Policial
Indígenas bloqueiam estrada durante reunião com Funai em Sidrolândia
Impasse ocorreu durante visita de representantes federais; PM mantém reforço em fazendas da região
| INARA SILVA / CAMPO GRANDE NEWS
Um grupo de indígenas da Terra Indígena Buriti bloqueou, nesta terça-feira (16), uma estrada vicinal de acesso à aldeia durante uma reunião com representantes da Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) e do Ministério dos Povos Indígenas. O bloqueio ocorreu em meio às discussões sobre a reivindicação territorial que envolve fazendas localizadas na região de Sidrolândia e que, segundo as lideranças indígenas, se sobrepõem à área tradicional do povo Terena.
De acordo com a Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, cerca de 30 a 50 indígenas participaram da mobilização. O grupo teria solicitado que os representantes federais apresentassem informações sobre os limites entre as propriedades rurais e a terra reivindicada pelos indígenas. Durante o encontro, o deslocamento de indígenas e servidores acabou provocando o fechamento da estrada, impedindo a passagem de civis que utilizavam a via.
Segundo o comandante da 8ª CIPM (Companhia Independente da Polícia Militar), major Francisco Rogeliano, algumas pessoas que tentavam acessar fazendas da região retornaram após o bloqueio.
“Os indígenas estão junto com o pessoal da Funai decidindo se a discussão vai ser levada para dentro da aldeia ou para outro ponto. Nossas equipes permanecem no local acompanhando a situação', afirmou.
A estrada bloqueada é uma via vicinal que dá acesso à sede da aldeia Buriti e também a propriedades rurais da região. Conforme a PM, o impasse estava sendo acompanhado por equipes policiais e representantes federais, enquanto se buscava uma solução para a liberação da passagem.
Policiamento reforçado - A presença policial na região foi intensificada após os acontecimentos registrados no fim de semana. Segundo o major Rogeliano, aproximadamente 25 policiais militares estão mobilizados diariamente em cinco ou seis viaturas para garantir a segurança das propriedades rurais e monitorar a situação.
“Estas fazendas e as demais vizinhas estão sob policiamento diuturno e sem alterações desde os acontecimentos de domingo', afirmou.
Além do efetivo empregado na zona rural, equipes de apoio permanecem de prontidão na área urbana de Sidrolândia. O comandante informou ainda que, neste momento, não há fazendas ocupadas pelos indígenas.
A tensão na região aumentou após indígenas entrarem, no sábado (13), na sede da Fazenda São Sebastião, localizada a cerca de 70 quilômetros de Campo Grande. Segundo a Polícia Militar, quando equipes do Batalhão de Choque chegaram ao local no domingo (14), não havia mais indígenas na propriedade. Os policiais encontraram apenas danos materiais.
De acordo com o major Rogeliano, houve incêndio em uma residência da fazenda, além de danos e retirada de materiais da propriedade. Após o episódio, a PM passou a manter vigilância permanente nos acessos às fazendas São Sebastião, Ana Clara e Vassouras, consideradas áreas sensíveis dentro do conflito fundiário.
Disputa - A mobilização ocorre em meio a uma disputa territorial antiga envolvendo a Terra Indígena Buriti. As lideranças indígenas dizem que a Fazenda São Sebastião está localizada em uma área que integra os 17,2 mil hectares reivindicados pelo povo Terena. A proprietária, no entanto, afirma que as terras são legalizadas em nome de sua família.
Os indígenas afirmam que o processo de demarcação está paralisado desde 2013 e cobram providências do governo federal para a conclusão da regularização fundiária.
Embora a sede da Terra Indígena Buriti esteja localizada no município de Dois Irmãos do Buriti, a área reivindicada pelos indígenas se estende também por Sidrolândia, onde se concentra parte das propriedades rurais alvo da disputa.
Segundo a Polícia Militar, a reivindicação indígena envolve fazendas que, na avaliação das comunidades, estariam inseridas dentro dos limites da terra tradicional. A questão é objeto de processos judiciais e de negociações conduzidas ao longo dos anos por órgãos federais, entre eles a Funai e o Ministério dos Povos Indígenas.
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