Dourados
Em 24 horas, Dourados registra mais de 800 casos prováveis de chikungunya
Dourados contabiliza 1,7 mil casos confirmados e sete mortes por chikungunya em 2026
| FáTIMA NEWS/MIDIAMAX
Com mais de 800 novos casos prováveis registrados em 24 horas, a chikungunya segue em alta em Dourados, município que enfrenta o pior cenário da doença em Mato Grosso do Sul. Nesta quarta-feira (15), o número de casos confirmados chegou a 1.710, com sete mortes já registradas.
Desde o início do ano, Dourados contabiliza 4.492 casos prováveis. Destes, 2.782 seguem em investigação e 609 foram descartados, totalizando 5.303 notificações. Em todo o Estado, são 11 mortes e 5.256 casos prováveis.
Nos últimos dias, também houve aumento no número de internações. Atualmente, o município registra 46 pacientes hospitalizados com suspeita ou confirmação da doença. Já a taxa de positividade caiu para 67,8%, o que indica que a maioria das pessoas com sintomas testadas tem diagnóstico confirmado para chikungunya.
Sete mortes confirmadas e três em investigação
Força Nacional do SUS (Edjalma Borges/Ministério da Saúde)
Na terça-feira (14), foi confirmada a sétima morte por chikungunya em Dourados e a 11ª no Estado. A vítima era um homem indígena, de 77 anos, que apresentou os primeiros sintomas em 10 de fevereiro e morreu no dia 14 de março. Ele tinha diagnóstico de câncer, condição que pode agravar o quadro clínico.
A confirmação da causa da morte ocorreu apenas nesta terça-feira (14), após a divulgação dos resultados de exames realizados pelo Lacen (Laboratório Central de Saúde Pública).
Entre as demais vítimas, seis são indígenas de Dourados, duas eram moradoras de Jardim e outras duas viviam em Bonito e Fátima do Sul. Outros cinco óbitos seguem em investigação pela SES-MS (Secretaria Estadual de Saúde), sendo três de Dourados.
Na cidade, os casos ainda em análise incluem uma criança de 12 anos, que apresentou os primeiros sintomas em 28 de fevereiro, e uma menina de 10 anos, que iniciou os sintomas em 28 de março e morreu no dia 7 de abril.
O óbito mais recente ocorreu em 13 de abril — uma mulher negra, de 63 anos, que apresentou os primeiros sintomas em 7 de abril e possuía comorbidades.
85% dos casos atingem indígenas em Dourados
Dourados abriga a maior reserva indígena urbana do Brasil, com mais de 20 mil habitantes. Nas aldeias Jaguapiru e Bororó, já foram confirmados 1.461 casos de chikungunya, o que representa cerca de 85% do total registrado no município.
Além das confirmações, os territórios indígenas somam 2.012 casos prováveis, 545 ainda em investigação, e 399 atendimentos hospitalares. Entre os indígenas, também estão todas as sete mortes já confirmadas pela doença, além de duas das três que seguem em investigação.
MS concentra 61% das mortes
Mato Grosso do Sul ainda lidera todos os números relacionados à chikungunya, em comparação com os outros estados do país.
Com 179,7 casos por 100 mil habitantes, a incidência no Estado é 14 vezes maior que a média nacional, de 12,7. O Estado lidera o ranking de incidência desde o início do ano, seguido de Goiás (101,9), Rondônia (33,9), Minas Gerais (33,4), Mato Grosso (19,2), Tocantins (17,7) e Rio Grande do Norte (12,7).
Em todo o Brasil, são 18 mortes confirmadas, 11 apenas em Mato Grosso do Sul — ou seja, 61% das mortes estão concentradas no Estado.
Além disso, o Brasil tem 27.124 casos prováveis de chikungunya, sendo 5.256 deles no Estado. Assim, Mato Grosso do Sul representa 19,37% do total nacional de casos prováveis.
O que é a chikungunya
Mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya. (Foto: Arquivo Midiamax)
A chikungunya é uma arbovirose causada pelo vírus CHIKV e transmitida pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti infectada. O vírus foi introduzido nas Américas em 2013, quando provocou epidemias em diversos países.
Os sintomas são semelhantes aos da dengue, mas costumam ser mais intensos e duradouros. Febre alta e dores articulares marcantes são características da doença, podendo persistir por mais de 15 dias. Em mais da metade dos casos, as dores nas articulações podem se tornar crônicas e durar anos.
Além disso, a doença pode provocar complicações cardiovasculares, renais, dermatológicas e neurológicas, incluindo encefalite, mielite, síndrome de Guillain-Barré e outras condições graves. Em casos mais severos, pode haver necessidade de internação e risco de morte.
Diante de sintomas, a recomendação é procurar atendimento médico para diagnóstico adequado. Os exames laboratoriais e testes diagnósticos estão disponíveis pelo SUS (Sistema Único de Saúde).
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