Rinaldo diz que direita é inimiga de si mesma e crê na eleição de 5 deputados da federação União/PP

| DOURADOSNEWS / FABIANE DORTA


Deputado estadual, Rinaldo Modesto (União), em visita ao Dourados News - Crédito: Clara Medeiros / Dourados News
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Dizendo que a direita é inimiga de si mesma em um cenário de polarização e acreditando em uma ‘reformulação partidária enorme’, o deputado estadual Rinaldo Modesto (União) se coloca como pré-candidato a reeleição apostando que a Federação União/PP tem chances de ampliar a atual bancada de quatro para, pelo menos, cinco cadeiras.

Em visita ao Dourados News, Rinaldo disse que essa reformulação seria imprescindível porque “não existem 34 ideologias”, se referindo a disparidade desse aspecto em relação à quantidade de partidos que já existem ou estão tentando se estabelecer, e o movimento de fusão entre legendas que acaba por diminuir o número de candidatos e, consequentemente, aumentar número de votos necessários para conseguir uma cadeira.

“Vai ser bastante disputado, porque seleciona muito”, diz sobre as eleições gerais, marcadas para o dia quatro de outubro deste ano.

“Hoje não tem nenhum partido, nenhuma federação que não tenha no mínimo três ou quatro deputados com mandato. Na minha tem quatro e tem mais outras lideranças de peso. Então, é uma eleição bastante difícil. Mas quem fez campanha, tirando ‘xerox’ de santinho e chegar aqui indo para o sexto mandato, para mim, eu já vi de tudo”, acredita.

Ele foi eleito vereador de Campo Grande em 2004. No meio do mandato assumiu a vaga na Alems (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul) onde encerra este ano o quinto mandato, entrando na disputa para tentar o sexto.

Junto com ele na Federação, a bancada atual na Alems é composta por um trio do PP que tem Londres Machado, Jamilson Name e Gerson Claro. “Eu acredito que nós temos uma possibilidade real de fazer cinco deputados [nas eleições deste ano], com uma sobra para o sexto”, afirma.

Além dos que já tem mandato na casa de leis estadual, Modesto ainda cita outros nomes que considera ‘de peso’ para impulsionar as legendas nas eleições, como o da ex-deputada estadual Dione Hashioka (União); do ex-prefeito de Ponta Porã e ex-secretário da Seilog (Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística de Mato Grosso do Sul), Hélio Peluffo (PP); ex-prefeito de Corumbá, Marcelo Iunes (PP); Marco Aurélio Santullo (PP), que assessorou a senadora Tereza Cristina (PP) e é considerado uma liderança dentro do partido; entre outros.

DOBRADINHA COM A ‘CAÇULA’

Irmão de sua correligionária e ex-deputada federal, Rose Modesto (União), ele lembra que pretende repetir a ‘dobradinha’ que tem feito com a caçula. “Eu é 100% com ela. Ela acaba tendo outras parcerias, é natural, até mesmo em Campo Grande. Mas, a Rose é minha candidata número um e não tem número dois”, disse.

Além de Rinaldo, Rose deve apoiar mais candidatos a deputado estadual do grupo devido à mobilização para alcançar a cadeira na Câmara dos Deputados, que exige uma capilaridade maior para alcançar a quantidade de votos necessários à legenda.

E O SENADO?

Ao lado de Rose para federal e com o governador do Estado, Eduardo Riedel (PP) na disputa pela reeleição, o debate recai sobre o apoio a candidatos aos demais cargos.

No caso do senado, estaria sacramentado o suporte a Reinaldo Azambuja (PL), mas para uma segunda vaga isso ainda estaria em debate interno pela federação.

Para Rinaldo, o nome deveria ser de Nelsinho Trad (PSD), que se coloca como pré-candidato a reeleição. “Eu, particularmente, quero ajudar o Nelsinho, pela proximidade, a gente tem uma amizade de muito tempo, acho que está fazendo um bom trabalho. Hoje o Nelsinho tem mais de 60 prefeitos apoiando”, relata, ressalvando sobre um desafio enfrentado pelo senador para voltar ao congresso: “ele não consegue sair dessa bolha da polarização, desse ódio que entristece a gente”, pontua.

A POLARIZAÇÃO

Para o pré-candidato, majoritariamente o Brasil ainda está divido e isso acaba impactando nas eleições estaduais. “Eu lamento profundamente, porque a política é a arte de ciência de bem administrar o diário de todo mundo. E hoje existe essa coisa aí, quem é de um lado odeia o de lá, o que é de lá odeia o de cá e, na verdade, as questões mais relevantes ninguém discute. Saúde, educação, infraestrutura, desenvolvimento social, inclusão, meio ambiente. Só fica nessa onda de esquerda e de direita”, relata.

Ele observa que até mesmo adolescentes passaram a questionar se uma pessoa é de direita ou esquerda, sem ao menos conhecer os ideais que caracterizam cada um desses espectros políticos. “Virou uma coisa patológica esse ódio instalado de cinco anos, de quatro, de sete anos para cá”, relata.

Modesto se coloca como um político de centro-direita que busca o diálogo e equilíbrio. “Eu me relaciono bem com todo mundo, porque eu não discuto com ignorante, eu não discuto com fundamentalista”, afirma. “Eu tenho amigos dentro do PT, do PSTU. Eu me relaciono bem com todo mundo, sabe por quê? Porque eu respeito a pessoa na sua individualidade”, afirma. “Eu sou professor, então tem muita gente da educação que é PT e me apoia para estadual”, acredita.

“Agora, dentro da igreja, que eu faço parte de uma igreja cristã evangélica, a igreja, ela é muito, é bolsonarista, coisa de louco. Às vezes não conseguem enxergar o óbvio: que a direita, o maior inimigo da direita, sabe quem é? É a própria direita. Eles mesmos produzem prova contra si mesmo. Tanto é que está aí a briga com o Flávio [Bolsonaro] e a madrasta [Michele Bolsonaro], e o [Presidente] Lula, naquela idade, indo com tantos mandatos e tem a chance aí de estar crescendo”, observa.

Ele acredita que em sua ida aos Estados Unidos, Flávio fez coisas que acabaram passando o conceito de que está conspirando contra a própria pátria. “Eu acho que os próprios filhos do Bolsonaro, na minha visão, acabaram prejudicando tudo isso. Então, vai ser uma eleição muito difícil”, disse argumentando que é favorável ao ‘centro’ como a base de tudo.

EM BUSCA DO EQUILÍBRIO

“Eu posso estar em qualquer partido que eu nunca vou abrir mão dos meus princípios”, diz. “Eu vou estar sempre contra o aborto, sempre favorável da vida, da família, mas respeitando aquele que pensa diferente de mim. Então, é o equilíbrio, a palavra chave. O equilíbrio não está nem na direita extrema, nem na esquerda extrema, o equilíbrio está no centro. Eu acho que o Brasil, na minha visão, precisa voltar para esse equilíbrio e eu acho que esse extremo tem prejudicado aí tanta gente”, pontua.

Para ele, diante desse cenário, cada candidato a deputado estadual vai acabar indo ‘para o lado que é mais conveniente’ quando o assunto é a disputa pelo cargo ocupado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “O PT é aquele cristalizado. O Lula teve 40% dos votos aqui [em MS] em 2022 e possivelmente vai ter de novo. Então eu acho que deveria, o melhor nome, na minha visão, seria o governador de São Paulo, [Tarcísio de Freitas (Republicanos)]. É o que mais juntaria a direta”, pontua.

“Em segundo lugar, se dependesse de mim, e pela postura, pelo conceito de ética e de alinhamento, seria o Ronaldo Caiado [PSD]”, disse, argumentando que, em sua opinião, o ex-governador de Goiás é “quem é de direita de verdade no Brasil”, disse.  “É um cara que nunca mudou. Agora, é difícil furar a bolha, porque o ‘bolsonarismo’ é muito forte”, acredita.

Para ele Caiado representaria a ‘credibilidade’ diante dos resultados a frente do governo goiano, e atrairia o segmento evangélico trazendo Michele Bolsonaro (PL) como sua candidata a vice. “Um cara coerente, mas eu acho difícil”, argumenta sobre sua preferência.



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