O que se sabe sobre a nova variante descoberta na África do Sul

Omicron tem mais mutações do que outras cepas e chance de ser mais transmissível é gera preocupações no mundo

| R7 / SAúDE | CARLA CANTERAS, DO R7


Sul-africanos esperam em fila para serem vacinados contra a Covid-19 - Siphiwe Sibeko/Reuters - 25.10.2021
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A África do Sul voltou a ser o centro das atenções e preocupações quando o assunto é a evolução da pandemia no mundo. Isso porque na última terça-feira (23) cientistas que trabalham no país africano detectaram uma nova variante do SARS-CoV-2, com potencial para ser mais transmissível inclusive que a Delta, cepa que é predominante no mundo. 

De acordo com o cientista brasileiro Tulio de Oliveira, diretor do laboratório Krisp, na faculdade de Medicina Nelson Mandela, na Universidade KwaZulu-Natal, em Durban, na África do Sul, a Omicron, nome da dado pela OMS (Organização Mundial de Saúde), tem mais mutações que as outras cepas e isso é fator de muita preocupação.

'Esta nova variante, B.1.1.529 [nome científico], parece se espalhar muito rápido! Em menos de duas semanas ela domina todas as novas infecções, após uma onda Delta devastadora na África do Sul', publicou o virologista. 

Os cientistas apontam que são mais de 30 mutações na proteína spike (parte do vírus responsável pela entrada na célula humana) e só no receptor ACE2 (partícula que ajuda a criar esse ponto de entrada) são 10 mutações. Em comparação, a variante Beta tem três e a Delta, dois.

Ainda não está claro para os pesquisadores se o novo vírus é capaz de superar a proteção das vacinas e qual é o poder de reinfecção nas pessoas que já tiveram Covid-19. 

Porém, vale destacar que a Omicron foi mais detectada entre os jovens, mesma faixa etária que tem a menor taxa de vacinação da África do Sul. Somente, um a cada quatro sul-africanos entre 18 e 34 anos são vacinados, confirme afirmou Joe Phaahla, ministro da saúde do país.

Segundo Tulio Oliveira, um dos pesquisadores que descobriram a variante Beta, em dezembro de 2020, a cepa pode ser detectada por meio do exame PCR, não sendo necessário o sequenciamento genético. Com Isso, a descoberta dos casos pode ser mais rápida, o que ajuda no controle e rastreamentos de novas infecções.

A Pfizer anunciou na sexta-feira que já realiza testes com a sua vacina e espera ter resposta sobre a eficácia do imunizante em até duas semanas.

Já foram registrados casos em quatro países, além da África do Sul: Botsuana, Hong Kong, Bélgica e Israel.  

Na África do Sul, os infectados se concentram no centro econômico do país nas cidades de Joanesburgo e Pretória, porém os cientistas acreditam que já há casos em outras regiões. 

Aqui, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) recomendou que o Governo Federal imponha medidas restritivas a voos e viajantes vindos de seis países da África: África do Sul, Botsuana, Eswatini, Lesoto, Namíbia e Zimbábue. 

Para Isabella Ballalai, vice-presidente da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações), a indicação da agência brasileira é válida porque, mesmo com bons índices de vacinação no país, os números não são homogêneos em todas as cidades e a pandemia ainda não chegou ao final. 

'Enquanto o mundo não estiver completamente vacinado, qualquer país, ou seja, todos nós corremos risco. As pessoas precisam entender que estamos em um bom momento no país, mas não podemos esquecer que a pandemia não acabou. Nós temos coberturas vacinais excelente aqui no Rio, em São Paulo e em outras cidades. Mas há cidades com coberturas não tão altas', explica Isabella.

E complementa: 'Qualquer excesso pode trazer uma nova onda pra nós aqui. Se não tivermos um controle da flexibilização e das entradas de estrangeiros no país, obviamente corremos risco.'

Países da Europa e da Ásia já adotaram medidas de restrição aos países africanos, mesmo com pedido da OMS que não sejam tomadas medidas precipitadas sobre as viagens. 

O vírus foi descoberto na última terça-feira, a partir de amostras coletadas em pacientes 14 a 16 de novembro. Na avaliação de outros exames, foram encontrados outros 100 casos em Gauteng, província da qual faz parte Pretória e Joanesburgo. 

Cientistas acreditam que a nova variante tenha surgido a partir de uma pessoa com HIV positivo infectada com a Covid-19 e que não foi tratada. Mesma hipótese levantada para o aparecimento da Beta no fim do ano passado. A África do Sul tem 8,2 milhões de pessoas infectadas com HIV, o país mais infectado.

Muitas empresas já começam a realizar o retorno gradual do trabalho presencial. O infectologista Rodrigo Mollina, consultor da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia), explica que algumas condutas pode ser adotadas para minimizar o risco de transmissão do coronavírus, como realizar refeições rápidas e com distanciamento e preferir ambientes bem ventilados

pixabay

O que é mais seguro: levar marmita e comer em um refeitório ou comer em restaurante? Mollina explica que na hora das refeições é muito importante seguir o distanciamento social. “O mais seguro é que haja o distanciamento, pois é o momento em que as pessoas estarão sem máscara. Não importa se é restaurante ou refeitório, mas é importante que seja uma refeição rápida', diz

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Posso tomar um cafezinho com um colega que não vejo há muito tempo? Assim como no momento das refeições, Mollina lembra que o distanciamento é essencial ao retirar a máscara. “O hábito do cafezinho ocorre, mas é preciso que seja mantido o distanciamento, para que quando as pessoas estiverem sem máscara não haja a transmissão do vírus', afirma

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Mesmo com distanciamento entre as mesas, se o local é fechado e com ar-condicionado, existe o risco de transmissão do coronavírus? Sim. O infectologista explica que o ideal é que o ambiente de trabalho seja um local com ventilação, para que o ar seja sempre renovado. “O local fechado com ar-condicionado pode aumentar as transmissões, sendo muito importante o uso de máscara e o distanciamento nessas situações', diz

pixabay

É possível se infectar durante o deslocamento, em transporte público, para o trabalho? Sim. Para minimizar esse risco, o infectologista recomenda o uso de máscara durante o trajeto e a higienização das mãos ao sair do ônibus ou metrô. “O ideal é que se mantenha, durante todo o percurso, a máscara e, após encostar-se nas barras de apoio, se higienizem bem as mãos com álcool em gel. O mesmo serve para objetos que são tocados com muita frequência, como botões de elevador e maçanetas', recomenda Mollina

PRISCILA NOLASCO/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

A máscara N95 pode diminuir o risco de contágio dentro do transporte público? Mollina ressalta que a transmissão da doença dentro do ônibus ou do metrô é possível e que a utilização da N95 pode prover uma proteção extra. “A N95 pode ser utilizada em todas as ocasiões e é mais efetiva que as proteções de tecido. É uma proteção extra, mas não obrigatória'', afirma. O que não pode faltar é o uso de máscara, seja N95, seja de tecido ou cirúrgica

Reprodução/RecordTV Minas

O ideal é que todos no ambiente de trabalho estejam com o esquema vacinal completo? Por quê? Sim. A imunização completa protege o vacinado de desenvolver a forma grave da Covid-19, mas vale lembrar que não impede que ele transmita o vírus. O médico destaca que só 15 dias depois da segunda dose é que a resposta imunológica estará completa. “A eficácia da vacina só é vista 15 dias após a segunda dose do imunizante; antes disso a pessoa não é considerada imunizada', explica

EFE / André Coelho

Como a vacina não impede a transmissão, é possível que o pai pegue o vírus no trabalho e o transmita ao filho não vacinado em casa, por exemplo? “Sim. Qualquer pessoa, vacinada ou não, pode contrair o vírus de forma assintomática', afirma Mollina 

Stephane Mahe/Reuters - 14.9.2021

Pode-se usar a mesma máscara N95 todos os dias no trabalho ou é preciso descartá-la após o uso? “A máscara N95 não é de uso diário, ela tem uma validade', explica Mollina, que destaca a importância de conservá-la: “O mais importante é que a proteção esteja bem cuidada, evitando-se amassá-la e deixá-la úmida'. Segundo a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), o uso da máscara N95 é limitado a cinco vezes *Estagiário do R7 sob supervisão de Deborah Giannini

EFE/EPA/FRIEDEMANN VOGEL



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