Mariana Ferrer: 'quem sentou no banco dos réus foi a mulher brasileira', diz advogada em MS

Juristas pela Democracia MS repudiam ‘estupro doloso’ e OAB-MS diz que não apoia desrespeito no Tribunal

| TOP MíDIA NEWS/RAYANI SANTA CRUZ


Crédito: Divulgação Intercept
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De deixar o estômago revirado, revoltar e emocionar mulheres. A advogada campo-grandense Giselle Marques, membro do grupo Juristas pela Democracia-MS, chorou ao comentar sobre a aberração jurídica do ‘estupro culposo’ divulgada nesta terça-feira (4).

“Nós, Juristas pela Democracia, condenamos veementemente e repudiamos a responsabilização da vítima pelo crime. O que nós assistimos foi um Tribunal de homens ‘julgando’ um homem acusado de estupro, onde a acusação reverteu para a vítima que se tornou ré. Nesse Tribunal com um juiz, promotor e advogado do sexo masculino, quem sentou no banco dos réus foi a mulher brasileira que, durante todos os dias, é desrespeitada, humilhada. Isso é algo inadmissível porque o MP tem o dever de zelar pelos direitos descritos na Constituição e ele [promotor] se afastou nesse dever”, disse Marques indignada.

A indignação tomou conta de grande parte das mulheres ao ver trecho do vídeo em que a influencer Mariana Ferrer é humilhada pelo advogado de defesa do empresário acusado de estupro, André Aranha. O advogado Cláudio Gastão da Rosa Filho teve a conivência do juiz Rudson Marcos e do promotor Thiago Carriço ao exibir fotos sensuais da jovem, insinuar que ela ‘queria dinheiro’ ao dizer que devia sete meses de aluguel e por em jogo a sua honra.

A advogada Giselle Marques explica que o promotor que iniciou o caso foi afastado e o promotor Thiago Carriço, que atuou na fase final do processo, não assumiu a Justiça Pública. “Ele se desviou da sua função constitucional e passou atuar em advocacia administrativa em favor do réu.  A Constituição foi traída pelo promotor. O juiz foi omisso e jamais poderia ter deixado a Mariana Ferrer ser humilhada, a partir do momento que o advogado a acusou, o juiz tinha de ter interferido de forma dura e coibido a postura, lembrando a ele que era vítima e não ré” explica.

Marques entende que o julgamento deve ser anulado. “É um fato inaceitável, entendemos que o julgamento é nulo porque não atende as características de um Tribunal dentro de uma República Federativa que constitui um estado democrático de direito. A dignidade a Mariana foi vilipendiada”.

A advogada, que é mãe de três filhas, se emocionou e disse que quando um homem estupra uma mulher, ele estupra toda a família, acaba com a vida da mulher de formas físicas e psicológicas. 

“Há poucos dias teve a situação do Robinho. Eu sou mãe de três filhas e mais uma vez me senti estuprada e vilipendiada por essa sociedade brasileira”, desabafou a advogada que afirmou que o Juristas pela Democracia MS fará uma nota de repúdio ao Tribunal de Santa Catarina. Giselle Marques é advogada, professora universitária e doutora pela UVA-RJ.

OAB-MS

Questionada se a Comissão da Mulher da OAB-MS iria se posicionar sobre o caso, a assessoria de comunicação disse que a Ordem não vai se pronunciar. Mas que não apoia desrespeito em partes envolvidas. “A OAB não apoia e nem incentiva qualquer desrespeito as partes envolvidas em contenda judicial. O Judiciário deve ser palco de pacificação social. E não estimulação de conflitos”, diz nota.



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