Análise: na Copa das estrelas, Espanha escancara o óbvio e é finalista com coletivo impecável

Com controle de bola e espaço, espanhóis brecam uma França que se desenhava avassaladora, vence com autoridade e manda recado em um Mundial que exaltava individualidades

| GLOBOESPORTE.COM / CAHê MOTA


França x Espanha — Foto: Reuters
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Futebol: esporte coletivo. Em alguns momentos, o óbvio precisa ser dito, e a Espanha gritou esta obviedade no gramado do estádio de Dallas na tarde terça-feira.

Na Copa do Mundo dos protagonistas, a primeira finalista despachou a até então melhor equipe do torneio com jogando por música. Uma orquestra onde cada um toca seu instrumento no tom correto, sem necessidade de solar. O 2 a 0 sobre a França, pela semifinal, foi uma aula.

O time de Luis de la Fuente comandou a partida através do controle de bola e espaço. A França avassaladora de Mbappé, Dembélé e Olise corria atrás e praticamente não levava perigo ao gol quase imbatível de Unai Simon - vazado apenas uma vez na competição.

Se de um lado Rabiot errava passes aos montes, do outro Rodri e Fabian Ruiz ditavam o ritmo de um jogo que tendia ao lado direito do ataque espanhol. E não somente por conta do talento indiscutível de Lamine Yamal. Mas muito pela fragilidade indicada por Lucas Digne.

O lateral do Aston Villa, que está na mira do PSG, fez pênalti infantil que Oyazarbal cobrou para fazer 1 a 0 e deixar ainda mais cômodo o jogo de posse espanhol. Com exceção de jogadas individuais de Barcola, a França sequer rondava a área de uma Espanha que controlava o ritmo e criou a melhor chance de bola rolando após longa troca de passes que Upamecano travou finalização de Fabian Ruiz. O primeiro tempo foi um amasso.

E o cenário mudou pouco na volta do intervalo. Por mais que a França tentasse se posicionar mais no campo de ataque, a Espanha fechava bem os espaços, com Rodri em determinados momentos se posicionando entre os zagueiros para uma linha de cinco.

Deschamps trocou Barcola por Doué, aos 12, para dar drible e velocidade, mas o jovem do PSG pecou em sua primeira ação sem a bola. Não acompanhou Pedro Porro, que tabelou com Dani Olmo para receber livre na área e deslocar Maignan: 2 a 0.

A França fez todas as cinco substituições, só que em momento algum sequer flertou com uma reação. Até aconteceram jogadas de Mbappé aqui e ali, mas sempre na base de um individualismo que não foi páreo para o jogo coletivo da Espanha.

A semifinal estava tão tranquila que ainda na metade do segundo tempo a torcida começou a gritar “olé'. Logo a reação que depende da troca de passes de pé em pé. Afinal, o futebol é um esporte coletivo, e a Espanha tem a capacidade de gritar isso para os rivais como ninguém.



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