Esportes
Cruzeiro supera início forte do Galo e abre ótima vantagem dentro da Arena
Raposa provou viver um melhor momento ao mudar a história da partida ainda na 2ª etapa
| GLOBOESPORTE.COM / RODRIGO COUTINHO
Nem sempre os prognósticos para um clássico se confirmam. Principalmente se for um jogo eliminatório. Mas desta vez foi diferente. E a melhor equipe do momento saiu vencedora. O Galo até começou superior. Passou, no entanto, a perder o controle da partida a medida que a Raposa se ajustou na reta final do 1º tempo. Acabou sucumbindo em uma 2ª etapa toda do arquirrival.
Depois do intervalo, os selecionáveis Fabrício Bruno - em jogo impecável - e Kaio Jorge marcaram os gols que abriram 2x0 no confronto e dão uma confortável vantagem ao time celeste. Mesmo se perder por um gol de diferença daqui a duas semanas, chegará à semifinal da Copa do Brasil pela 12ª vez em sua história.
Escalações
Cuca surpreendeu ao escalar Dudu como titular, algo que não acontecia há mais de um mês. Reinier ficou no banco. Lyanco foi desfalque mais uma vez. Vitor Hugo fez dupla de zaga com Junior Alonso. Dudu foi o ponta-direita. Scarpa atuou pela esquerda, e Cuello jogou mais próximo de Hulk, pelo centro. Leonardo Jardim escalou a base da equipe que mais repetiu nos últimos meses.
O jogo
Se a maioria dos últimos duelos entre os arquirrivais foi travado, pouco criativo, e repleto de faltas ou confusões, desta vez o 1º tempo se revelou diferente na Arena MRV. Apesar da ofensividade nas duas partes, o Atlético conseguiu ser mais perigoso e criativo nos primeiros 25 minutos, mas viu o Cruzeiro equilibrar as ações até o intervalo.
Nenhuma das equipes ''especulou'' em suas estratégias. Desta forma, os espaços surgiram naturalmente. O Galo moveu a bola mais rapidamente e encheu as imediações da área cruzeirense de peças. Cuello foi bastante acionado em transições inicialmente. Mas Dudu e Gustavo Scarpa geraram volume ofensivo em combinações com os laterais pelos flancos.
Alexsander se aproximou dos homens de frente com eficiência, e Hulk esteve novamente participativo. O Galo teve boas oportunidades de finalizar de dentro da área na primeira metade da etapa inicial, mas pecou bastante na qualidade dos arremates.
O Cruzeiro encontrava problemas para encontrar a distância correta de marcação ao combater no próprio campo. Permitia avanços. Protegia, no entanto, com eficiência a própria área. Fabricio Bruno e Villalba cortaram cruzamentos e bloqueram passes ou arremates que poderiam terminar em gols. Cássio pegou chutes cruzados de Guilherme Arana e Cuello.
Cuca inverteu as funções de Cuello e Scarpa logo depois dos 15 minutos. Buscou inibir os avanços que Lucas Silva conseguia nos instantes iniciais. Scarpa passou a ser o seu encaixe de marcação, enquanto Cuello mostrava maior aptidão para perseguir William. Alexsander tinha Romero como alvo e Matheus Pereira era acompanhado de perto por Alan Franco.
A Raposa mostrava-se desconfortável com tais perseguições e não tinha um jogo fluído em fase ofensiva. Wanderson levava vantagem sobre Natanael em alguns lances pela esquerda, mas a jogada não ganhava sequência para ser finalizada. Vitor Hugo se destacava com cortes e desarmes, principalmente nos duelos contra Kaio Jorge dentro da área.
A marcação adiantada foi a melhor arma para o Cruzeiro produzir antes do intervalo. Romero e Christian fizeram desarmes importantes em Alexsander e Arana, mas Kaio Jorge hesitou para finalizar após um deles, e no outro lance bate fraco para a defesa de Everson. Wanderson levou perigo em finalização da entrada da área. Elevou o seu nível em relação a jogos recentes.
Aumentar o tempo de posse de bola nos últimos 20 minutos da 1ª etapa foi determinante para que os visitantes diminuíssem a carga ofensiva dos anfitriões, que ficaram um bom tempo sem incomodar a meta de Cássio. Cuca trocou novamente as funções de Cuello e Gustavo Scarpa na volta para o 2º tempo. O camisa 10 voltou ao lado esquerdo e o argentino se reaproximou de Hulk por dentro.
O cenário da segunda metade do 1º tempo, porém, se manteve no início da etapa complementar. Valorizando a posse e rodando a bola, o Cruzeiro não só seguiu freando o ímpeto atleticano, mas encontrou a situação favorável para abrir o placar logo aos quatro minutos.
Diante de um adversário que marca por encaixes e perseguições, as conduções dos zagueiros são determinantes para gerar desequilíbrios e produzir. Fabrício Bruno fez isso na intermediária ofensiva e acertou um ''pombo'' no ângulo de Everson. Golaço!
O Atlético de alguma forma retomou a agressividade depois de levar o gol, mas sem ordem. Cuca não demorou a tirar os apagados Scarpa e Dudu, que caíram de produção após o início da partida. Reinier e Rony foram ao gramado, mas mal tiveram tempo de gerar qualquer mudança na organização do time.
Fabricio Bruno voltou a ser decisivo antes dos 20 minutos. Ganhou o duelo contra Junior Alonso na segunda trave, e escorou de cabeça o escanteio cobrado por Wanderson. Kaio Jorge se desvencilhou de Natanael e marcou o seu 18º gol em 2025. O contragolpe estava oferecido aos visitantes, que eram mais perigosos que os anfitriões e pareciam mais perto do terceiro gol do que de levar um.
O Galo sentiu demais os gols. Cuca tentou fazer o time reagir. Botou Biel e Igor Gomes. Tirou Cuello e Alan Franco. Passou a ter quatro atacantes de ofício e um meia ofensivo, mas não havia ideia do que fazer coletivamente. Jogadores importantes, como Hulk, foram acumulando erros e cedendo transições rápidas ao time celeste.
Tirando um chute de longe de Alexsander, Cássio mal foi incomodado. Biel deu trabalho a William pela esquerda do ataque, e Hulk não deixou de batalhar. Gabigol entrou no Cruzeiro e levou perigo em dois lances. Kaio Jorge, Matheus Pereira e Wanderson foram sacados por Leonardo Jardim. Além de Gabriel Barbosa, Matheus Henrique e Eduardo participaram do triunfo celeste.
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