Exército prende três militares condenados no núcleo 4 da trama golpista; 2 estão foragidos

Grupo disseminava notícias falsas para criar instabilidade institucional que favorece uma tentativa de golpe. Prisão ocorre após relator Moraes decretar que não cabem mais recursos e a pena deve ser executada de forma definitiva.

| G1 / MáRCIO FALCãO, CAMILA BOMFIM, ANA FLáVIA CASTRO


Núcleo 4 da trama golpista — Foto: Reprodução/GloboNews
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O Exército Brasileiro prendeu, nesta sexta-feira (10), três militares que integram o grupo de sete condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no núcleo 4 da trama golpista. Com isso, eles passam a cumprir de forma definitiva as penas de 13 a 17 anos de prisão a que foram condenados.

Os réus foram condenados por disseminar notícias falsas para criar instabilidade institucional que favorece uma tentativa de golpe de Estado.

O objetivo era manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no poder, apesar da derrota nas urnas em 2022 (entenda mais sobre a condenação abaixo).

A ação ocorre após o relator do caso no Supremo, ministro Alexandre de Moraes, decretar também para este grupo o trânsito em julgado — ou seja, que não cabem mais recursos da defesa dos réus e a pena deve começar a ser cumprida de forma definitiva em unidades prisionais.

Foram presos:

➡️Ângelo Denicoli, major da reserva do Exército. Foi preso em casa, no Espírito Santo, e ficará preso no 38º Batalhão do Exército de Vila Velha (ES);➡️Giancarlo Rodrigues, subtenente do Exército. Ficará no Batalhão do Exército em Brasília;➡️Guilherme Almeida, tenente-coronel do Exército. Também cumprirá pena no Batalhão do Exército em Brasília.

A defesa de Ângelo Martins Denicoli disse repudiar o que chamou de "prisão açodada" do major da reserva do Exército, porque, segundo o advogado, ainda está pendente a análise de um recurso que foi apresentado contra a condenação do militar.

Foragidos

O coronel do Exército Reginaldo Abreu , que também deveria ter sido preso pelo Exército nesta sexta, está nos Estados Unidos e é considerado foragido.

A defesa de Reginaldo Abreu afirmou, em nota, que o coronel deixou o país "de forma absolutamente legal, uma vez que, à época de sua saída, não havia qualquer ordem judicial restritiva".

O militar deixou o país, conforme a defesa, no dia 3 de março de 2025. Ou seja, dias após ser denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por envolvimento na trama golpista.

"Atualmente, o coronel Reginaldo reside legalmente no exterior e, em contato recente com a defesa, informou que, neste momento, não há previsão de retorno ao Brasil", afirmou o advogado Diego Marques.

O defensor disse ainda que Reginaldo Abreu entrou com pedido de asilo político nos Estados Unidos .

Outro considerado foragido é Carlos César Moretzsohn Rocha, presidente do Instituto Voto Legal, que estaria no Reino Unido. A prisão dele é responsabilidade da PF.

Também condenado na ação, o agente da Polícia Federal Marcelo Bormevet está preso desde 2024. Com o trânsito em julgado, ele passa a cumprir a pena de forma definitiva nesta sexta (10).

Trânsito em julgado

➡️Nesta semana, terminou o prazo para que as defesas apresentassem um segundo recurso questionando a condenação.

O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, entendeu que os recursos mais recentes apresentados pelas defesas se tratavam de medidas apenas para adiar as punições aos condenados, por isso, encerrou a fase de recursos e determinou a execução da pena.

Após a decisão, coube ao Exército efetuar as prisões no caso de quatro dos condenados. Um deles está fora do país, por isso não foi preso.



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