Isca "das boas", minhocuçu vira polêmica com proibição e multas milionárias

| JHEFFERSON GAMARRA / CAMPO GRANDE NEWS


Vendedor de iscas há mais de 30 anos, empresário lamenta a proibição do comércio das mihocuçus (Foto: Paulo Francis)
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Muito comum entre pescadores para atrair diferentes espécies de peixes, o minhocuçu simplesmente desapareceu das casas de iscas. A comercialização, que até então acontecia livremente, foi proibida em Mato Grosso do Sul após intensificação nas fiscalizações feitas por órgãos ambientais.

O uso como isca virou polêmica no Estado, e está causando prejuízos aos pescadores e comerciantes que trabalham com o comércio de artigos para pesca.

“Sempre trabalhamos com a venda do minhocuçu, adquiríamos os animais de outros estados, Mato Grosso, Minas Gerais e Goiás, com notas fiscais, pagávamos impostos e de uma hora para outra proibiram a venda, o comércio e o transporte das minhocas', reclama o empresário Wilson Humberto de Oliveira, que há 30 anos comercializa iscas e artigos para pesca em Campo Grande.

Segundo o empresário, a proibição da venda da minhocuçu e a intensificação nas fiscalizações foram anunciadas em fevereiro deste ano, e desde então o setor vêm amargando prejuízos, visto que a espécie era a mais procurada entre os pescadores.

“A minhocuçu é a melhor isca que existe, eu vendia a isca desde que abri a loja, há 30 anos, e essa proibição me quebrou. Desde o dia em que recebi o oficio no dia 18 de fevereiro deste ano, parei de vender, até o ano passado a gente comercializava livremente e essa proibição me quebrou', relata Wilson.

Para encontrar uma saída para imbróglio envolvendo a comercialização e o uso da minhocuçu com isca, a advogada e representante da Associação da Cadeia Produtiva da Pesca do Mato Grosso do Sul (ACPPMS), Étila Guedes, sugere a criação de uma legislação estadual e a realização de debates acerca do tema.

“Precisamos de um caminho, abrir discussões a nível estadual entre governo e empresários, explicar o que pode ser feito em relação ao tema. A pesca em Mato Grosso do Sul é uma atividade que envolve 17 cidades, são mais de 8 mil pescadores profissionais cadastrados, além disso existe na cadeia produtiva 60 empresários no ramo da pesca', explica.

A advogada lembra ainda que além dos empresários, a proibição radical da comercialização das iscas implica em problemas para famílias e comunidade que vivem dessa atividade. “Muitas famílias que vivem em beira de rio são prejudicadas também. Algumas tiram a renda atendendo turistas e vendendo as minhocuçus, a procura dela é muito grande porque ela serve para pegar todos os tipos de peixes', diz Étila.

De acordo com a Semagro (Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar), de fato não existe legislação estadual restritiva a respeito do tema e as fiscalizações são realizadas pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais).

Apesar de não existir uma legislação estadual, a Semagro emitiu uma manifestação técnica em janeiro deste ano sobre o transporte e venda das minhocas. De acordo como documento, a captura de minhocuçus se enquadra como atividade caracterizada como “manejo da fauna' e depende de autorização ambiental expedida pelo órgão ambiental competente sendo que as atividades de estocagem, comercialização e transporte de tais animais da fauna silvestre somente poderão ser realizadas desde que acompanhadas de tal autorização.

Portanto inexistindo autorização ambiental para manejo de fauna, toda e qualquer atividade de envolvendo minhocuçus (vender, expor à venda, transportar, guardar, ter em cativeiro ou utilizar) deverá ser fiscalizada e enquadrada nos termos da Lei Federal Nº 9.605/98.

A Polícia Militar Ambiental, responsável pelas fiscalizações e orientações sobre a proibição do uso e comercialização das minhocas em Mato Grosso do Sul informou as autuações seguem a risca a lei de crimes ambientais nº 9.605/98.

Com relação a instância administrativa, o Decreto Federal nº 6.514, de 22 de julho de 2008, prevê uma multa de R$ 500,00 por animal (no caso em questão, por minhoca) e R$ 5 mil caso o animal esteja na lista de espécie em extinção. Também é a mesma penalidade da caça, do tráfico, de manutenção de animais em cativeiro.

As ações de fiscalizações de venda e transporte dos animais têm aumentado no Estado e já resultou em várias aplicações de multas. Entre elas uma de R$ 95 mil em setembro de 2020 e outra de R$ 7 milhões pela apreensão de cerca de14 mil unidades.



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