"Eles colocaram meu filho lá para morrer", diz mãe de adolescente morto em Unei

Adolescente de 16 anos foi transferido para Unei Dom Bosco na quinta (29) e morreu no sábado à noite (31)

| SILVIA FRIAS / CAMPO GRANDE NEWS


Mãe de 9 filhos, a dona de casa de 38 anos chora a morte do filho adolescente: 'Eles são infratores, mas não precisam morrer' (Foto: Henrique Kawaminami)
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O adolescente de 16 anos, morto por asfixia no sábado (31), dentro da cela da Unei (Unidade Educacional de Internação) Dom Bosco, deveria ter sido liberado depois de passar 45 dias internado, em outra unidade, mas havia sido transferido na quinta-feira (29). A informação é da mãe dele, dona de casa de 38 anos, que hoje está sepultando o filho.

 “Eles colocaram meu filho lá para morrer', disse ela, bastante emocionada. O adolescente está sendo velado na funerária Santo Antônio e será sepultado no cemitério Park Monte das Oliveiras, no Jardim Campo Alto.

O corpo do adolescente foi encontrado na noite de sábado (31), na cela da Unei Dom Bosco. Em nota, a Sejusp (Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública), informou que os dois internos envolvidos no fato foram encaminhados à Depac-Centro (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário do Centro), onde foram ouvidos e autuados em flagrante em ato infracional análogo a homicídio sendo em seguida colocados à disposição da Justiça.

No velório, parentes consternados e muito abalados com o que tinha acontecido.  A mãe não via o adolescente de 16 anos desde que foi apreendido.

Ele foi levado para a Unei Novo Caminho, no Los Angeles, por ato infracional análogo a roubo e, segundo a dona de casa, passaria 45 dias internado. A mulher afirma que o garoto não teve envolvimento direto no caso, apenas deu carona para amigo que havia roubado celular. Passado o período de internação, porém, o garoto foi transferido à Unei Dom Bosco na quinta-feira (29). Morreu dois dias depois, na cela que dividia com outros dois garotos.

A família disse que recebeu a visita de assistente social no domingo (1º), informando da morte do garoto e que o Estado providenciaria velório e sepultamento. A mãe só soube da circunstância da morte por asfixia pela imprensa.

“Levaram ele num dia para lá, e no outro colocaram com menino que ia matar ele, eu estou revoltada. Eles não podiam ter colocado meu filho para morrer, porque, meu Deus, porque? eles são infratores, mas não precisam morrer', disse a mulher.

A dona de casa conta que o filho tinha passagem anterior, flagrado por usar maconha. Estava casado há 8 meses e morava com a mulher no Dom Antônio Barbosa. Tinha terminado o Ensino Médio, feito cursos profissionalizantes, mas ela não informou se estava trabalhando recentemente.

Mãe de 9 filhos, lamentou por ela e pelas mães dos outros dois adolescentes. “Minha dor é não poder levar ele de volta para casa'. Ela diz  não sentir raiva dos adolescentes que dividiam a cela com o filho. “Estou com ódio desse povo que coloca adolescentes lá e não dá assistência, para mim aquilo não é sócio-educativo', avaliou. “Não queria que a mãe deles sentisse isso que estou sentindo, me coloco no lugar da mãe deles'.

A família não o via desde a apreensão, somente em conversas por vídeo, em decorrência da pandemia. A tia, assistente educacional, de 31 anos, também estava revoltada com as circunstâncias da morte do adolescente.  “Ele foi para lá para poder voltar para sociedade não para ser morto'.

O tio, de 29 anos, também criticou a transferência do sobrinho. “Foi só descaso, desde assistência social até os agentes, só jogaram ele lá dentro e pronto'.

A reportagem entrou em contato com assessoria da Sejups para detalhar a transferência e se ele deveria ter sido liberado após o período de internação na outra Unei e aguarda retorno.



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