Dinamarca se diz pronta para defender cada centímetro da Groenlândia

Afirmação é feita após novas ameaças do presidente Donald Trump

| LUSA*


© Sebastian Elias Uth/ Reuters/ Proibido reprodução
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A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, reafirmou hoje (8) que a Groenlândia “não está à venda', após novas ameaças do presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump. Ela disse que está preparada para defender “cada centímetro' da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), incluindo a Groenlândia.

Ao chegar para o segundo dia da cúpula da Otan, que termina nesta quarta-feira em Ancara, capital da Turquia, a governante foi questionada pela imprensa sobre o fato de Trump ter voltado a insistir, no primeiro dia da reunião, que a Groenlândia, território autônomo da Dinamarca, deveria ser controlado por Washington, sugerindo novamente que pode retirar todas as tropas da Europa.

Mette Frederiksen reiterou que a Groenlândia “não está à venda' e disse esperar que “todos os aliados respeitem o direito do povo groenlandês à autodeterminação'.

“Somos um povo soberano e precisamos que todos respeitem a nossa integridade territorial', acrescentou.

Interrogada se a Dinamarca está preparada para defender militarmente a Groenlândia, caso seja necessário, ela respondeu que está preparada para defender cada centímetro da Otan, incluindo o seu território'.

Mette Frederiksen lembrou uma das razões pelas quais a Aliança Atlântica foi construída. 'Se algo acontecer a um de nós, todos devem defender os restantes', tal como está estabelecido no artigo 5º do Tratado da organização.

A primeira-ministra salientou que o artigo 5º aplica-se ao flanco leste da Otan, com a guerra que é travada na Ucrânia, serviu para os EUA nos ataques terroristas do 11 de setembro e servirá para a Groenlândia “se algo acontecer'.

A uma pergunta se acha que os EUA estão comprometidos com o artigo 5º, Mette respondeu: “Não ouvi que os EUA não estejam comprometidos'.

“Eu não seria capaz de assegurar o meu povo sem a Otan e acho que o mesmo serve para os EUA. É por causa da Otan que o nosso povo transatlântico pode estar em segurança e isso vai se manter no futuro', acrescentou.

A premiê começou sua declaração ao salientar que o mundo se tornou “mais inseguro' e é necessária uma Otan “mais forte'.

A governante considerou prioritário “rearmar a Europa', ter uma “base industrial mais forte no continente e transatlântica nos EUA', além de reforçar o apoio à Ucrânia.

“Penso que todos sabemos que são tempos difíceis e, por isso, a nossa união neste mundo é mais importante do que nunca', afirmou.

Antes, também à chegada, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, considerou que o mundo assiste a uma alteração nas responsabilidades da Aliança, com um reforço por parte de europeus e do Canadá.

Ele lembrou que essa mudança nos encargos assumidos no âmbito da Otan, com uma redução do investimento por parte dos EUA, também era defendida por Barack Obama e “é apropriada'.

Sobre os ataques norte-americanos a alvos iranianos, Carney apontou que o Irã tem agido de forma irresponsável e houve 'resposta apropriada'.

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