berços para seus bebês com pedaços de roupa presos às armações das barracas. Outras crianças jogavam futebol lá fora.
A área afetada pelo terremoto foi atingida, em 1992, por um tremor de magnitude 7,5 que causou grande destruição, informou a agência de geofísica da Indonésia.
Margaretha Movaldes Da Maga Bapa, chefe da agência de mitigação de desastres da região, disse que o terremoto trouxe à tona lembranças.
'Já tivemos terremotos muitas vezes. Mas este realmente traz de volta o trauma do de 1992', disse ela, referindo-se aos caminhões que traziam ajuda e barracas.
Moradores se abrigam em tendas após deixarem suas casas em Manggarai, na Indonésia. REUTERS/Terisno Adon/Proibido Reprodução
Suryaman, um funcionário da agência de resgate, disse à Reuters que a prioridade era remover os escombros nas áreas mais afetadas de Manggarai, East Manggarai e Nagekeo, para encontrar pessoas que possivelmente ainda estivessem presas sob os escombros.
Suryaman afirmou que a agência não havia recebido relatos de pessoas desaparecidas, mas acrescentou que deslizamentos de terra e tremores secundários estavam dificultando as buscas.
Mais de 3,5 mil militares e policiais foram enviados para a região, afirmou o secretário do gabinete, Teddy Indra Wijaya, em comunicado.
O fornecimento de energia foi quase totalmente restabelecido, mas as autoridades ainda estavam trabalhando no conserto das linhas de distribuição, informou neste domingo a empresa estatal de serviços públicos Perusahaan Listrik Negara.
O governo de Nusa Tenggara Oriental declarou estado de emergência para a província, informou a BNPB, uma medida que permite às autoridades mobilizar recursos e financiamento.
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