Surfista, Matheus Cunha pega onda da boa fase e vira solução de Ancelotti no ataque a Seleção

Recém-contratado pelo Manchester United, atacante vive entre águas e gramados, divide ondas com Ítalo Ferreira e será cara nova do Brasil para vencer o Paraguai e se garantir na Copa

| GLOBOESPORTE.COM / BRUNO CASSUCCI E CAHê MOTA


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Maior artilheiro brasileiro em uma edição da Premier League, recém-contratado por um dos maiores clubes do mundo e agora titular da Seleção. A frase pode até ser clichê, mas poucas vezes foi tão apropriada para um jogador: Matheus Cunha está na crista da onda.

Escolha de Carlo Ancelotti para dar mobilidade e abrir caminhos ofensivos para o Brasil diante do Paraguai, o atacante vive o melhor momento da carreira às vésperas das férias onde poderá exercer um de seus hobbys preferidos: surfar. É na água que Cunha contrapõe toda pressão dos gramados e recarrega as baterias para momentos como o que vai viver na noite desta terça-feira, na Neo Química Arena, pelas eliminatórias sul-americanas para a Copa de 2026.

Natural de João Pessoa, na Paraíba, o novo reforço do Manchester United subiu na prancha pela primeira vez ao passar férias no interior do Rio Grande do Norte e conhecer Ítalo Ferreira, e levou o hábito para a fria Inglaterra. Basta uma folguinha para o atacante se mandar para um espaço chamado "Wave Garden", em Bristol, cidade próxima a Wolverhampton, e dropar ondas artificiais.

"O surf apareceu na minha vida em um momento de lazer e descanso. Estava tirando alguns dias de férias em Baia Formosa, no Rio Grande do Norte, e lá pude ter o prazer de conhecer alguns surfistas. Desde então tomei gosto pelo esporte e procuro sempre praticar nos meus momentos de lazer"

- Foi uma situação que aconteceu de maneira natural e hoje posso dizer que faz parte da minha vida e dia a dia. Fiz alguns amigos surfando que estou sempre em contato. Um deles é o Ítalo Ferreira. Nos falamos constantemente e quando ele está nas águas ligo a TV para torcer. É um hobby e uma maneira de me desligar da rotina pesada que tenho como jogador de futebol. Recarrega as minhas energias.

Ítalo e Cunha têm mais do que a paixão pelas ondas em comum. Em Tóquio-2020, ambos levaram a medalha de ouro olímpica, em conquista que abriu as portas para o centroavante na Seleção principal. Desde a primeira convocação, com Tite, em setembro de 2021, já são 14 partidas e um gol com a camisa verde e amarela.

A única vez que foi às redes foi justamente na derrota para a Argentina, por 4 a 1, em partida que decretou a demissão de Dorival Júnior. A pressa para recolocar a bola no meio de campo em busca do empate fez com que Cunha deixasse passar a oportunidade de levar o surfe também para os gramados, como acostumou-se a fazer com a camisa dos Wolves.

Muitos dos 15 gols marcados que o colocaram ao lado de Firmino e Martinelli como brasileiro com mais gols em uma única edição na Premier League foram celebrados simulando a postura em cima de uma prancha. Conexão futebol e surfe que o próprio Cunha trata como determinante para a temporada de sucesso que teve com a camisa do Wolverhampton.

- Levo o surf também pro campo em minhas comemorações. Considero o surf um momento de preparo para estar no meu melhor em campo. É onde eu recarrego as energias positivas e descarrego aquilo que preciso para estar tranquilo durante a semana. Por considerar importante para eu estar melhor em campo, levei para minhas comemorações de gol.

A versão surfista ajudou Matheus Cunha a chegar aos 18 gols e seis assistências em 39 jogos na temporada 2024/25. O Manchester United não deixou passar a onda e pagou R$ 480 milhões de multa para ficar com o brasileiro até 2030, com opção de renovação por mais um ano.

Será a sexta experiência na Europa do jogador que nunca atuou profissionalmente por um clube brasileiro. Após passagem pela base do Coritiba, foi negociado com o Sion, da Suíça, e passou por Herta Berlim, RB Leipzig, Atlético de Madri e Wolves antes de chegar aos Red Devills.

A última onda da temporada, no entanto, ainda está por vir e será surfada por Cunha nesta terça-feira, em Itaquera. Será apenas a quinta vez que será titular com a camisa da Seleção e dropar até o fim será importante para garantir a classificação para a Copa do Mundo.

Brasil e Paraguai se enfrentam às 21h45 (de Brasília), na Neo Química Arena, em São Paulo, pela 16ª rodada das eliminatórias sul-americanas para a Copa de 2026. Uma vitória somada a uma derrota da Venezuela para o Uruguai, em partida que começa às 20h, em Montevidéu, garante a Seleção no Mundial que será disputado em Estados Unidos, México e Canadá.



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