Brasil/Mundo
Homem encontra anel romano de ouro maciço escondido há séculos
Uma joia de quase 48 gramas traz imagem da deusa Vitória e pode ter pertencido a uma das figuras mais poderosas da Britânia
| ÚLTIMO SEGUNDO / ARTHUR FELIPE FARIASARTHUR FELIPE FARIASARTHUR FARIAS é JORNALISTA FORMADO PELA FIAMFAAM, NO IG ESCREVE SOBRE VARIEDADES E TEM PASSAGEM POR JORNAL DIáRIO, REVISTA, PORTAIS DE NOTíCIAS E AGêNCIAS. AMA ESCREVER E CONTAR HISTóRIAS!
Um homem que utilizava um detector de metais em um campo no condado de Somerset, no sul da Inglaterra, fez uma descoberta extraordinária ao encontrar um anel romano de ouro maciço enterrado há cerca de 1.700 anos. A peça, considerada uma das mais importantes joias romanas já descobertas no Reino Unido, surpreendeu arqueólogos pelo estado de conservação e pela riqueza de detalhes. As informações são do The Guardian.
Kevin Minto, motorista de caminhão aposentado e entusiasta da detecção de metais, acreditava ter localizado apenas mais uma antiga moeda de bronze corroída quando ouviu o sinal do equipamento. Em vez disso, retirou do solo um anel de aproximadamente 48 gramas de ouro sólido, muito acima do peso comum para objetos semelhantes encontrados no país.
Batizada de 'Anel de Ilminster', a joia possui uma larga estrutura dourada e uma pedra preciosa de tonalidade azul-acinzentada incrustada na parte frontal. Nela está gravada, por meio da técnica conhecida como intaglio, em que o desenho é esculpido para dentro da superfície, a figura da deusa romana Vitória conduzindo uma carruagem puxada por dois cavalos.
Na representação, a divindade aparece alada e usando capacete, segurando as rédeas e um chicote enquanto dirige um carro de guerra com rodas de quatro raios. Durante o período romano, Vitória simbolizava o triunfo militar, o sucesso nas batalhas e o poder do Império.
Especialistas acreditam que o anel tenha sido enterrado por volta do ano 297 d.C. junto com um tesouro que incluía 297 moedas romanas, além de objetos de chumbo e peças de cerâmica. A hipótese mais aceita é que seu proprietário tenha escondido os bens de forma deliberada, planejando recuperá-los posteriormente, algo que nunca aconteceu.
Segundo os pesquisadores responsáveis pela análise, a grande quantidade de ouro empregada na fabricação indica que o dono pertencia à elite da sociedade romana. Entre as possibilidades estão um governador local, um rico comerciante ou um grande proprietário de terras, alguém que provavelmente utilizava a joia em cerimônias oficiais ou eventos públicos importantes.
A arqueóloga Amal Khreisheh, curadora sênior do South West Heritage Trust, destacou que a combinação entre o peso elevado do anel, o refinado trabalho em ouro e a qualidade excepcional da gravação torna a peça praticamente sem paralelo entre os achados britânicos, encontrando equivalentes apenas em descobertas feitas no continente europeu.
O contexto histórico ajuda a explicar por que objetos tão valiosos eram escondidos. No final do século III, a Britânia Romana enfrentava um período de instabilidade marcado por invasões, conflitos políticos, mudanças de alianças e ações de saqueadores, levando muitos habitantes abastados a enterrar moedas e riquezas na esperança de recuperá-las quando a situação se estabilizasse.
Minto começou a explorar o terreno em 2017 e encontrou diversas moedas romanas antes de descobrir o anel no ano seguinte. Em entrevista ao jornal The Guardian, afirmou que a sensação foi indescritível e comparou o momento a ser atingido por um trem em alta velocidade. Inicialmente, pensou ter encontrado uma moeda e depois um broche, até perceber que segurava uma peça de ouro de valor histórico excepcional.
Agora, os pesquisadores pretendem realizar novos estudos para descobrir se o anel foi produzido na própria Britânia Romana ou importado de outra região do Império. Eles também investigam uma urna funerária revestida de chumbo encontrada no mesmo campo, que pode ter alguma ligação com a pessoa responsável por esconder o tesouro.
Antes de integrar permanentemente o acervo do Museu de Somerset, na cidade de Taunton, o Anel de Ilminster deverá participar de uma exposição itinerante voltada a escolas da região, permitindo que estudantes conheçam de perto uma das descobertas arqueológicas mais impressionantes dos últimos anos na Inglaterra.
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