Saúde
Telma superou a prisão e recomeçou a vida fazendo massagem
Massoterapeuta ficou 2 anos presa por tráfico e decidiu que não permaneceria no crime após ganhar liberdade
| CLAYTON NEVES / CAMPO GRANDE NEWS
No Aero Rancho, Telma Lima, de 50 anos, trabalha como massoterapeuta, atendendo clientes que chegam em busca de bem-estar físico e emocional. O que poucos sabem é que, há 20 anos, a realidade dela era outra. Telma passou dois anos presa por tráfico de drogas e precisou de coragem para reconstruir a vida.
O erro aconteceu durante uma viagem à fronteira do Paraguai. Ela aceitou levar uma carga de droga de Tacuru ao Rio Grande do Sul, mas acabou detida em Tacuru e foi levada para cumprir pena em um presídio em Iguatemi.
“Eu não sou de lá, eu estive lá', comenta sobre o período em que ficou na penitenciária. “A gente pode dar um passo errado, mas permanecer no erro é escolha. Eu escolhi mudar', completa.
O tempo atrás das grades foi marcado por medo, saudade da família e as condições da prisão. “Dividia a cela com outras mulheres. Tinha dias que eu achava que não ia aguentar', lembra.
Segundo ela, a distância dos três filhos era o que mais doía. “Família, nessa hora, é tudo. A visita deles me dava forças para não desistir', relata.
Mesmo presa, Telma conta que trabalhou e manteve a fé, sempre acreditando que poderia sair dali melhor do que entrou. “Eu precisava me prender para me curar', acredita.
Ao ganhar a liberdade, não havia garantias. Telma voltou a morar com a mãe, vendeu panetones, bolos de pote e até cosméticos para sobreviver. Mas foi na estética que encontrou um novo caminho. “Comecei fazendo sobrancelhas, depois cabelo, até descobrir que meu dom era a massagem', conta.
Hoje, ela atende clientes de várias cidades e criou o método próprio de drenagem. “É meu carro-chefe e mudou a vida de muita gente, inclusive a minha', avalia.
Mesmo ainda lidando com preconceitos, Telma decidiu compartilhar sua história para mostrar que recomeços são possíveis. “Quando eu conto, ninguém acredita. Mas quero que outras pessoas entendam que é possível dar a volta por cima. Essa foi a única passagem que tive pela polícia e me serviu de experiência de vida', destaca.
Casada há nove anos e com a relação com os filhos restabelecida, ela acredita que o passado não define quem somos. “Eu sou prova viva de que podemos escolher outro caminho', finaliza.
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