Economia
Confira quais são as perspectivas para a economia em 2022
Economistas apontam que a aceleração da vacinação é o único caminho para a retomada das atividades
| CORREIO DO ESTADO / RAFAELA MOREIRA
Ao chegarmos quase na metade do ano, a pandemia da Covid-19 segue influenciando diretamente na economia do país. Para 2022, economistas ouvidos pelo Correio do Estado defendem que a aceleração da vacinação deve impactar positivamente a retomada da economia estadual.
De acordo com levantamento realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), mais de 32% dos trabalhadores viram sua renda diminuir e 14% perderam totalmente a renda nos últimos 12 meses. Apenas 10% registraram aumento.
Diante do atual cenário, 71% da população afirma ter reduzido os gastos desde o início da pandemia. Desses, 30% perderam parte ou toda a renda e 38% se dizem inseguros com o futuro.
Para o doutor em Economia e professor da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) Mateus Abrita, saúde e economia andam juntas e devem ser prioridades para a retomada do crescimento.
“Dicotomia entre saúde ou economia é uma falsa dicotomia, as duas coisas andam juntas. O ideal é que o ritmo de vacinação ganhe mais agilidade, para termos uma recuperação econômica sustentada, ou seja, que se mantenha no tempo, sem abre e fecha só ocorre com controle da pandemia', destacou.
Com o agravamento da pandemia, Mato Grosso do Sul tem registrado superlotação dos hospitais e recorde de casos confirmados. O Estado contabiliza 289 mil infecções pela doença e 6.791 mortes foram confirmadas desde o início da crise sanitária.
“A economia mundial teve uma destruição de riqueza muito grande por conta da pandemia. A expectativa é que com a vacinação em massa e com o apoio multilateral para resolver o problema em todo mundo, devemos ajudar aos países pobres, possibilitando uma recuperação econômica mais robusta da economia global', apontou Abrita.
Para o próximo ano, a expectativa para Produto Interno Bruto (PIB) - a soma de todos os bens e serviços produzidos no país - é de crescimento de 2,38%, de acordo com o Banco Central (BC). Em 2023 e 2024, o mercado financeiro projeta expansão do PIB em 2,5%.
O doutor e economista Michel Constantino defende que a economia de Mato Grosso do Sul tem apresentado sinais de melhora e que a imunização contribuirá para a retomada de setores que tiveram que se adaptar às medidas de restrições.
“A economia já vem apresentando sinais muito positivos de crescimento, mesmo dentro da pandemia e devemos crescer mais com a aceleração da vacinação e principalmente porque os empresários conseguiram adaptar seus negócios para atender de forma segura na pandemia', apontou.
Com aumentos nos preços da gasolina e alimentos essenciais da cesta básica, como arroz, feijão e óleo de soja, tem pesado no bolso do campo-grandense nos últimos meses.
O reajuste no preço dos combustíveis, principalmente o etanol e a gasolina, que tiveram alta de 17,58% e 11,5%, respectivamente, impulsionaram a inflação em Campo Grande.
Em quatro meses do ano, a gasolina passou por oito aumentos, que já acumula alta de 43,47%.
A alta elevada também foi registrada também em alimentos básicos, o arroz chega a custar R$ 40 nos supermercados. O feijão, dependendo do tipo, subiu mais de 30% no último ano, segundo dados da inflação oficial.
Michel Constantino explica que os preços elevados devem continuar em 2022 devido a outros fatores influenciaram no aumento dos preços em diferentes setores, como por exemplo, a disparada do dólar.
“Esse aumento deve continuar, em 2022 ainda teremos efeito do dólar alto, da falta de insumos para produção, e da maior demanda por alimentos em todos países do mundo', disse.
Já o economista Mateus Abrita destaca que a diminuição do custo de vida está associada ao controle total da pandemia.
'A queda do custo depende do controle da pandemia, só assim poderemos caminhar para uma recuperação gradual, contudo se um recrudescimento ocorrer, certamente o desafio será grande', alegou.
Pelo quarto mês consecutivo, Mato Grosso do Sul registrou saldo positivo na geração de empregos formais, conforme os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) na última semana.
Nos quatro primeiros meses deste ano, o Estado registrou 91.070 contratações e 70.918 desligamentos, resultando em saldo de 20.152 postos formais.
O economista Marcos Rezende aponta que esse crescimento deve continuar em 2022, principalmente, entre os setores do agronegócio e comércio e serviços.
Conforme os dados do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Fecomércio-MS (IPF-MS), mais de 70% dos trabalhadores do Estado estão no comércio de bens e serviços. Em abril do ano passado, MS registrou o pior resultado do ano, com saldo de -8.244 demissões.
“Em comparação com o mesmo período do ano passado, tivemos um saldo positivo de oportunidades de empregos, o que sinaliza que estamos apresentando algum tipo de reação na economia. A expectativa é que esse desenvolvimento continue e aumente cada vez para o ano que vem', afirmou.
Para Rezende, o agronegócio também deve continuar fomentando a economia em 2022, o que reflete no desenvolvimento econômico estadual e nacional.
“O bom desempenho da agricultura, assim como os demais setores do agronegócio, tem impulsionado fortemente a economia do Estado gerando empregos, renda e crescimento, esse desenvolvimento certamente continuará a gerar bons indicadores para Mato Grosso do Sul'', pontuou.
Em 2020, as exportações somaram US$ 5,462 bilhões, 4,6% a mais que o total enviado ao exterior nos 12 meses de 2019, quando foram negociados US$ 5,217 bilhões – diferença de US$ 245 milhões ou R$ 1,2 bilhão.
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