Dinheiro começa a cair na conta de uns, falta na de outros e gera briga e ameaça de desistência nas campanhas

| INVESTIGAMS/WENDELL REIS


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Candidata do PT reclamou de R$ 10 mil para campanha, enquanto Zeca recebeu R$ 250 mil do partido; candidatos do PT comparam situação com o PL, que tem muito mais dinheiro investido.

A falta de recurso começa a atingir as campanhas eleitorais em Mato Grosso do Sul. É o momento em que os candidatos começam a cobrar as promessas feitas antes de abril, prazo final para as mudanças de partido.

Confiando na palavra de lideranças e nas possibilidades de eleição nas chapas, mas principalmente de dinheiro para campanha, muitos candidatos fecharam acordos e agora cobram retorno.

A campanha começou e muita gente não recebeu o recurso prometido oficialmente pelos partidos, o que tem gerado questionamento.

A candidata do PT, Adriane Quilombola, gravou um vídeo de protesto contra a falta de recurso na briga por uma cadeira de deputada estadual. Ela alega que tem recebido pouco recurso para campanha política e fala até em desistência, caso lhe ofereçam recurso para uma campanha digna.

“Confiei na palavra que me foi dada. Coloquei minha história, meu nome, minha credibilidade nesta construção, mas preciso dizer, de forma clara, pública. Dez mil reais é insuficiente  para fazer uma campanha estadual. Não estou falando de luxo, privilégio, mas o mínimo necessário para colocar uma campanha na rua', protestou, reforçando que sempre promessas não são cumpridas para o seu povo.

O candidato Zeca do PT, que tenta a reeleição para deputado estadual, já recebeu R$ 250 mil do partido. Outro candidato do PT, Tiago Botelho, que também não tem mandato, assim como Adriane, recebeu R$ 95 mil.

Luso Queiroz, que disputou a prefeitura de Campo Grande na última eleição e se mudou do PSOL para o PT, recebeu R$ 23 mil. Ele também reclamou da falta de apoio e avaliou até um recuo da candidatura.

Os candidatos do PT comparam a situação precária com adversários do PL. Vivi Tobias (PL), que não tem mandato, já recebeu R$ 400 mil do Partido Liberal para disputar a eleição.

No União Brasil, uma situação chama a atenção. O candidato a deputado federal, Carlos Bernardo, não recebeu um centavo do partido. A reportagem apurou que a justificativa é de que a candidatura dele ainda não foi deferido por conta de um pedido de impugnação. Entretanto, Jerson Domingos, que também teve a candidatura questionada e aguarda solução, já recebeu R$ 400 mil para campanha.

A distribuição de recurso nos partidos, geralmente, é feita conforme a expectativa de voto dos candidatos. Quem tem mandato e tenta a reeleição, geralmente, fica com as maiores fatias. Há também os casos onde os candidatos são apostas dos partidos.

No PL, para deputado federal, Marcos Pollon e Rodolfo Nogueira, que disputam a reeleição, já receberam R$ 1,5 milhão. Mara Caseiro, que não é deputada federal, não ficou para trás. Ela é aposta do grupo de Reinaldo Azambuja e, por isso, recebeu o mesmo valor: R$ 1,5 milhão. Cassy Monteiro, que não tem mandato, recebeu três vezes menos: R$ 500 mil.



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