Policial
Elogiado por Eduardo Bolsonaro, ex-presidente do Paraguai é preso após impeachment
| DOURADOS AGORA/FLáVIO VERãO
O ex-presidente do Paraguai Santiago Peña foi detido em sua residência, em Assunção, na noite desta sexta-feira (6), por ordem do Ministério Público. A prisão ocorreu pouco depois de o Senado aprovar seu impeachment, em meio à crise provocada pelo colapso do Ueno Bank. Peña ficará em prisão domiciliar à disposição das autoridades.
Peña foi elogiado publicamente por Eduardo Bolsonaro. Em janeiro deste ano, o ex-deputado afirmou que o então presidente paraguaio estava “nadando de braçada na América do Sul', ao compará-lo com o governo brasileiro. Flávio Bolsonaro também o chamou de “presidente e amigo' em uma publicação nas redes sociais.
A votação no Senado teve 44 votos favoráveis à destituição e uma abstenção. Na quinta-feira (5), Peña anunciou que havia apresentado sua renúncia, mas o Congresso deu prosseguimento ao processo de impeachment. A Câmara dos Deputados havia aprovado a acusação por 78 votos. Com a saída de Peña, o então vice-presidente Pedro Alliana assumiu o cargo para concluir o mandato, previsto até agosto de 2028.
A investigação apura possíveis irregularidades na administração de recursos públicos ligados ao Ueno Bank, que tinha cerca de 3 milhões de clientes. A intervenção do Banco Central paraguaio deixou correntistas com dificuldades para acessar o dinheiro e provocou protestos. O Ministério Público também investiga o ex-presidente do Banco Central Carlos Carvallo. As suspeitas incluem lesão de confiança e tráfico de influência; Peña nega ter cometido crimes.
Peña foi acionista do grupo controlador do banco até abril de 2025. Em declaração patrimonial de 2023, informou possuir ações da Ueno Holding avaliadas em 6,144 bilhões de guaranis — cerca de R$ 5,28 milhões —, além de um certificado de depósito de 2,4 bilhões de guaranis na instituição e um título da empresa de tecnologia financeira Itti. Seu irmão aparece como sócio da U Holding SARL, apontada como parte da estrutura de controle do grupo.
A crise também levantou questionamentos sobre depósitos de recursos públicos no banco, incluindo valores do Instituto de Previdência Social, do Ministério da Economia e das entidades binacionais Itaipu e Yacyretá. Com a destituição, Peña perdeu a possibilidade de ocupar uma cadeira vitalícia no Senado, que lhe garantiria imunidade parlamentar.
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