Asteroide gigante ficará mais perto da Terra que satélites geoestacionários

Rocha espacial de cerca de 375 metros ficará a aproximadamente 32 mil km do planeta, em uma passagem considerada rara pelos cientistas

| ÚLTIMO SEGUNDO / NATHáLIA FONTESNATHáLIA FONTESFORMADA EM JORNALISMO PELA UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA (UFJF), COM EXPERIêNCIA EM GESTãO DE REDES SOCIAIS E PRODUçãO DE REPORTAGENS. AO LONGO DA CARREIRA, COLABOROU COM VEíCULOS COMO TRIBUNA DE MINAS


Foto: Divulgação
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Um asteroide  com cerca de 375 metros de diâmetro fará uma aproximação excepcional da Terra em abril de 2029. Conhecido como 99942 Apophis, o objeto passará a aproximadamente 32 mil quilômetros da superfície terrestre, uma distância inferior à órbita dos satélites geoestacionários.

Apesar da proximidade impressionante, não há previsão de colisão com a Terra. Os cálculos da trajetória foram refinados ao longo dos anos, e as agências espaciais consideram a passagem segura. O que chama a atenção agora é a oportunidade científica proporcionada pelo encontro.

A aproximação máxima está prevista para 13 de abril de 2029. Na ocasião, Apophis estará a cerca de 32 mil quilômetros da superfície terrestre.

Para se ter uma ideia, essa distância representa menos de um décimo do caminho entre a Terra e a Lua  e fica abaixo da altitude em que estão os satélites geoestacionários. A NASA considera que será a aproximação mais próxima de um  asteroide desse tamanho já conhecida antecipadamente pelos cientistas.

O fenômeno também poderá ser observado a olho nu em algumas regiões do planeta, especialmente em partes da Europa, África e Ásia, dependendo das condições do céu.

O Apophis não vai colidir com o planeta. Contudo, quando foi descoberto, em 2004, o asteroide chegou a provocar preocupação, porque os primeiros cálculos indicavam uma possibilidade de impacto futuro.

Com novas observações e medições mais precisas de sua órbita os pesquisadores conseguiram eliminar esse cenário para a aproximação de 2029.

Atualmente, a NASA  afirma que não há risco de Apophis atingir a Terra durante pelo menos o próximo século.

O perigo não está em uma colisão, mas no que os cientistas poderão aprender durante o encontro.

A passagem extremamente próxima fará com que a gravidade terrestre exerça uma influência significativa sobre Apophis.

Essa interação poderá provocar alterações na rotação, na orientação e na superfície do asteroide. Os pesquisadores também esperam investigar a possibilidade de movimentação de materiais e outras mudanças provocadas pelas forças de maré.

Essas informações são importantes porque podem ajudar a compreender melhor a estrutura, a composição e o comportamento de asteroides que passam perto de planetas.

Além do próprio asteroide, existe outro fator de interesse dos pesquisadores, já que a região pela qual Apophis passará possui objetos artificiais e detritos em órbita.

Os estudos consideram a possibilidade, ainda pequena, de o asteroide encontrar algum desses fragmentos durante sua passagem. Um impacto desse tipo não teria força para jogar Apophis contra a Terra, mas poderia produzir alterações na superfície.

Uma colisão poderia criar uma pequena cratera e espalhar material do asteroide. Isso também poderia complicar a análise científica, visto que os pesquisadores teriam de separar as mudanças causadas pela gravidade terrestre daquelas provocadas por um eventual impacto.

A passagem de Apophis será acompanhada de perto por missões espaciais. A Agência Espacial Europeia prepara a Ramses, que deverá observar o asteroide antes, durante e depois de sua aproximação com a Terra. O objetivo é registrar como o objeto reage às forças gravitacionais do planeta.

A NASA também utilizará a OSIRIS-APEX, missão que originalmente foi desenvolvida a partir da sonda OSIRIS-REx. A nave deverá estudar Apophis depois da passagem mais próxima, permitindo comparar suas características antes e depois do encontro com a Terra.

A aproximação de 2029 é considerada uma oportunidade excepcional porque um objeto do tamanho de Apophis raramente passa tão perto da Terra. Estimativas citadas por pesquisadores indicam que encontros dessa natureza podem ocorrer apenas uma vez a cada milhares de anos.

Por isso, apesar de não representar uma ameaça, Apophis será tratado como um verdadeiro laboratório natural. A observação do asteroide poderá ajudar os cientistas a entender como corpos rochosos respondem à gravidade de planetas e, no futuro, contribuir para estratégias de defesa planetária contra asteroides que eventualmente apresentem risco real.



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