Do bônus trocado por uma moto ao Flamengo: Jonas diz como virou o "Schweinsteiger do Sertão"

Hoje no Operário-MS, volante fala ao ge sobre o início no Piauí, a passagem pelo Flamengo, o apelido inspirado no craque alemão e os rumos da carreira aos 35 anos

| GLOBOESPORTE.COM / GUILHERME XAVIER


Bastian Schweinsteiger e Jonas Sousa, o "Schweinsteiger do Sertão", lado a lado — Foto: Reprodução
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Jonas Sousa abriu mão do bônus do primeiro contrato profissional para comprar uma moto e facilitar o caminho até os treinos no Piauí. Anos depois, chegaria ao Flamengo carregando um apelido improvável: "Schweinsteiger do Sertão".

Hoje no Operário-MS, o volante de 35 anos revisitou ao ge a trajetória que começou na periferia de Teresina, passou pelo Sampaio Corrêa, ganhou projeção nacional no Flamengo e seguiu por Croácia, Arábia Saudita, Bahia e Retrô.

A comparação com o ex-meio-campista alemão Bastian Schweinsteiger, campeão do mundo em 2014, virou marca de carreira. Jonas diz que a associação vinha mais da aparência do que do estilo de jogo.

– Os caras me chamavam mais de Schweinsteiger do Maranhão, Schweinsteiger do Sertão. Eu até acompanhava o Schweinsteiger jogando no futebol alemão. Era mais ou menos parecido, né? Era muito mais qualidade, não tinha aquele muito poder de marcação que eu tinha, mas jogava muito — disse, antes de prosseguir:

– Ele era um volante mais meia, armava muito bem para controlar o jogo. Mas eu acho que eles me comparavam mais pelo rosto, pela fisionomia ali, pela minha aparência. Porque em futebol o homem tinha de sobra, era um craque. Então foi uma honra, assim, um privilégio – analisou.

Segundo Jonas, o apelido nunca foi um peso. Pelo contrário: serviu como motivação.

– Isso te induz a ser melhor do que tu é. Às vezes o cara faz essa junção e aí tu começas a querer se empolgar para estar sempre melhor do que tu és. Depois disso aí, para ter ideia, comecei a acompanhar mais, comecei assistir o vídeo, os jogos dele, então eu achei que foi uma coisa bacana.

A moto do primeiro contrato

Nascido em Teresina, em outubro de 1991, Jonas começou no futebol ainda criança, na Escolinha do Professor José Nunes. Depois, foi para o Fluminense do Piauí. Nessa época, acordava às 4h da manhã e pegava dois ônibus até o centro de treinamento.

Quando surgiu a chance de assinar o primeiro contrato profissional, preferiu trocar o bônus previsto no acordo por uma moto.

– Troquei o bônus pela moto e conseguiu ir mais tranquilo para treinar. Foi determinação, dedicação. Eu não pensava só no dinheiro, sabe? Meu desejo era crescer profissionalmente. Então eu falei, não, só me dá uma "mota" aí que eu vou deixar aqui e vamos dar uma engrenada – brincou.

A projeção veio primeiro no Comercial e, depois, no Sampaio Corrêa, clube que o levou ao cenário nacional. Em 2013, foi um dos destaques da campanha de acesso à Série B. No ano seguinte, passou a chamar a atenção de clubes da elite.

– Sou muito grato aos times do Piauí, mas também tenho uma gratidão imensa pelo Sampaio Corrêa. Foi dali que eu fui para o cenário nacional, abriu as portas.

A chegada ao Flamengo

Antes de acertar com o Flamengo, Jonas esteve perto do Corinthians, então comandado por Tite. Chegou a ir a São Paulo, mas a negociação não avançou.

Na sequência, recebeu o convite do Flamengo em ligação de Vanderlei Luxemburgo.

– Eu cheguei a ir para São Paulo, conversei com o presidente, só que eu não tinha visto americano. O Corinthians ia fazer pré-temporada nos Estados Unidos, acabou que não deu certo – lembrou.

– O Luxemburgo me ligou, imagina isso, eu no Sampaio Corrêa e o Luxemburgo me liga querendo me levar para o Flamengo. Treinou o Real Madrid, seleção brasileira, tudo. Fiquei muito feliz, assim, nem pensei duas vezes. E no Flamengo ali, no Maracanã, a atmosfera é sensacional, sabe?

No clube carioca, o apelido de "Schweinsteiger do Sertão" acabou dividindo espaço com outro.

Jonas também esteve no elenco durante o episódio que ficou conhecido como "Bonde da Stella". Segundo ele, a repercussão aumentou quando os resultados deixaram de aparecer.

– Eu nunca participei, nunca gostei, nunca fui de bebida. Quando virei profissional, realmente abri mão de tudo, até porque eu vi de um bicho de algum jeito, minha mãe e tudo, e eu sempre fui um cara mais centrado. Não tenho nada contra, todo mundo tem que ter o momento de lazer.

No Flamengo, marcou gols em clássicos e participou de um período de reestruturação do clube. Jonas cita uma conversa com o então presidente Eduardo Bandeira de Mello sobre o futuro da equipe.

– O Bandeira foi bem claro ao dizer que o Flamengo ainda estava se montando, mas que mais à frente seria campeão de grandes coisas, com a melhor estrutura, e realmente foi isso.

– De repente, estou jogando com Diego Ribas, Diego Alves. Joguei com o Juan, Júlio César, Léo Moura. Uma galera que eu assisti pela TV, acompanhei desde moleque e tive o privilégio de poder jogar com esses caras. Então eu tinha prazer de correr para eles, vencedores.

Exterior, volta ao Brasil e fase atual

Depois de 2015, Jonas saiu por empréstimo para Ponte Preta, Dínamo de Zagreb e Coritiba. Na Croácia, teve de lidar com a barreira da língua.

– Quando eu fui comer no restaurante, eu pedi uma comida, isso tanto na Croácia como na Arábia, acertei no prato, tirei foto e comecei a pedir aquela mesma coisa todo dia.

Mais tarde, também jogou no Al-Ittihad, da Arábia Saudita, antes de retornar ao Brasil para defender Bahia e Retrô. Em Pernambuco, foi campeão da Série D.

Desde dezembro do ano passado, Jonas atua no Operário-MS. Aos 35 anos, segue em atividade e diz olhar com atenção para a formação dos atletas mais jovens.

– A gente ajuda, dá as coordenadas. Hoje essa galera mais jovem é um pouco cabeça dura, eles pensam que o futebol é só treinar e ir para casa, mas não é assim. Se você não se cuidar, você não consegue jogar.

Jonas revelou que ainda não fez planos para o fim da carreira. A ideia, por enquanto, é seguir em campo.



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