Ministério da Saúde suspende vacina da dengue do Butantan após reações graves sob investigação

Aplicação do imunizante foi interrompida temporariamente depois do registro de 42 eventos severos, incluindo duas mortes suspeitas

| A CRíTICA


Ministério da Saúde suspendeu temporariamente a aplicação da vacina da dengue do Butantan após reações graves em investigação. (Foto: Foto: Instituto Butantan/ Divulgação)
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O Ministério da Saúde suspendeu temporariamente, a partir desta segunda-feira, 8 de junho, a aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. A medida foi anunciada em coletiva com participação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do diretor do instituto, após o registro de 42 reações severas possivelmente associadas ao imunizante, entre elas duas mortes suspeitas que ainda estão sob investigação.

Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a decisão segue os protocolos de segurança do Programa Nacional de Imunizações e foi tomada como medida de precaução. Ele afirmou que, até agora, não há dados suficientes para estabelecer relação de causa e efeito entre a vacina e os casos graves registrados, mas que o cenário acendeu um sinal de alerta e exige análise mais aprofundada.

Desenvolvida pelo Butantan, a vacina é a primeira do mundo contra a dengue aplicada em dose única e a primeira totalmente brasileira. O imunizante recebeu registro da Anvisa em dezembro de 2025 e começou a ser usado pelo SUS neste ano, com foco inicial em profissionais de saúde.

De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 500 mil doses já foram aplicadas. Os eventos graves identificados agora não haviam aparecido nos estudos clínicos que embasaram a aprovação da vacina. A pesquisa envolveu cerca de 16 mil pessoas e apontou eficácia e segurança do produto, com resultados publicados em revista científica internacional.

A orientação do governo é para que pessoas vacinadas nos últimos 21 dias procurem uma unidade de saúde para acompanhamento e observação de possíveis reações adversas. A suspensão, segundo a pasta, é temporária e permanecerá em vigor até a conclusão de novas análises sobre os casos.

Durante a coletiva, Padilha afirmou que a interrupção reforça o compromisso do programa de imunização com a segurança da população e com decisões baseadas em evidências científicas. O ministro também destacou o papel do Butantan na produção nacional de vacinas e disse que o Brasil tem ampliado sua capacidade de inovação no setor.

Ao comentar o cenário da dengue no país, Padilha disse que a doença segue como uma das principais emergências sanitárias do Brasil. Segundo o ministério, houve queda de 92% nos casos nos cinco primeiros meses de 2026 na comparação com o mesmo período de 2024, embora 178 mortes pela doença já tenham sido registradas neste ano.

O Ministério da Saúde e o Instituto Butantan ainda devem divulgar novas informações sobre a investigação das reações adversas e os critérios que vão definir quando, e em que condições, a vacinação poderá ser retomada.



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