Escolher não ter filhos também é um ato de coragem

Como obrigar alguém a desempenhar esse papel por pura pressão social?

| JéSSICA BENITEZ / CAMPO GRANDE NEWS


Muita gente enxerga o sacrifício materno como algo bonito, beirando o sagrado, porém a realidade é que a gente se sacrifica por razões muitas vezes culturais. (Foto: Arquivo Pessoal)
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Sobre ser mãe, eu não posso garantir que você vá sentir o mesmo que eu. É egoísta afirmar que somente sendo mãe é que conhecemos o amor de verdade. Como posso cravar que uma mulher sem filhos não conheceu o amor verdadeiro se ela ama os próprios pais, seu companheiro (a), suas conquistas, sua vida?

Ah mas o amor de mãe pra filho não tem comparação! Amor nenhum tem comparação, qual é a necessidade de sempre ter que diminuir o sentimento alheio para validar o nosso?

Maternar é algo de intensidade que jamais havia experimentado, claro, mas isso é o que eu sinto, dentro da realidade que eu vivo, levando em consideração o que eu acredito. Como colocar todas as mulheres do mundo numa fôrma só e ditar uma verdade absoluta?

Muita gente enxerga o sacrifício materno como algo bonito, beirando o sagrado, porém a realidade é que a gente se sacrifica por razões muitas vezes culturais: só a mãe sabe fazer isso, só a mãe consegue fazer aquilo, só a mãe é capaz daquilo outro. Deixa com a mãe pronto e acabou.

Como obrigar alguém a desempenhar esse papel por pura pressão social? O trabalho é árduo e seria total romantismo se eu dissesse aqui que acordar antes das 6h todos os dias é lindo e maravilhoso, por exemplo.

Que abdicar da liberdade, das noites de sono, da vontade de pegar um cinema em plena terça-feira, de viajar quando bem entender, de gastar com outras demandas, de morrer e nascer de novo é fácil. Não é e tá muito longe de ser. Tem dias, não raros, que a gente vai só pela misericórdia mesmo.

E faz por amor? Faz! Isso não quer dizer que seja 100% do tempo prazeroso. Aliás, dentre as 24 badaladas do relógio, esse percentual fica meio a meio intercalando entre momentos da mais pura ternura e momentos da mais pura loucura.

Portanto, não é errado não querer o trabalho de ser mãe ou não querer ter mais de um filho. Você não é menos humana, nem devoradora de criancinhas. Pelo contrário, não ceder à maternidade ou não aumentar a prole é um ato de coragem num sistema que insiste em dizer que nascemos pra ser mãe, mas depois que somos nos trata da forma mais cruel possível: quem pariu mantém e o embale.



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