Esportes
Na Copa dos Protagonistas, Haaland e Messi são mais eficazes que Mbappé
Norueguês brilha com um gol a cada 2,5 finalizações, mas grupo comandado por Matheus Cunha tenta acabar com festa dos "protas". Messi lidera ranking de eficiência por xG
| GLOBOESPORTE.COM / VALMIR STORTI
Na Copa do Mundo em que os protagonistas brilham a cada jogo colocando pressão uns sobre os outros, o norueguês Braut Haaland terminou a segunda rodada como o "prota" mais eficaz, com um gol marcado a cada 2,5 finalizações. Ele marcou quatro gols em dez conclusões em duas rodadas neste mundial.
Conhecido no futebol internacional apenas como Haaland, na Copa usa na camisa também o sobrenome da mãe, "Braut", uma iniciativa norueguesa que simboliza a igualdade de importância entre os gêneros. "Haaland" é o sobrenome herdado de seu pai.
Na segunda colocação no ranking de eficácia dos "protas" da Copa de 2026 está "Cuccittini Messi", que provavelmente seria como o argentino Leonel Messi se apresentaria se seguisse o exemplo de Haaland e usasse na camisa o sobrenome da mãe. Messi marcou cinco gols em 13 finalizações, com média de um gol a cada 2,6 tentativas.
"Prota" é como a geração que acompanha apenas sua segunda Copa do Mundo chama os "Farmadores de Aura", os protagonistas de qualquer importância, aqueles que iluminam o ambiente com seu brilho natural, como Messi ou Cristiano Ronaldo. Um dos papéis importantes do futebol é aproximar diferentes gerações para que tenham assuntos em comum para conversar, mesmo que os mais velhos não entendamos muito bem o que querem dizer com "prota" ou com "farmar aura".
Dos protagonistas desta Copa, o francês Mbappé aparece com a terceira maior eficácia ofensiva. Ele fez 12 finalizações e marcou quatro gols ou um gol a cada quatro tentativas.
Mal na rodada de estreia, o português Cristiano Ronaldo ainda está longe do aproveitamento dos grandes protagonistas, com dois gols marcados em oito finalizações ou um gol a cada quatro conclusões, à frente do inglês Harry Kane, que fez dois gols em nove finalizações ou um gol a cada 4,5 tentativas.
Candidatos a protagonistas
O topo da eficiência entre que fez pelo menos cinco finalizações nas duas primeiras rodadas, 40% das 13 finalizações feitas por Messi, o atleta que mais tentou o gol, tem um intruso candidato a protagonista: o marroquino Saibari, autor dos dois gols de sua seleção na Copa, está com média igual à de Haaland, um gol a cada 2,5 tentativas, já que fez cinco conclusões para conseguir seus dois gols.
Mas há outros candidatos a roubar a cena dos protas: o brasileiro Matheus Cunha lidera um seleto grupo que tem dois gols em duas finalizações. Com os holandeses Summerville e Brobbey e o japonês Kamada, formam um grupo à parte de eficácia absoluta.
O quarteto forma um ranking à parte porque à medida que os atletas finalizam mais, fica muito difícil manter a eficácia absoluta, embora nós vamos torcer muito para Matheus Cunha fazer 20 finalizações e 20 gols nesta Copa. Que o sonho seja eterno enquanto dure.
Se quiser se aprofundar no assunto
Além da eficácia em finalizações por gol feito o uso de projeções estatísticas permite organizar os desempenhos pela eficiência do nível de ameaça dos atletas. Entra então a comparação por eficiência acima do esperado, que considera quantos gols cada um fez acima da "expectativa de gol" (xG), cálculo elaborado pelo economista Bruno Imaizumi a partir de dados coletados pela equipe do Gato Mestre.
Neste caso, o ranking mede quantos gols cada atleta conseguiu fazer a mais do que o esperado a partir das finalizações feitas pela média de seus adversários. Passam a ser consideradas as características de contexto de cada finalização feita, como distância, ângulo e o número de adversários entre a bola e o gol, entre várias outras características, como se uma finalização é feita com o "pé bom", o "pé ruim" ou se de cabeça, se é um contra-ataque rasteiro ou uma jogada aérea, o tempo de jogo e o placar de momento, por exemplo, ou seja, se quem faz a finalização está pressionado por um placar adverso nos últimos minutos de jogo ou se está tranquilo porque sua seleção já está goleando no início do segundo tempo. São muitas variáveis.
Consideradas as tais variáveis, o argentino Leonel Messi aparece como o atleta mais eficiente deste início de Copa. Se tivessem sido feitas pela média de jogadores de sua posição, as características de suas 13 finalizações teriam um nível de ameaça com potencial estatístico para virarem 2,7 gols.
Ou seja, pegando o que fizeram todos os atacantes das 48 seleções em lances semelhantes aos concluídos por Messi, essas 13 finalizações virariam entre dois e três gols. Só que Messi transformou essas finalizações em cinco gols sendo mais eficiente do que a média geral em 2,3 gols, o que o torna Messi.
Nesse ranking, o francês Mbappé é o segundo atleta mais eficiente da Copa. Na média das capacidades dos atacantes desta Copa, incluído aí Alemanha, Brasil, Curaçao e Cabo Verde e todos os outros países classificados, as 12 finalizações feitas por Mbappé teriam potencial para virarem entre um e dois gols, estatisticamente 1,89 gol, mas Mbappé fez quatro sendo mais eficiente do que a média em 2,11 gols.
Por essa medição, consagrada internacionalmente por quem analisa futebol, Vini Jr. está com a quarta maior eficiência na Copa. Suas quatro finalizações tinham potencial para virar 0,23 gol, mas ele fez dois gols sendo mais eficiente do que a média em 1,77 gol, quarta melhor marca da Copa.
Se considerados apenas os atletas com mais de cinco finalizações, aqueles 40% de quem fez mais, um padrão desde o início dos trabalhos da equipe do Gato Mestre, Haaland apareceria na oitava colocação. Suas dez conclusões tinham potencial para 2,93 gols e ele fez quatro, sendo mais eficiente do que o esperado em 1,07 gol.
Veja abaixo o ranking por xG.
Metodologia
A projeção parte de uma combinação de parâmetros de ataque e defesa que o modelo usa para estimar, jogo a jogo, as probabilidades de cada resultado ocorrer e, consequentemente, as chances de cada seleção avançar no torneio.
O modelo empregado nas análises segue uma distribuição estatística chamada Poisson Bivariada, que calcula as probabilidades de eventos (no caso, os gols de cada equipe) acontecerem dentro de um certo intervalo de tempo (o jogo). Para chegar às previsões de cada resultado, foi empregado o método de Monte Carlo, que basicamente se baseia em simulações massivas para gerar resultados. O estudo foi desenvolvido a partir de dados de diversas fontes como Globo, FIFA, Opta, Transfermarkt e FBref.
Pontos destacados de algumas seleções consideram o xG, a expectativa de gol, aqui tratado como nível de ameaça imposto aos adversários. As métricas de xG, consagradas internacionalmente na análise do futebol, consideram as características de cada finalização, como distância, ângulo e número de adversários entre a bola e a linha do gol, entre muitas outras características. De cada cem finalizações da meia-lua, sete acabam virando gol, por exemplo. Assim, uma finalização desse local tem expectativa de 7% de virar gol, registrado como 0,07 xG. Cada finalização tem um potencial consideradas suas características, e o potencial de cada uma é somado para determinar o nível de ameaça imposto pelas equipes em cada partida.
*A equipe do Gato Mestre é formada pelos jornalistas Arthur Sandes, Davi Barros, Felipe Tavares, Guilherme Maniaudet, Gustavo Figueiredo, Leandro Silva, Lorrayne Vieira (estagiária), Roberto Maleson, Rodrigo Breves e Valmir Storti, pelos cientistas de dados Bruno Benício e Vitor Patalano e pelo programador Gusthavo Macedo.
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