O que acontece quando um trem chega ao fim da linha?

Com milhares de quilômetros de trilhos pelo país, trens de carga e passageiros usam diferentes sistemas para seguir viagem ao chegar em seus destinos

| ÚLTIMO SEGUNDO / VITOR HUGO GIROTTO


- Reprodução/Ministério dos transportesBrasil tem pelo menos 30 mil quilômetros de ferrovias em funcionamento
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O Brasil tem pelo menos 30 mil quilômetros de ferrovias em funcionamento. Só em 2025, os trens de carga movimentaram cerca de 555,1 milhões de toneladas, além das linhas turísticas, como a Estrada de Ferro Vitória a Minas. Em uma rede desse tamanho, os trens percorrem centenas ou até milhares de quilômetros até chegar ao destino. Quando alcançam o fim de uma linha, nem sempre o trem só dá meia-volta, para isso existem diferentes formas de mudar o sentido para seguir viagem.

A solução usada em cada lugar depende do tipo de trem, da estrutura disponível e da forma como aquela ferrovia foi construída.

Em alguns casos, o  próprio trem pode mudar de direção sem precisar ser fisicamente virado. Em outros, é necessário fazer manobras com as locomotivas ou usar estruturas mais específicas nos trilhos. Confira abaixo os métodos:

Na pera ferroviária, os trilhos formam um grande contorno, semelhante ao formato de uma pera. O trem entra nesse trecho, percorre a curva e volta à linha, já posicionado para seguir na direção contrária.

A estrutura é especialmente útil em terminais de carga, onde o trem pode fazer outras operações antes de voltar para a ferrovia. Depois de carregar ou descarregar os vagões, por exemplo, a composição anda pelo contorno e não precisa ser desmontada para mudar de sentido.

Segundo informações da VLI ao iG, uma composição com 80 vagões da empresa leva, em média, de quatro a cinco horas para ser carregada e seguir seu caminho nesse tipo de terminal. Outros sistemas ferroviários podem levar mais de 60 horas para fazer o mesmo processo.

No caso do triângulo ferroviário, também chamado de triângulo de reversão, três trechos de trilhos se conectam, formando uma estrutura que permite fazer diferentes movimentos com a locomotiva e a composição.

Na manobra, o trem entra em um dos trechos, passa por outro e depois retorna por uma terceira via. Com a sequência correta de movimentos, ela pode terminar posicionada na direção oposta à inicial.

Esse sistema pode ser usado para reposicionar locomotivas e, dependendo da estrutura e da composição, também para alterar o sentido de um trem. A operação exige espaço e uma configuração de trilhos adequada para a manobra.

Em locais onde não há espaço para uma grande curva ou para um triângulo de trilhos, outra solução é o girador ferroviário.

Trata-se de uma plataforma instalada  sobre os trilhos que pode girar. A locomotiva é posicionada sobre ela e, depois da rotação, ela inverte a direção do trem.

O sistema é mais indicado para locomotivas que possam ser movimentadas individualmente. Por isso, não significa necessariamente que todo um trem seja colocado sobre a plataforma para ser virado.

Em algumas operações de carga, a própria locomotiva pode ser desacoplada dos vagões e levada por um segundo trecho de trilhos até chegar à ponta oposta. Depois de passar para o outro lado, ela é conectada novamente e pode puxar o trem no novo sentido.

Outra possibilidade é usar uma segunda locomotiva que já esteja posicionada na outra ponta. Também existem composições de carga que utilizam locomotivas distribuídas ao longo do trem, o que permite diferentes combinações de funcionamento.

Algumas composições são feitas para circular nos dois sentidos e têm uma cabine de comando em cada ponta. Quando chegam ao terminal, os passageiros desembarcam e o maquinista pode passar para a cabine do outro lado. O trem então é preparado para fazer a viagem de volta sem que os vagões sejam virados.

Já uma composição formada por uma locomotiva e  carros de passageiros funciona de maneira diferente.

Não existe uma única forma de fazer um trem mudar de sentido. A escolha depende da composição, do tipo de serviço e da estrutura disponível na ferrovia.

Segundo a ANTT, a agência não define uma maneira específica para cada ferrovia fazer a mudança de sentido de um trem ou reposicionar uma locomotiva. As empresas responsáveis pelas ferrovias decidem seus próprios métodos de operação, seguindo as normas de segurança e as obrigações de cada concessão.



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