Bruno Guimarães cita Messi e CR7 para explicar reverência a Neymar: "Você quer ganhar com os ídolos"

Meio-campista afirma que coro pela convocação do camisa 10 não significa omissão de responsabilidade; ao ge, ele conta como usou frustração em 2022 como combustível para esta Copa

| GLOBOESPORTE.COM / BRUNO CASSUCCI E CAHê MOTA


Bruno Guimarães e Neymar conversam durante pausa em Brasil x Marrocos — Foto: Jean Catuffe/Getty Images
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A Copa do Mundo de 2022 foi frustrante para Bruno Guimarães - e não apenas pela forma como o Brasil foi eliminado para a Croácia. Exigente consigo mesmo, o meio-campista se decepcionou com seu rendimento, mas usou esse sentimento como combustível para dar a volta por cima. Com mais maturidade e protagonismo na Seleção, ele se vê diferente dentro e fora de campo.

– Parece que passaram dez anos em quatro – afirmou Bruno, ao ge.

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Aos 28 anos e sendo o jogador com mais partidas pela Seleção no ciclo de Copa, Bruno Guimarães não se esquiva do papel de liderança. Até por isso faz questão de destacar que a reverência que ele e outros convocados fazem a Neymar em nada tem a ver com omissão de responsabilidade.

Para explicar por que tantos jogadores deram declarações públicas de que torciam pela convocação do atacante do Santos para a Copa, Bruno Guimarães fez um paralelo com outros craques e o que eles representam para suas seleções:

– O Neymar é um ídolo para todos da nossa geração, dos mais novos. A gente cresceu assistindo aquele Santos jogar, e os mais novos assistindo ao Barcelona, ao PSG. É uma referência de liderança também, do nosso país é o principal jogador. Já representou muito para o nosso país. Para mim, não tem nada a ver com não assumir a liderança. Se você perguntar para todos os jogadores da Argentina eles vão falar do Messi, assim como a gente vai falar do Neymar – argumentou.

– É muito mais fácil falar que a gente não se garante, mas não tem nada a ver. A gente admira muito o trabalho do Neymar, tudo o que ele fez, é uma referência técnica para todos. Assim como você perguntar para os jogadores argentinos eles vão falar do Messi e, em Portugal, eu estava até vendo uma entrevista e todo mundo fala que quer ter o Cristiano Ronaldo. Então isso não quer dizer que você não assuma a responsabilidade, você só quer ganhar com os seus ídolos – completou Bruno, em entrevista gravada antes mesmo da convocação do Brasil para a Copa.

Neste papo, Bruno também fala seu momento de carreira, como Ancelotti aumentou a confiança dele e as possibilidades do Brasil conquistar o hexacampeonato. Confira abaixo:

Em 2022, no Catar, você tinha outro status, ainda não era titular, mas deu para ver como você sentiu a eliminação nas quartas de final. O que trouxe daquela derrota como lição para 2026? – Foi um aprendizado essa Copa do Mundo para mim, a minha primeira. Óbvio que foi a maior realização da minha vida ter sido convocado para a minha primeira Copa. Coloquei toda a angústia e todo o sentimento que negativo que tive e transformei em trabalho. Acho que eu melhorei muito de uma Copa para outra, evoluí em muitos aspectos do meu jogo.

– Me fortaleceu tudo o que eu passei na outra Copa. Obviamente, fiquei muito frustrado, principalmente depois do jogo de Camarões, quando eu entrei e não consegui desempenhar meu melhor futebol. Apesar do primeiro jogo que eu entrei, em que achei que joguei bem. Mas trabalhei e transformei essa dor em coisas boas em sentimentos bons de evoluir no meu jogo e me sinto pronto para ir de novo.

O que mudou no Bruno como jogador e como pessoa neste período de três anos e meio entre as duas Copas? – Muita coisa mudou em quatro anos. Parece que passaram dez anos em quatro para ser sincero. Na minha vida pessoal, sou pai dois filhos, já casado, e na vida profissional mudamos o patamar do Newcastle, me tornei um dos maiores ídolos do clube. Amadureci bastante. Estou muito feliz sou, muito mais experiente. Acho que eu me cobrava muito há quatro anos atrás com coisas que hoje não aborrecem mais a minha cabeça. Então me sinto no momento muito bom. Eu com 28 anos estou chegando no momento... acho que é o auge da carreira de um jogador entre os 28 aos 30 ali. Então estou chegando muito bem para esse momento e quero poder aproveitar ao máximo vestir a camisa da seleção nessa Copa do Mundo.

Ainda falando sobre o que ficou de 2022, é melhor esquecer aquela derrota para a Croácia ou relembrar os erros cometidos para que eles não se repitam? – Acho que essa casca que a gente ganhou com isso é fundamental para que a gente não cometa os mesmos erros. Se (o jogo) fosse um dia depois, a gente tentaria matar aquela jogada de uma forma, fazer uma falta, parar o jogo, fazer uma cera maior ou até colocar um zagueiro no lugar do atacante para defender. Muita coisa poderia ter sido feita. Pelas Eliminatórias que a gente fez com o Tite, invictos, sempre muito bem, a expectativa naquela Copa era muito grande. Mas serviu para ganhar casca, serviu para aprender com os nossos erros. É um momento diferente na carreira de todo mundo, não tem como comparar uma Copa com a outra, é outro ciclo, mas eu acho dá para aprender com uns quatro minutos que faltavam.

Ancelotti te valoriza muito publicamente. Como vê seu papel hoje na Seleção? – Me sinto lisonjeado de trabalhar com um cara desse, que ganhou tudo. Desde a primeira convocação, quando a gente conversou a primeira vez, eu já senti que eu seria importante para ele. Na conversa que a gente teve... acho que nenhum outro treinador chegou e teve essa conversa comigo. Talvez o Diniz, por a gente se conhecer de outros tempos (no Osasco Audax), mas o Diniz tem um jeito dele diferente de jogar. O Ancelotti conversou de um jeito que me fez sentir importante, até de em reuniões ele me colocar como um dos líderes do grupo, me fez eu querer ainda mais, querer ser importante.

– Se você pegar meu nível de importância da última Copa para essa são outros níveis de cobrança. Acho que é importante para mim. Me sinto lisonjeado por um cara que ganhou tudo ter me dado esse voto de confiança e espero desempenhar meu melhor futebol. Acho que essa minha temporada foi muito boa, minha temporada com mais gols, muitas participações em gols na Premier League. Então eu me sinto pronto, me sinto preparado para desempenhar um bom futebol e corresponder à altura da expectativa da seleção e do treinador, que me está me dando muita confiança.

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Você falou sobre seu número de gols nessa temporada. A que atribui esse bom desempenho? – Cara, eu acho que eu tenho chutado melhor. Para ser sincero, tenho acertado mais o gol. Eu trabalho com o pessoal da Performance Sport, que é a análise de desempenho, e eles comprovaram isso com os números. Essa é a temporada que eu mais acertei o gol. Acertando mais o gol, mais chances de fazer gol você tem. E acho que eu tenho sido também muito eficiente do jeito que eu venho chutando. Espero que isso continue assim, claro que às vezes você está bem posicionado, na hora certa e no momento certo, mas me sinto mais experiente, talvez nem gastando tanta energia quanto o Bruno de anos atrás gastava para estar melhor e mais equilibrado para chutar, não estar tão cansado no momento da finalização.

O futebol de seleções parece cada vez mais nivelado. Em que condições chega o Brasil na Copa? E é possível fazer um jogo reativo, apostando mais em contra-ataques, ou a Seleção precisa ser sempre protagonista? – Eu acho que a questão do favoritismo é mais importante pra quem está fora do que pra quem é de dentro, né? Pra ser sincero, eu acho que a Argentina não era favorita na Copa passada, estreou até perdendo, muita gente dizia que a Argentina ia ser eliminada, que seria o maior fracasso, e foram campeões do mundo. Claro que foi um trabalho, um ciclo diferente, né? Por muitas trocas de treinadores, muitas coisas aconteceram.

– Desde que o Ancelotti assumiu, a gente jogou em diversos esquemas. Teve jogos que a gente esperou para contra-atacar mais, jogos que a gente teve a bola, que tentou criar. Vai depender muito do estilo de jogo e do que a gente vai querer para aquele momento. A gente sabe que com os jogadores que a gente, rápidos, que podem no contra-ataque, às vezes você tem que jogar uma isquinha, baixar um pouquinho (as linhas de marcação), para você ter o campo para correr também. Porque muitas vezes a gente vai jogar contra equipes que só ficam em bloco baixo e querem um contra-ataque. Às vezes a gente pode fazer isso também, acho que o Ancelotti tem esse entendimento. Se eu não me engano, até o gol contra a Croácia (em amistoso em março) sai assim. É um escanteio (do adversário), que gera uma transição rápida, do Cunha para o Vini no espaço e dali as coisas aconteceram. A Copa é muito dinâmica, não dá para querer ser só um time, você tem que ser vários times dentro de um time só. E nisso o Mister é o melhor que nós temos para poder ter essa variação de jogadas.



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