Esportes
Jardim exalta momento de Lino e critica gramado do Maracanã: "Não está ao nível do Flamengo"
Atacante marcou dois gols na vitória por 3 a 0 sobre o Botafogo e foi grande destaque do clássico pelo Brasileirão
| GLOBOESPORTE.COM / LUIZA Sá
Deu Flamengo no clássico carioca. A equipe comandada por Leonardo Jardim venceu o Botafogo por 3 a 0 na tarde deste domingo, no Maracanã, para se manter na cola do Palmeiras na briga pela liderança do Campeonato Brasileiro. O treinador elogiou Samuel Lino, destaque da partida, e reclamou do gramado.
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Apesar do placar, o técnico reconheceu a oscilação da equipe no clássico, sobretudo na segunda etapa, mas exaltou a qualidade do banco de reservas para retomar o controle do jogo e garantir a vitória.
— Acho que a primeira parte foi muito boa. Infelizmente, mais uma vez, não conseguimos traduzir o domínio nos gols marcados, porque se traduzíssemos podíamos ter saído já no intervalo com mais um gol no mínimo. Na segunda parte, o adversário reagiu, tivemos algumas dificuldades e perdas de bola. Mas acho que as substituições ajudaram a voltar outra vez a ter o controle do jogo.
— Às vezes, a ideia de entrar muito forte na primeira parte, a gente quer fazer gols e não esperar pela segunda, mas tenho a felicidade também de ter banco quando a gente tem toda a gente disponível — completou Jardim.
O Rubro-Negro abriu a vantagem no placar com dois gols de Samuel Lino e fechou o placar com Carrascal — este último um golaço em linda jogada coletiva, na reta final do jogo. Na entrevista, Leonardo Jardim brincou sobre o ótimo momento de Lino no segundo semestre. O atacante é o principal destaque do time e recebeu a melhor nota do clássico na enquete realizada pelo ge.
— Eu estava brincando com ele (Samuel Lino) agora no vestiário sobre isso. Essa grande temporada que ele está fazendo não se deve ao treinador. O treinador só está aqui para não atrapalhar (risos). Não atrapalhar, às vezes, já é bom. Se deve principalmente às capacidades que ele tem desenvolvido, nos jogos e no trabalho diário.
O treinador aproveitou a entrevista para fazer duras críticas ao estado do gramado do Maracanã:
— Com certeza, nós queremos jogar nos melhores gramados. E eu vou vou responder de uma forma simples: o gramado do Maracanã não está ao nível da instituição Flamengo e ao nível da qualidade dos jogadores que temos. Isso não vai servir de desculpa, a gente tem que jogar melhor do que os outros, temos que ter mais qualidade na recepção e o passe tem que ser melhor. Mas com certeza que que não está ao nível daquilo que é a grandeza do Flamengo.
Durante a entrevista, Jardim também comentou sobre as chegadas de possíveis reforços. O clube está perto de acertar as contratações dos atacantes Anthony Valencia, do Royal Antwerp, da Bélgica, e de Joaquín Freitas, do River Plate, da Argentina.
— Serão dois jogadores, o clube sabe que o plantel tem essa necessidade. O que está conversado é buscar jogadores com o perfil dos que saíram. Por exemplo, volantes não precisamos mais (risos). Pontas que jogam por dentro, também temos. O clube está à procura das melhores funções. O que eu indico sempre aos clube sé o perfil. No perfil, vamos ter as respostas que queremos dar em todos os jogos, para não termos jogadores iguais para as mesmas posições — afirmou o treinador
Com a vitória deste domingo, o Fla chegou aos 48 pontos e, no momento, está a três pontos de distância do líder, que tem 51. O Palmeiras, no entanto, ainda vai a campo na rodada e enfrenta o Mirassol neste domingo.
Outros pontos da coletiva
Qual o impacto da ausência do Plata?
— Na minha carreira, com exceção do Monaco, tive a possibilidade de fazer um elenco à minha maneira. Nos outros clubes, sempre tive que me adaptar ao que existe. O Flamengo é igual. Todos os outros clubes tive que chegar e tive que ganhar jogos. Se tenho que ganhar jogos, tenho que colocar os jogadores nas melhores situações para que isso seja possível.
Você concordou com a negociação do Plata?
— Não tenho que concordar com as decisões do clube, é a mesma coisa que as pessoas do clube concordarem se eu faço bem substituição ou treino. Se não concordarem, me mandam embora, é fácil de resolver (risos). Mas não tem que concordar. Cada um faz o seu papel. Eu tenho que treinar aqueles que estão aqui
A falta do jogador de grande nível que foi prometido te preocupa?
— Volto a dizer, minha função é treinar os que aqui estão. Tenho que treiná-los para preparar para o próximo o jogo, e depois e depois. Não tenho a função de trazer jogadores. Aqui no Brasil, se o treinador escolhesse os jogadores, seria complicado. O Flamengo tem pessoas dentro do clube com essa responsabilidade, tem lideranças dentro do clube que orientam para onde são as funções. Por isso, o treinador tem que treiná-los.
Como tem sido o trabalho de movimentações para gerar espaço nas costas da última linha?
— No futebol, a gente não utiliza uma palavra específica. Mas lembro que, no basquete, existe o "aclarar", que é ceder espaço para alguém atuar nesse espaço. Eu não gosto de jogadores estáticos, não gosto de jogadores em cima da linha. E, claro, alguns jogadores têm que se aclarar para criar os outros espaços. No futebol, são diferentes apoios, pode ser o facão, como dizem no Brasil, no movimento vertical, lateral, troca de posição. São ideias que eu pessoalmente gosto, porque dificulta quem defende e dá dinâmica quando temos a bola, o que é importante.
Chega a pensar no Lorran como 9 ou segundo atacante?
— Eu tenho um menino da base no banco, mas qual é a minha análise do jogo? Se eu tivesse um centroavante, eu teria tirado o Pedro uns 10, 15 minutos antes. Mas não tinha, só o menino. Se tira o Pedro, a gente ganhando um 1 a 0, se sai o empate, depois o que vão dizer? "P*, burro que é o treinador, tirou o centroavante, este treinador é um burro!". Eu aguentei o máximo, mas eu sabia que a gente precisava de profundidade porque o Botafogo estava subindo as linhas e agente tinha aquele espaço para aproveitar. Depois, a substituição do Pedro foi feita antes do 2 a 0. Quando faz o 2 a 0, o Lino passou para atacante e passou a dar a profundidade que a gente pretendia, e isso melhorou o nosso jogo. Por isso, eu aguentei. Essa é a importância de ter soluções para não existir essa situação. Foi só por isso. O Lorran começou a treinar conosco esta semana, para entrar em um clássico para resolver o jogo... Se estivesse 3 a 0, já tinha colocado o menino para ganhar alguns minutos. Como não era isso, tivemos que definir outra estratégia.
Pesa de que maneira o fato de o Flamengo estar disputando apenas duas competições, e o Palmeiras, três?
— Sinceramente, é difícil fazer futurologia. Mas uma coisa é certa: nós trabalhamos diariamente desde o início do processo, peguei a equipe na terceira rodada, a equipe estava com quatro pontos em nove. O principal objetivo era aproximar da liderança, que ainda não conseguimos, estamos a três pontos. A importância é nós nos prepararmos, sermos fortes em campo, mostrar os nossos atributos. Fico satisfeito porque somos uma equipe que tem muitos gols, que tem um jogo ofensivo, mas isso não é suficiente. O suficiente é ganhar todos ou a maioria dos jogos e chegar no fim do campeonato com mais pontos que os adversários.
E a quantidade de competições? Faz diferença?
— Estamos a falar de quantos jogos? Dois? Quatro? Talvez não seja isso que faça a diferença. O Palmeiras tem um jogo agora na Copa do Brasil, 3 a 0 de vantagem, não vem sendo eliminatórias com grande gasto. Mas temos que nos preocupar conosco, com o que temos. Isso que é o fundamental.
Com a possível chegada dos reforços, como faz para encaixar todo mundo?
— Encaixar todo mundo é o que as pessoas gostam (risos). Tem coisas positivas, mas, com a série de jogos, também vai cansar. Quando cansar, todo mundo vai cansar. Isso pode nos prejudicar. Jorginho cansou, Arrasca, todo mundo cansou ao mesmo tempo. Com a nossa gestão, o que a gente proporciona? Por exemplo, agora contra o Mirassol, vou poder usar dois ou três jogadores frescos para a equipe pressionar, trabalhar, ter uma intensidade forte. Essa é a nossa ideia, mais do que tentar encaixar todos os jogadores. Estou explicando porque, às vezes, só encaixar todos os jogadores não é o melhor. Se encaixar todos, a gente fica só com um jogador na frente com velocidade, que é o Lino. O resto é mais jogador de bola no pé. Isso vai desequilibrar. Por isso, às vezes tento ter mais um jogador para o adversário nãoo nos pressionar. Essa é a importância de termos funções. O Flamengo não é uma equipe, não são 11. O Flamengo é um manto, é muita gente junto. O Flamengo somos nós todos, são os jogadores que entram, que ficam no banco, que são substituídos. Somos todos.
Queda de produção no segundo tempo: o que acontece?
— Às vezes, não vejo isso. Às vezes estamos no jogo. Como você disse, o Flamengo amassa o adversário. Do outro lado, tem uma equipe que sente "eles já chutaram 10 vezes e só fizeram um gol", ficam com confiança. E aí voltam para a segunda parte e reagem. Porque, se tivessem entrado uma ou duas bolas, não haveria essa conversa. Quem disputa esporte sabe que tem isso, "eles não estão conseguindo". Não é que a equipe relaxou, que os jogadores estão convencidos, não. Depois, o cansaço que pode acontecer na segunda parte não é logo no início, porque eles vêm de 15 minutos de intervalo. O cansaço é mais a partir dos 30, aí temos que jogar com os jogadores que temos no banco, aí temos que ter capacidade de mexer. O nosso jogo é desgastante. Já ouvi "ah você pode jogar um futebol mais direto". Eu vou jogar um futebol direto para quem? Para o Arrascaeta, o Pedro, o Lino? Para quem? Não tenho jogadores para jogar um jogo direto. Por isso, tenho que ter essa pressão, temos que pressionar em conjunto para não deixar o Pedro pressionar sozinho. É uma estratégia de desgaste. Eventualmente, se saísse do intervalo com 2 a 0, o adversário já via ter outra postura. Isso é o esporte.
Essa queda de produção no segundo tempo tem a ver com parte física e psicológica também?
— Eu posso defender a parte física, talvez o nosso melhor momento no jogo foi entre os 80 e 90. O que eu acho é que às vezes acontece uma reação do adversário, e nós começamos a falhar um passe, dois. Hoje tivemos ali quatro ou cinco passes, Royal, Jorginho, Ayrton, parecia que a bola estava quente. "Calma, segura a bola, joga". Às vezes o erro contagia, acho que foi isso. A equipe está focado, no intervalo a gente fala o mesmo do início, que temos que nos impor. E também não é parte física porque acabaram de descansar no intervalo, não podem estar cansados. Tem essa lógica. Mas com certeza queremos voltar melhores, não deixar os adversários reagirem. Por isso, temos que fazer mais um gol no primeiro tempo e resolver.
Como é teu dia a dia com o Cebolinha? Está nos planos?
— O Everton é um jogador que todo mundo sabe a situação, está em fim de contrato. É um jogador que está a três, quatro meses de acabar a temporada, às vezes temos que apostar em outros jogadores. É isso que eu tenho feito. Ele teve problema, gripado muito tempo
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