Vigilante morto em confronto com indígenas trabalhava há uma semana em fazenda

Polícia Federal investiga se morte de Lucas da Silva tem ligação com homicídio do indígena Vicente Vilhalva

| CLARA FARIAS / CAMPO GRANDE NEWS


Lucas Fernando da Silva morreu aos 23 anos, em Iguatemi (Foto: Direto das Ruas)
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O vigilante, Lucas Fernando da Silva, 23 anos, que morreu durante confronto com indígenas na retomada Pyelito Kue neste domingo (16), estava trabalhando em Mato Grosso do Sul há uma semana. O conflito aconteceu em Iguatemi, a cerca de 400 quilômetros de Campo Grande, e, além de vitimar Lucas, também matou o indígena Vicente Fernandes Vilhalva, de 36 anos.

Conforme apurou a reportagem, o jovem era natural de Cascavel, era terceirizado por uma empresa de segurança privada e fazia a segurança de trabalhadores da fazenda desde 8 de novembro. Quando o confronto começou, o rapaz estava na sede da fazenda. A Tavares Segurança publicou uma nota de esclarecimento.

'Todas as circunstâncias estão sendo apuradas pelas autoridades competentes, às quais a empresa está prestando total apoio e colaboração', diz um dos trechos do comunicado. Ainda segundo a empresa de vigilância, informações oficiais só serão divulgadas após a conclusão das investigações.

Conforme informações, Lucas costumava registrar os momentos trabalhados, inclusive teria filmado parte do conflito. O aparelho foi entregue às forças policiais para investigação. O rapaz está sendo velado em Cascavel, a cerca de 220 quilômetros de Iguatemi.

Em nota, a Sejusp (Secretaria de Justiça e Segurança Pública) de Mato Grosso do Sul afirmou que o vigilante Lucas Fernando da Silva morreu por ruptura hepática e choque hemorrágico, que podem ocorrer por trauma abdominal, como acidentes de carro ou quedas.

Ainda conforme a pasta, a bala que matou Vicente Fernandes Vilhalva saiu da arma que era portada por outro indígena, Valdecir Alonso Brites. O homem foi preso em flagrante e encaminhado para a Delegacia de Polícia Federal em Naviraí.

Segundo a Polícia Federal, ainda é investigado se a morte de Lucas tem relação com o homicídio do indígena.

Na tarde desta segunda-feira (17), a Justiça Federal proibiu as forças policiais estaduais de atuarem na área de retomada Pyelito Kue em Iguatemi. A decisão ocorre um dia após o conflito que vitimou dois homens. O juiz fixou multa de R$ 1 milhão em caso de descumprimento.

Em 7 de novembro, a comunidade indígena havia solicitado liminar para impedir a atuação da Polícia Militar na área. Naquele momento, porém, o pedido foi negado para que o Estado fosse ouvido e prestasse informações. Após as manifestações do Governo do Estado, do Ministério Público Federal e da Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas), o magistrado reavaliou o caso e concedeu a tutela de urgência nesta segunda-feira.

A área em disputa integra parte da Terra Indígena Iguatemipeguá, cuja identificação e delimitação já constam em relatório da Funai. A região, que abrange quatro municípios do sul de Mato Grosso do Sul, enfrenta conflitos fundiários há anos.

Os indígenas passaram a retomar o território em 3 de novembro deste ano, sendo que no dia seguinte, foram registrados ataques por fazendeiros, conforme o Cimi (Conselho Indigenista Missionário).



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