Com câncer nos rins, engenheiro pede ajuda na internet para comprar remédios de R$ 10 mil em MS

Israel Palhano Cavalcante luta contra doença desde abril do ano passado e já conseguiu na justiça o direito de receber medicamento pelo Estado. Burocracia para conseguir o remédio fez com que ele iniciasse campanha nas redes sociais.

| G1 / G1MS


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O engenheiro Israel Palhano Cavalcante, de 32 anos, luta contra um câncer nos rins desde abril do ano passado. Após ser diagnosticado com a rara síndrome de Von Hippel-Lindau (VHL), os médicos o receitaram um remédio que custa mais de R$ 10 mil por caixa. Sem poder esperar pelo poder público para conseguir o medicamento, família e amigos ajudaram o engenheiro a criar uma vaquinha para ajudar nos custos da ação.

Segundo Israel, ele precisou tirar 70% do rim direito e, para evitar retirar parte do outro rim, os médicos indicaram remédios que ajudam no tratamento. Cada caixa do remédio Pazopanibe votrient vem com 60 comprimidos, e ele precisa tomar dois por dia, sem interromper o uso diário. O problema para ele é que o medicamento custa R$ 10 mil por caixa.

"O médico me explicou que eu preciso tomar esse remédio, pois não posso mais perder nenhuma grama de rim. A doença compromete muito meu sistema renal e também pode comprometer a coluna, cabeça, pâncreas, testículos e os olhos', explicou o engenheiro.

Por intermédio de um assistente social do hospital onde Israel iniciou o tratamento para o câncer nos rins, ele procurou a Defensoria Pública pelo direito de receber o medicamento pelo Estado, em novembro do ano passado. A luta para conseguir o remédio, no entanto, foi intensa. "Me mandavam entrar em um site que não abria, e ligar em um telefone que a defensoria não atende. Quando o site finalmente abre, não funciona por muito tempo. Quando finalmente fui atendido, explicaram questões jurídicas e burocráticas, sem realmente ajudar", conta.

O resultado da ação saiu apenas no mês de março, onde foi determinado que o Estado forneça a medicação no prazo de 30 dias, após a intimação da decisão. A Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul informou a Israel que ainda não houve a intimação do Estado, ou seja, o prazo não começou a contar. O engenheiro, porém, não consegue consultar o processo no sistema da Defensoria para saber se a intimação foi realizada.

"Eu preciso, mas imagina quantas outras pessoas, até que não tem a mesma instrução, estão precisando ainda mais. Como essas pessoas estão sendo defendidas? Precisamos cobrar as autoridades para que os doentes não sejam esquecidos", reivindica Israel.

O G1 entrou em contato com a Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul, mas até a publicação desta reportagem, não havia conseguido contato. Para Israel, a luta continua. "Eu vou conseguir e vou me curar, vou ser um cara que não irei cansar de lutar pra isso mudar. Antes de passar por isso não conhecia essa situação, mas estou aprendendo isso de uma forma ruim".

Para que o engenheiro não ficasse completamente desassistido, amigos e familiares dele criaram uma espécie de vaquinha virtual para a compra de medicamentos. A meta da arrecadação é de R$ 60 mil, para que ele consiga comprar 6 caixas do remédio.

"Eu estou sendo muito ajudado, não posso reclamar. Não sei o dia de amanhã com essa síndrome, é muito difícil. Eu não queria começar a pedir ajuda na internet e nem me revoltar contra o estado, mas foi meu último recurso. Felizmente, as pessoas estão sendo muito amigas e parceiras", finaliza Israel.



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