Protesto após morte de negro leva 50 pessoas ao Carrefour na Capital

'Passamos por isso há 500 anos', diz manifestante presente no ato pede respeito a população negra

| NYELDER RODRIGUES E ANA PAULA CHUVA / CAMPO GRANDE NEWS


Expressões de tristeza e indignação tomaram conta do protesto (Foto: Silas Lima)
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João Alberto Silveira Freitas, 40 anos. Homem, negro e morto. Espancado até não resistir mais por dois seguranças - homens brancos - do hipermercado Carrefour em Porto Alegre (RS). Infelizmente, mais uma morte com ingredientes de crueldade e elementos do racismo estrutural presente em todo o mundo.

O crime aconteceu na véspera do Dia da Consciência Negra, 20 de novembro, e fez ressaltar ainda mais a necessidade de não só apenas discutir, mas cobrar mudanças de postura quanto ao racismo que ocorre cotidianamente.

'Nós passamos por isso há 500 anos. O João Alberto não foi o único. Agora, temos câmeras que mostram e colocam evidência. Mas isso acontece durante todo o ano e todas essas vítimas tem nome, tem história e tem família', comenta Bertolina Ramalho, de 58 anos e professora do Grupo TEZ (Trabalhos de Estudos Zumbi).

Ela ainda frisa, com contundência, que a indignação com tais situações deve ocorrer sempre e que a população, não apenas a negra, não deve se acostumar jamais com isso. 'Pessoas negras estão sendo mortas e sofrendo violência constante', diz.

Na sequência, ela completa que as falas como a do vice-presidente Hamilton Mourão, afirmando não existir racismo no Brasil, são praticamente autorizações para mais atos de violência contra negros. 'Mais uma vez saímos de casa para pedir justiça'.

'Estamos esperando que essa manifestação pacífica atinga o coração e alma dos dirigentes do Carrefour em todo o país e fora também', comenta o advogado José Roberto Camargo, de 70 anos

Cerca de 50 pessoas estão no protesto, com cartazes nas mãos e indignação cravada no peito. Ali, em frente a unidade campo-grandense do Carrefour, cada um dos manifestantes presente pôde ter seu momento de fala.

Uma das organizadoras, Romilda Pizani, de 53 anos, destaca que o protesto mostra toda a indignação da população negra que, mesmo sendo maioria, segue sendo tratada de forma inadmissível até hoje. 'Estamos falando de um caso que ficou em evidência, mas quantos acontecem e ficam anônimos?', indaga.

Romilda também cobra o fim do genocídio da população negra, que acontece 'de forma muito escancarada'. 'Para fazer isso [homens que mataram João Alberto] eles tiveram orientação nesse sentido. Isso precisa mudar e as pessoas precisam ser respeitadas independentemente da pigmentação da pele'.

A manifestante também afirma que, infelizmente, a morte de João na véspera do Dia da Consciência Negra evidencia o racismo estrutural e discriminação. 'Infelizmente os fatos coincidem e colocam no holofote as barbáries que ainda continuam a todo momento', frisa Romilda, que completa em seguida.

'Esperamos que a empresa mude sua política para atender o público. Não queremos uma política pontual, queremos política social contínua, um trabalho de sensibilização dos funcionários e clientes que ali frequentem', conclui.

O caso - João Alberto foi espancado e morto por seguranças em unidade do Carrefour na noite de quinta-feira (19), em Porto Alegre. De acordo com a polícia gaúcha, a vítima teria se desentendimento com uma funcionária. 'Não foi nada muito grave', disse o delegado de Homicídios da capital gaúcha, Leandro Bodoia.

A vítima foi levada para o estacionamento do supermercado, enquanto sua esposa seguia finalizando a compra. Contudo, João teria reagido à ação dos seguranças, que revidaram e iniciaram às agressões, apesar dos pedidos de socorro.

Quando a esposa de João Alberto saiu do supermercado em direção ao estacionamento, viu a cena do espancamento que o deixou inconsciente. Uma ambulância do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foi ao local e tentou reanimá-lo, mas ele não resistiu às agressões. Os suspeitos foram presos em flagrante.

Em nota, o Grupo Carrefour considerou a morte 'brutal' e disse que 'adotará as medidas cabíveis para responsabilizar os envolvidos'. Afirmou, também, que vai romper o contrato com a empresa responsável pelos seguranças e que o funcionário que estava no comando da loja durante o crime 'será desligado'.


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