Brasil/Mundo
Professores concursados vivem de 'promessas' e cobram convocação em Campo Grande
Vagas destinadas a aprovados em concurso estariam sendo ocupadas de forma irregular e Semed é acusada de 'esconder' vagas
| TOP MíDIA NEWS/CAROL RAMPI
Professores da Rede Municipal de Ensino de Campo Grande cobram pela convocação prometida desde 2024, data do último concurso realizado para docentes na Capital. Segundo eles, o concurso vence este ano, porém, após pressões da categoria, ele foi prorrogado, mas, até o momento, os aprovados não foram chamados.
Uma docente que não quis se identificar, com medo de represálias, disse à reportagem do TopMídiaNews que os aprovados “estão perdendo as esperanças” de serem chamados, já que todo mês surge a promessa de convocação por parte da Semed (Secretaria Municipal de Educação).
“Na cabeça da nossa gestora municipal não há vagas puras para os professores, o que é uma mentira deslavada, porque, se você entrar no site da Semed e olhar a lista com o quadro de vagas, verá o tanto de vagas puras disponíveis. Essas vagas puras têm que ser ocupadas por professores concursados”, explica.
As ‘vagas puras’ citadas pela professora são vagas destinadas para aprovados em concurso; as ‘vagas asseguradas’ são cargos que já possuem um servidor lotado. Entretanto, segundo ela, as vagas puras não estão sendo ocupadas de forma correta.
“O certo seria que as vagas puras fossem preenchidas por quem passou no concurso. Mas, na verdade, estão sendo preenchidas por quem fez prova de processo seletivo. Ou seja: uma vaga que é para ser destinada a um servidor efetivo (concurso público) está sendo ocupada por um servidor temporário (processo seletivo)”.
As lotações são feitas por meio de ligação, em que o órgão central contata o professor e oferece a vaga, conforme uma lista de unidades disponíveis, vagas por período e ranking de classificação. Entretanto, a lista disponibilizada pela Semed mostra a disponibilidade de vagas, mas há tempos não ocorre a convocação. “A questão que fica é: se há professores aprovados no concurso, aguardando na fila por essas vagas, como a Semed afirma que elas não existem? Ao mesmo tempo, a gestão pública permite que essas mesmas vagas sejam ocupadas por profissionais contratados via processo seletivo, que não fizeram ou não passaram no concurso. Isso é incoerente”, destaca a denunciante. Cabe destacar que muitos professores que estão dando aula em caráter temporário, passaram no concurso e estão aguardando a convocação. “Entendemos que o processo seletivo é importante e tem que acontecer. Só que a gente defende que se tem vaga pura, que são vagas para concursados, tem que chamar os professores que passaram, que estão esperando para assumir essa vaga. Se sobrar vaga, chama do processo seletivo. E quem passou no processo seletivo sabe que é para cobrir uma licença médica, um atestado, um afastamento, uma sedência, algo do tipo. E não para ficar nessas vagas, de fato. O que, na prática, não está acontecendo”. A espera pela convocação é motivo de angústia para a categoria, que está apreensiva com a situação, além de questões envolvendo o reajuste. “Nós estamos sendo enrolados e ainda levando calote com os nossos reajustes, que estão sendo cada vez mais reparcelados. Não sabemos mais o que fazer”.
No início deste mês, o TopMídiaNews publicou reportagem mostrando que mais de mil vagas puras, em diferentes áreas, estariam sendo ocupadas por temporários. Entre os números apontados estão 133 vagas em Língua Portuguesa, 106 em Língua Inglesa, 103 em História, 113 em Geografia, 100 em Ciências, 273 em Arte, 312 em Educação Física, 195 em Educação Infantil e 302 em Anos Iniciais.
A reportagem entrou em contato com a Semed, mas, até o fechamento desta matéria, não obteve resposta. O espaço segue aberto para futuras manifestações.
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