Frigorífico Aurora eleva abate para 5 mil suínos por dia em MS

Indústria investiu R$ 350 milhões na apliação de 60% em sua capacidade de abates na unidade de São Gabriel do Oeste. Inauguração ocorre nesta quinta-feira (2)

| CORREIO DO ESTADO / NERI KASPARY


Frigorífico está instalado às margens da BR-163, próximo da área urbana de São Gabriel do Oeste e a partir de agora vai empregar 3,6 mil pessoas
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Depois de investir em torno de R$ 350 milhões e abrir  950 novos empregos diretos em São Gabriel do Oeste,  o Frigorífico Aurora (FASGO) vai elevar em 60% sua capacidade de abate de suínos, passando das atuais 3,2 mil cabeças por dia para 5 mil suínos diariamente. 

Em operação há exatos 30 anos, o frigorífico estava gerando 2.650 empregos diretos e a partir da ampliação no número de abates passa a empregar 3,6 mil pessoas no município de 33 mil habitantes a cerca de 150 quilômetros ao norte de Campo Grande. 

A solenidade de inauguração desta ampliação está programada para ocorrer às 14 horas desta quinta-feira (2). O presidente da Aurora Coop – terceiro maior grupo brasileiro da proteína animal – Neivor Canton relata que a prioridade é aumentar a oferta de produtos processados para o mercado interno, como cozidos, defumados, frescais, presuntaria e hambúrgueres, entre outros. 

Mas, a indústria também também está habilitada para a exportação de cortes e miúdos de suínos para uma série de países, como Vietnã, Uruguai, Singapura, Paraguai, Moldávia, Hong Kong, Emirados Árabes e outros. 

“É fundamental investir na produção e lançar linhas de produtos inovadores, gerando valor para os nossos produtores rurais cooperados, colaboradores, clientes e consumidores, sem esquecer da gestão sustentável da cadeia produtiva”, ressalta Neivonor Canton.

De acordo com a assessoria da empresa, a ampliação da indústria de suínos permitirá aumentar a receita operacional bruta da unidade em R$ 733 milhões, de forma que totalizará R$ 2,399 bilhões ao ano.  Esse crescimento de 45%  repercutirá positivamente no centro-norte de Mato Grosso do Sul com o incremento do movimento econômico regional em mais R$ 237,5 milhões. 

Os preparativos para ampliação da indústria tiveram início em dezembro de 2022 e as obras de construção em julho de 2023. Apesar da inauguração desta quinta-feira, os trabalhos não estão totalmente concluídos.

A previsão de conclusão de todas as obras deve ocorrer em setembro. É que do evento desta quinta-feira deve participar o governador Eduardo Riedel (PP), que a partir do fim de semana terá restrição da Justiça Eleitoral para participar de determinadas agendas públicas. 

No pico da ampliação atuaram mais de 15 empresas e 250 operários. A unidade industrial tinha uma área construída de 38,6 mil metros quadrados, os quais foram  ampliados em mais 9,5 mil metros quadrados.. Os atuais 2.650 empregos diretos aumentarão para 3.600 postos de trabalho.

As ampliações consistiram na construção dos prédios para casa de motoristas, Serviço de Inspeção Federal (SIF), ambulatório SESMT, restaurante industrial, vestiários, sanitários, lavanderia, salas de treinamento, casa de máquinas e estação de tratamento de efluentes. 

Além disso, as obras contemplaram o frigorífico/indústria, com o aumento do abate e anexos, construção de novas câmaras de equalização, expansão da sala de cortes, ampliação dos industrializados, além de reformas e adequações internas.

Com o abate de 5.000 suínos/dia, à produção de industrializados e de produção in natura de carnes suínas serão acrescidas de mais 20 toneladas/dia de produtos de presuntaria; 36,3 toneladas/dia de produtos cozidos e defumados; 44,0 toneladas/dia de produtos frescais e 6,9 toneladas/dia de produtos de banha resultante da refinaria. Assim, a capacidade total de industrializados passa a 432 toneladas diárias.

A ampliação absorveu R$ 350 milhões investidos em três áreas: em máquinas e equipamentos (aproximadamente R$ 125 milhões), em construção civil (em torno de R$ 130 milhões) e em instalações industriais (montante de R$ 95 milhões). Além de recursos próprios, para suportar o desembolso, a Aurora Coop tomou financiamento via Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste.

Segundo a assessoria da Aurora, a partir de agora haverá migração do sistema atual de tratamento de efluentes composto por lagoas de estabilização para o novo sistema de lodos ativados. Essa mudança resultará em melhor qualidade dos efluentes a serem lançados no corpo hídrico e na diminuição expressiva nas emissões de CO2 (gases do efeito estufa).

Os suínos para atender ao aumento de quase 60% do abate serão provenientes de produtores rurais cooperados do sistema Suicooper III de diferentes regiões do Estado. 

As cooperativas filiadas com atuação na região também tiveram de investir em fábricas de rações, granjas de engorda e terminação, e principalmente em unidades produtoras de leitões, fazendo com que a maior parte dos suínos seja produzida localmente, restando apenas 10% do total de leitões para recria e engorda provenientes do sul do Brasil.

PLANO DE INVESTIMENTOS

No conjunto, a Aurora Coop investiu R$ 2,4 bilhões no último triênio, utilizados para a modernização e ampliação das unidades fabris e também para a aquisição de novas plantas industriais, visando manter a posição de terceiro maior grupo do setor. 

O plano de investimentos da Aurora Coop permitiu a alocação de R$ 939,1 milhões em 2023, R$ 580 milhões em 2024, R$ 885 milhões em 2025 e uma previsão de R$ 1,2 bilhões para 2026. 

Nesse período foram gerados mais de 10 mil empregos: a cooperativa saiu de quadro de colaboradores de 40.398, no final de 2022,  para mais de 52 mil, no final de abril de 2026.

SUINOCULTURA EM MS

Com o setor da suinocultura em larga expansão, Mato Grosso do Sul deixa de ser apenas um fornecedor de milho e soja para se consolidar como exportador de proteína animal.

Só neste ano foi registrado crescimento de 20% na produção de animais para abate. Além disso, existe previsão de ampliar em 36% o plantel de matrizes até 2027. 

Hojem, o Estado contabiliza 130 mil matrizes. Destas, 111,5 mil estão cadastradas no programa Leitão Vida. A meta do governo é de atingir 150 mil matrizes até 2027.

Dados do Boletim Econômico da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Sistema Famasul) mostram que, entre janeiro e maio deste ano, MS produziu 1,64 milhão de suínos destinados ao abate, alta de 19,4% em relação ao mesmo período de 2025.

No mercado externo, as exportações de carne suína in natura renderam US$ 22,5 milhões, crescimento de 57,6% na receita e de 60,7% no volume embarcado na comparação com o ano anterior.



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