Talvez o problema não seja a empresa. Talvez seja o peso que ela se tornou.

| RODRIGO GONçALVES PIMENTEL (*) / CAMPO GRANDE NEWS


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Durante décadas ele acordou cedo. Construiu, expandiu, comprou terras, abriu novas unidades, aumentou a produção, assumiu riscos, enfrentou crises e fez tudo aquilo que se espera de alguém que decidiu empreender. Durante muito tempo, crescer foi sinônimo de vencer. E talvez tenha sido mesmo.

Mas existe uma pergunta que começa a aparecer em algum momento da vida. Normalmente ela surge em silêncio e quase nunca é feita em voz alta. A pergunta deixa de ser “quanto isso vale?' e passa a ser “quanto isso está me custando?'

Não em dinheiro. Em vida. Em tempo. Em energia. Em paz.

Porque existem negócios que continuam dando lucro, mas já não produzem entusiasmo. Existem patrimônios que continuam crescendo, mas deixaram de gerar liberdade. Existem estruturas que um dia fizeram sentido, mas que hoje passaram a ser carregadas por obrigação.

E isso gera culpa.

Porque fomos educados para construir, mas ninguém nos ensinou a simplificar. Ninguém nos ensinou que, em algum momento, talvez seja necessário reorganizar, reduzir, profissionalizar, delegar ou simplesmente mudar.

Muitas vezes o empresário continua carregando tudo sozinho. Não porque precisa, mas porque acredita que parar é desistir. Que simplificar é fracassar. Que mudar é abandonar tudo aquilo que construiu.

Mas talvez exista uma diferença enorme entre construir patrimônio e carregar patrimônio.

Porque nem todo patrimônio produz liberdade. Alguns produzem prisão.

E talvez uma das maiores demonstrações de maturidade não seja saber construir. Talvez seja saber escolher. Escolher onde continuar investindo energia. Escolher o que faz sentido preservar. Escolher aquilo que merece continuar sendo carregado.

Porque patrimônio pode ser reconstruído.

Tempo não.

E talvez o ativo mais valioso da segunda metade da vida não seja aquilo que ainda falta conquistar.

Talvez seja a liberdade de escolher como viver aquilo que já foi conquistado.

(*) Rodrigo Gonçalves Pimentel é advogado (OAB/SP 421.329 | OAB/DF 68.003 | OAB/MS 16.250), empresário e corretor de imóveis (CRECI/MS 11.939). Sócio do Pimentel & Mochi Advogados e gestor da Todeschini MS e RP Imóveis. Foi Secretário de Governo e Presidente da Fundação de Cultura de Campo Grande.

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