PF: Sanção dos EUA atrapalhou prisão de suspeito de elo com o PCC

Segundo Andrei Rodrigues, PF teve de antecipar para esta sexta a Operação Exchange, o que dificultou a localização do empresário Victor Shimada. Para as autoridades dos EUA, o empresário seria o 'elo-chave' entre membros do PCC na Flórida e traficantes internacionais.

| G1 / CAETANO TONET, VLADIMIR NETTO


Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF — Foto: Reprodução/Globo
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O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmou nesta sexta (3) que sanções dos EUA contra brasileiros forçaram a antecipação de operação contra rede ligada ao PCC.

A antecipação ocorreu na Operação Exchange, deflagrada nesta sexta-feira. Andrei declarou que o desfecho da ação policial poderia ter sido diferente sem o anúncio americano.

Policiais federais não localizaram o empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, que está foragido. Ele é suspeito de integrar rede de lavagem de dinheiro na Flórida.

A PF prendeu Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, também alvo de sanções dos EUA. Ela é apontada como parente e intermediária de Shimada nas operações financeiras.

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou nesta sexta-feira (3) que a sanção dos Estados Unidos imposta na última quarta-feira (1º) a pessoas e empresas brasileiras fez os policiais da corporação anteciparem a Operação Exchange, deflagrada nesta sexta contra suspeitos de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Segundo Andrei, o desfecho da operação desta sexta-feira poderia ter sido outro, caso a imposição da sanção pelos Estados Unidos não tivesse sido anunciada na quarta-feira.

Nesta sexta, os policiais foram às ruas, mas não localizaram o empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, que é considerado foragido da Justiça. Shimada é suspeito de integrar uma rede internacional de lavagem de dinheiro do PCC que tem sido investigada na Flórida.

Na Operação Exchange, os policiais conseguiram prender outra brasileira alvo de sanções dos EUA: Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira.

"[A sanção dos EUA] alterou a nossa ação. Houve uma antecipação. Mas, de fato, não houvesse essa designação, talvez o desfecho fosse outro, a gente teria localizado essa pessoa [Shimada], mas infelizmente não localizamos. Então, houve prejuízo à investigação", afirmou Andrei em um café com jornalistas na sede da PF em Brasília.

Shimada recebeu a punição dos EUA acusado de ligação com o PCC. Com a medida, os bens do empresário no país norte-americano ficam bloqueados, entre outras medidas.

➡️ Com as sanções, os bens nos Estados Unidos dos alvos são bloqueados e qualquer empresa que pertença, direta ou indiretamente, em 50% ou mais, às pessoas punidas, também será bloqueada. Entenda aqui o que acontece com pessoas e empresas alvos de sanções econômicas pelo governo dos EUA.

No comunicado, os EUA chamaram o empresário de "elo-chave entre membros do PCC na Flórida e traficantes internacionais" e o acusaram de:

lavar mais de US$ 30 milhões (cerca de R$ 156 milhões) em recursos ilícitos gerados em várias cidades dos EUA, utilizando criptomoedas para transferir valores de volta ao Brasil em nome do PCC;⁠envolver-se em outros crimes financeiros além da lavagem de dinheiro do tráfico.

As autoridades norte-americanas afirmaram que Stella Stefanie é parente de Shimada e atuou como a secretária dele e intermediária na coleta de grandes quantias em dinheiro, fornecendo serviços logísticos essenciais para as operações de lavagem da rede.

Desde que os Estados Unidos classificaram o PCC e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, o diretor-geral da PF tem defendido uma integração entre forças brasileiras e americanas no combate às organizações criminosas.

Operação Exchange

A PF fez nesta sexta uma operação para desarticular uma organização criminosa especializada na lavagem de dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas.

Ao todo, são 11 mandados de prisão temporária, e sete foram cumpridos até a última atualização desta reportagem.

Para despistar as autoridades, as investigações apontam que Stella Oliveira e Victor Shimada usavam apelidos: ele era "o Japa"; Stella, "Lara Croft". Segundo a acusação, Stella organizava a coleta do dinheiro, e Shimada era o elo com os traficantes ligados ao PCC no Brasil.

Outros 13 mandados de busca também foram expedidos, em endereços localizados na capital paulista, em Santos, em Praia Grande e em Santana de Parnaíba.

Também foi determinado judicialmente o sequestro de bens, valores e criptoativos dos investigados até o montante total de R$ 10,4 bilhões.

Segundo a PF, os investigados utilizavam um sistema estruturado para a movimentação de recursos, por meio de transferências ilícitas de criptoativos, transporte de valores, inclusive em espécie, operações bancárias de alto valor, repasses entre pessoas físicas e jurídicas e outras atividades financeiras.

Os envolvidos poderão, em tese, ser responsabilizados pelos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Em nota, Yuri Cruz, do escritório Marcelo Cruz Advocacia Criminal, que faz a defesa de Victor Shimada, informou que "tomou conhecimento, há instantes, da operação realizada pela Polícia Federal. Neste momento, entretanto, ainda não dispomos de acesso às decisões judiciais nem aos elementos que fundamentaram as medidas adotadas".

"Nesse contexto, qualquer manifestação sobre os fatos ou sobre o objeto da investigação seria precipitada. Tão logo tenha acesso aos autos e às informações oficiais, a defesa realizará a análise técnica do caso e adotará as medidas jurídicas que entender cabíveis", diz o comunicado.

Em entrevista à TV Tribuna, afiliada da Globo, Cruz disse ainda que Shimada é um dos alvos de prisão temporária e deve analisar a possibilidade de se entregar à polícia. “Isso passa também por uma decisão pessoal, mas é mais uma das hipóteses a serem avaliadas."



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