Entenda por que Corinthians vê chance de ganhar mais do que o triplo com naming rights da arena

Clube fatura cerca de R$ 21 milhões por ano, valor que foi festejado na assinatura do contrato, mas hoje é considerado defasado; diretoria tem conversas com interessados na propriedade

| GLOBOESPORTE.COM / BRUNO CASSUCCI


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Cotações

Há cinco anos, o Corinthians anunciava com pompa a venda dos naming rights de sua arena para a Hypera Pharma, dona da marca Neo Química. Após muita espera, promessas e frustrações, o clube enfim conseguia negociar a propriedade por R$ 15 milhões ao ano, num contrato até 2040 - o valor é corrigido anualmente pelo Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) e atualmente é de aproximadamente R$ 21 milhões .

Porém, o que já foi motivo de celebração, hoje é tema de preocupação. O Corinthians entende que o contrato está defasado e que pode faturar mais do que o triplo com a propriedade.

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O presidente Osmar Stabile sonha com um acordo por R$ 75 milhões por temporada, num contrato de 12 anos , mas tem flexibilidade quanto ao preço e à duração do novo contrato. A estimativa se baseia não apenas na análise do mercado, mas também em conversas iniciais com potenciais parceiros.

— Tem três empresas interessadas. Eu acredito que deve chegar mais uma empresa. Estamos trabalhando para trazer valor muito maior do que este (atual). Valor é baixo. Foi bom lá atrás? Foi. Imprensa, torcedores, associados e conselheiros elogiaram. Mas passou. O valor está baixo. Vamos trabalhar — disse Stabile, após ser eleito, na última segunda-feira.

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Por que o preço mudou?

Vários fatores contribuem para a inflação dos naming rights. Antes de mais nada, é preciso lembrar que o Corinthians vendeu o nome de sua arena num momento de incerteza econômica provocada pela pandemia de Covid-19. Naquela ocasião, os jogos de futebol aconteciam sem público, o que dificultava ativações de marca no estádio.

Também havia muita imprevisibilidade no mundo como um todo, o que restringia os investimentos em marketing.

De lá para cá, muita coisa mudou:

O mercado de naming rights amadureceu e diversos outros estádios no Brasil tiveram os nomes vendidos;Outras propriedades comerciais ligadas ao futebol, como patrocínios másters, sofreram enorme valorização;O mercado de apostas esportivas (bets) foi regulamentado e "inundou" o futebol brasileiro com investimentos em publicidade.

Renê Salviano, CEO da agência Heatmap e especialista em patrocínios e ativações de marketing esportivo, comenta essa transformação do mercado:

— A valoração da propriedade de naming rights mudou muito ao longo dos últimos 10 anos, catapultada pelo segmento de apostas. Com certeza uma negociação neste momento pode ser mais vantajosa para o Corinthians, quando se trata do tema financeiro. As arenas são grandes oportunidades para se criar experiências e conexão com os torcedores, as marcas podem utilizar de diversas formas, não importa o segmento — afirma.

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"Pacote" como forma de turbinar valor

O Corinthians está disposto a incluir outras propriedades na negociação dos naming rights da arena como forma de atrair mais interessados e conseguir um contrato maior.

Nisso se inclui patrocínio na camisa e até mesmo o nome de outros espaços, como o centro de treinamentos e a Fazendinha (estádio do clube no Parque São Jorge).

Meses após fechar o naming rights com a Hypera Pharma, o Timão também negociou o patrocínio máster com a empresa por R$ 17 milhões fixos ao ano, além de ganhos variáveis. Hoje, o clube recebe cerca de R$ 103 milhões por temporada da Esportes da Sorte.

Custo com rescisão

A partir de setembro, a multa rescisória do contrato com a Hypera Pharma cai para R$ 50 milhões, o que na visão do Corinthians deixa o rompimento mais acessível.

— Isso (renegociação) deve acontecer, não vou falar o período, mas deve acontecer. Não quero deixar promessa. É um trabalho que está sendo realizado, como aconteceram outros. Pode ter certeza de que em breve a gente informa de que forma está andando. Se tiver mais outras empresas, acontecerá com envelope fechado. É uma forma de dar tranquilidade para quem participa. Quem der mais leva, desde que atenda os requisitos do Corinthians — afirmou Osmar Stabile.

No cenário mais otimista desenhado pela diretoria alvinegra, o novo contrato de naming rights permitiria a quitação do financiamento da Neo Química Arena (cujo saldo atual é de aproximadamente R$ 670 milhões) e ainda geraria uma receita extra para o clube.

Contratos fechados após o Corinthians

Mercado Livre Arena Pacaembu - R$ 1 bilhão por 30 anos - R$ 33,3 milhões por anoMorumbis (São Paulo) - R$ 75 milhões - R$ 25 milhões por ano.Ligga Arena (Athletico-PR) - R$ 200 milhões por 15 anos - R$ 13,3 milhões por anoCasa de Apostas Arena Fonte Nova (Bahia)- R$ 52 milhões por 4 anos - R$ 13 milhões por anoArena MRV (Atlético MG) - R$ 71,8 milhões por 10 anos - R$ 7,18 milhões por anoArena BRB Mané Garrincha - R$ 7,5 milhões por 3 anos - R$ 2,5 milhões por anoCasa de Apostas Arena das Dunas - R$ 6 milhões por 5 anos - R$ 1,2 milhões por anoArena Nicnet (Botafogo-SP) - R$ 6 milhões por 5 anos - R$ 1,2 milhões por ano



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