Ministra quer perícia independente após reunião com famílias no Rio

Macaé Evaristo classificou a ação como um "fracasso"

| ISABELA VIEIRA - REPóRTER DA AGêNCIA BRASIL


© Tânia Rêgo/Agência Brasil
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A ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, classificou hoje (30) como 'um fracasso' a operação policial nos complexos da Penha e do Alemão, no início da semana, e que deixou ao menos 121 pessoas mortas. Ela disse que está empenhada em garantir uma perícia independente para averiguar as circunstâncias dos assassinatos na ação. 

 A fala da ministra contrasta com a declaração do governador Cláudio Castro que, nesta quarta-feira (29) classificou a Operação Contenção como um 'sucesso'.

'A gente teve uma demanda da comunidade de estabelecer a perícia independente e autônoma. Nosso Conselho Nacional de Direitos Humanos já nos comunicou sobre isso e estamos trabalhando para que isso se efetive', afirmou à imprensa, após encontro de mais de duas horas com lideranças da comunidade e familiares das vitimas da Operação Contenção.

A Operação Contenção, das polícia Civil e Militar, tinha a intenção de combater o tráfico de drogas e enfrentar a expansão da facção Comando Vermelho pelo país. Além das 121 pessoa mortas, incluindo quatro policiais, 80 pessoas foram presas. A polícia também apreendeu 118 armas e drogas. 

Devido à alta letalidade, no entanto, a ministra Macaé Evaristo condenou a operação, chamada de 'abominável' e 'um horror' por também expor pessoas inocentes ao risco de morte. 

'Essa operação foi um fracasso. É inadmissível uma operação para o combate ao crime organizado, que é o que nós defendemos, não usar inteligência para garantir a sua efetividade', afirmou .

'Ninguém tem objetivo de matar as pessoas, se a gente quer combater o crime, temos que começar chegando aonde está o dinheiro. Porque se tem crime organizado, tem setores que estão lucrando com esse crime organizado.'

A ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania do Brasil, Macaé Evaristo, e a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, durante reunião com representantes da comunidade e familiares das vítimas da Operação Contenção. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

No encontro, a ministra Anielle Franco, da Igualdade Racial, acrescentou que 'nenhum corpo tombado' deve ser aceitável, reforçando a crítica à letalidade.

As ministras, ao lado de parlamentares federais e estaduais, participaram do encontro com a comunidade na sede da Central Única de Favelas (Cufa), a poucos metros de onde a comunidade de Vila Cruzeiro expôs cerca de 80 corpos retirados da mata pelos moradores, nesta quarta-feira (29). 

Os representantes do Poder Público também receberam demandas por atendimento psicossocial, serviços públicos, além de alternativas de trabalho para a juventude local.  



Crianças brincam em praça da Vila Cruzeiro ao lado de barricadas que foram colocadas para conter avanço de policiais durante a Operação Contenção. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Macaé prometeu uma comissão emergencial integrada por vários ministérios para atender às reivindicações.

'A comunidade, além de apresentar toda a dor desse processo, trouxe um olhar, um pedido de paz, mas ela também quer ter direitos, direito à educação, saúde, assistência e, especialmente, direito a um trabalho decente para a juventude '.

A comissão deve ser integrada pelos ministérios da Saúde, Educação, Assistencial Social, Igualdade Racial e Mulheres.



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