'Mulheres reais' viram modelos de roupas de ginástica e ganham autoestima: 'Todas somos lindas'

Arquiteta empresária e amiga engenheira desempregada, ambas de Campo Grande, se uniram para vender as peças, perceberam que as clientes em potencial focavam nos corpos das modelos e não compravam. Elas então decidiram inovar e o resultado foi além do que se vê.

| G1 / NADYENKA CASTRO, G1 MS


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Cotações

A arquiteta de Campo Grande Angélica Jacob Saliba Rebello, de 32 anos, se considera uma empreendedora nata e como tal, sentiu a necessidade de se reinventar devido à pandemia de Covid-19. A engenheira de produção Havenna Miranda de Oliveira, de 29 anos, sempre trabalhou com vendas e estava desempregada.

A amizade e a experiência de ambas, Angélica como proprietária de uma academia de treinamento físico, e Havenna como vendedora, as fizeram passar a vender roupas de ginástica. O plano seguia de acordo com o previsto, até que a divulgação das peças superou as expectativas. Foi além de fotos. Mudou a autoestima das modelos.

"Eu descobri que tinha mexido com a autoestima de mulheres maravilhosas que não sabiam que podiam mais. Fui agradecer a cada uma pós sessão de fotos. E recebi como resposta que não precisava de “presente', porque elas estavam agradecidas por eu ter proporcionado a elas uma experiência única que as empoderava", conta Angélica.

Uma das 'modelos', a gerente administrativo Fernanda Batista Bernardo, 28 anos, resume a experiência. "Colocar uma roupa, se achar linda, estar confortável, e não se importar com o que as pessoas possam 'pensar' sobre você e sobre o seu corpo, é bom demais, todas somos lindas, cada uma a sua maneira, cada uma em seu processo de ser e estar feliz consigo".

'Mulheres reais'

As primeiras divulgações das roupas eram com fotografias de Angélica, Havenna e uma amiga. Todos com corpo definido devido ao treinamento constante. A ideia de usar corpos diferentes surgiu a partir de comentários de clientes em potencial.

"Observando a resposta dos meus posts ouvia a mesma frase de várias formas: ' a roupa fica linda porque a modelo ajuda' ou 'quando eu tiver o seu corpo vou querer usar essas roupas'. O foco não era a qualidade da roupa e sim meu corpo. Mas eu queria provar que todas podiam usar boas roupas e se sentirem bem e confortáveis. Daí lancei uma campanha chamando alunas com corpos fora do 'padrão de beleza', pessoas normais".

Foi então que Angélica e Havenna foram surpreendidas. No primeiro momento, as duas tiveram ajuda de 'mulheres reais' e no fim das contas, foram as modelos que foram ajudadas.

Autoestima

"Me olhei no espelho, nas fotos, me achei tão linda, fiquei apaixonada por mim, e isso não tem preço", fala Fernanda, que até brinca com a melhora da autoestima. "Falei para as meninas que fiquei me achany hehehe".

Para a advogada Tiffany Fernandes da Silva, de 31 anos, "a lição que fica é que a verdadeira beleza não tem padrão. O padrão é sentir-se bem e vestir algo que valorize o seu tipo de corpo".

"Gostar do próprio, corpo como ele, é um aprendizado diário, ainda mais para o meu tipo de corpo que nunca foi "pequeno". O "padrão" de beleza por muito tempo tentaram enquadrar as mulheres de um modo único aceitável, o que para algumas pessoas, me incluo, representou não gostar do próprio corpo ou cabelo, enfim. Participar das sessão de fotos que valorizaram diferentes os diferentes biotipos de corpos, mostrando que na verdade nenhuma beleza anula outra. É uma questão de representatividade", resume Tiffany.

"Mulheres que possuem estrutura maior não precisam se esconder com camisas largas, calças. Ficam lindas de xorte e top", finaliza.



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