Ginecologista suspeito de assédio sexual fica calado no depoimento e é indiciado; CRM o investigava desde 2013

Investigação em MS aponta que crimes ocorriam tanto em hospitais como no consultório em que ele atendia. Polícia também apura denúncia recente contra ele.

| G1 / GRAZIELA REZENDE, G1 MS


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A Polícia Civil indiciou por três crimes de assédio sexual e um de importunação o médico ginecologista, de 67 anos, investigado em inquérito na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), em Campo Grande.

No decorrer das buscas, a polícia fez intimações a pacientes e colegas médicos do profissional. Elas deram detalhes de como ocorriam os assédios. Já o médico ficou calado durante o interrogatório e somente disse que falaria em juízo. Das vítimas, apenas uma tinha medida protetiva contra ele, ainda conforme a polícia.

"Tivemos a primeira denúncia contra ele em dezembro de 2019, seguida de outra em janeiro de 2020. No dia 8 de agosto, tivemos uma nova paciente, junto de uma colega médica dele. Nós também tivemos acesso a documentação dos hospitais e do CRM-MS [Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso do Sul], que desde 2013 recebeu informações sobre comportamentos e atitudes dele dentro da área hospitalar e médica", afirmou ao G1 a delegada Maíra Pacheco, responsável pelo inquérito.

Conforme a delegada, a investigação aponta que houve "indícios de autoria" do médico, tanto em hospitais como no consultório particular em que ele atendia. "Ele atuava como supervisor com médicos residentes e então escolheu algumas delas para o assédio, dando as mãos enquanto ia até a paciente e, em alguns casos, a direcionando para a região da virilha. Também temos relatos de técnicas de enfermagem contra esse médico", disse.

Nestes casos, a polícia ressalta que a denúncia é de extrema importância, já que este é um crime que não deixa vestígios. "Nós orientamos as pessoas que queiram falar contra esse médico ou qualquer outro profissional, caso percebem alguma situação estranha durante a consulta médica. Muitas vezes a vítima fica constrangida e assustada, já que nem consegue entender se a atitude foi criminosa, principalmente por estar em um ambiente íntimo, então, estamos aqui 24 horas para conversar e adequar se houve crime ou não", ressaltou.

Recentemente, a investigação da Deam tomou conhecimento de uma nova paciente que teria sofrido abuso. No entanto, esta pessoa não foi na delegacia registrar queixa. "O que soubemos é que ela estava em uma consulta e o médico teria feito o exame ginecológico de uma forma não comum. Ela então saiu de lá bem abalada e entrou no consultório ao lado, onde estava outra médica. O marido desta paciente inclusive a estava esperando lá fora. Nós precisamos do testemunha presencial, da palavra da vítima, principalmente, para reforçar o conjunto probatório e ele até ter uma condenação maior se for o caso", finalizou.

A reportagem tentou contato tanto com o médico Salvador Arruda como os dois advogados de defesa, mas, sem sucesso. No momento, o profissional responde ao processo em liberdade, porém, se condenado, poderá pegar uma pena de até 5 anos de reclusão.

Em nota, o CRM-MS ressaltou que "aguarda juntada de documentos aos autos para avaliar as medidas a serem tomadas".



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