Morte de mulher em Anastácio faz MS chegar ao 6º feminicídio de 2026

Suspeito tentou apontar caso como suicídio, mas confessou que asfixiou a esposa dentro de casa em Anastácio

| A CRíTICA


Leise Aparecida Cruz foi encontrada morta em Anastácio
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Mato Grosso do Sul chegou ao 6º feminicídio registrado em 2026 com a morte de Leise Aparecida Cruz, de 41 anos, em Anastácio, a 122 quilômetros de Campo Grande. Ela foi encontrada sem vida na noite de sexta-feira (6), dentro da casa onde morava, na Rua Professora Cleusa Batista. O principal suspeito é o marido, Edson Campos Delgado, de 43 anos, que primeiro tentou sustentar a versão de suicídio, mas acabou confessando o crime e foi preso em flagrante pela Polícia Civil.

De acordo com as informações apuradas pela polícia, o caso mobilizou equipes da Delegacia de Polícia Civil de Anastácio e da Seção de Investigações Gerais (SIG) da 1ª Delegacia de Polícia de Aquidauana. O corpo de Leise foi localizado no interior do imóvel, e a princípio a morte não apresentava sinais externos claros de violência, o que deu margem à tentativa do suspeito de apontar para um suicídio.

Logo após o acionamento, policiais civis e a equipe de perícia foram ao local. O imóvel já estava preservado pelo Corpo de Bombeiros, que havia confirmado o óbito. A partir daí, as primeiras diligências passaram a confrontar o relato do marido com os elementos colhidos na cena.

Conforme a versão inicial apresentada por Edson, ele teria saído para trabalhar por volta das 7h, deixando a esposa em casa. Disse que retornou por volta das 13h para levar o almoço e que, naquele momento, Leise aparentava estar bem. Em seguida, voltou ao serviço. Já à noite, por volta das 22h30, relatou ter encontrado a residência escura, o que considerou estranho.

Segundo ele, a porta principal estava trancada e, por isso, entrou por outra porta que tinha um vidro quebrado. Dentro da casa, encontrou a esposa deitada de bruços na cama, sem responder aos chamados, e acionou o Corpo de Bombeiros. Em seu primeiro depoimento, Edson sustentou que poderia se tratar de suicídio, mencionando inclusive que a vítima sofria de depressão, usava medicação controlada e já teria tentado tirar a própria vida anteriormente.

Ele também disse que Leise reclamava de dores no estômago após usar Mounjaro, medicamento para perda de peso adquirido no Paraguai. Todas essas informações foram registradas pela polícia, mas, com o avanço da investigação, acabaram confrontadas por novos elementos técnicos e contradições do próprio suspeito.

Perícia aponta morte violenta e derruba versão de suicídio

Enquanto o marido defendia a hipótese de morte sem violência aparente, a Polícia Civil recebia os primeiros dados do exame necroscópico e cruzava as informações com o que havia sido encontrado na residência. Esses indícios passaram a apontar para uma possível morte violenta, incompatível com a narrativa inicial do suspeito.

Segundo a Polícia Civil, o trabalho foi feito de forma integrada e contínua pelas equipes de Anastácio e do SIG de Aquidauana. Investigadores realizaram entrevistas, levantamentos de informações e análise de todos os elementos coletados nas diligências. As contradições no relato de Edson chamaram a atenção dos policiais e reforçaram a necessidade de aprofundar o interrogatório.

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Diante da pressão dos fatos e dos laudos preliminares, o marido mudou a versão. Ele confessou ter agredido Leise durante uma discussão na manhã do dia do crime. Em depoimento, admitiu que a segurou pelo pescoço e a empurrou contra a parede, o que resultou na morte da esposa por asfixia.

A descrição de Edson, somada às evidências periciais, confirmou que se tratava de uma morte violenta, enquadrada como feminicídio — assassinato de mulher em contexto de violência de gênero, em geral cometido por companheiros ou ex-companheiros.

Suspeito é preso e caso segue em investigação

Com a confissão e os elementos reunidos ao longo das diligências, a Polícia Civil deu voz de prisão a Edson Campos Delgado, que foi conduzido à unidade policial e permanece à disposição da Justiça. A prisão é fruto da atuação conjunta e rápida das equipes de Anastácio e Aquidauana, que conseguiram esclarecer o caso em curto espaço de tempo.

Perícia no local e exame necroscópico foram oficialmente requisitados para detalhar o mecanismo da asfixia, o horário provável da morte e outras circunstâncias que serão incluídas no inquérito. Esses laudos são fundamentais para robustecer a acusação e confrontar definitivamente as versões apresentadas pelo suspeito.

A Polícia Civil destacou que a atuação integrada das equipes mostra o compromisso da instituição no combate à violência contra a mulher e na responsabilização de autores de crimes graves. O inquérito seguirá com a oitiva de testemunhas, análise de laudos e aprofundamento do histórico do casal, até ser concluído e remetido ao Ministério Público e ao Poder Judiciário.

6º feminicídio do ano reacende alerta em Mato Grosso do Sul

A morte de Leise Aparecida Cruz é o 6º feminicídio registrado em Mato Grosso do Sul em 2026, número que reforça a gravidade da violência contra a mulher no Estado. O crime, cometido dentro de casa e inicialmente encoberto por uma versão de suicídio, expõe novamente o risco que muitas mulheres correm no ambiente doméstico, em relações marcadas por agressões e controle.

O caso de Anastácio evidencia a importância de que vizinhos, familiares e a comunidade em geral fiquem atentos a sinais de violência e não hesitem em acionar a polícia diante de qualquer suspeita. Também reforça a necessidade de fortalecer a rede de proteção, com canais de denúncia acessíveis, apoio psicológico, abrigo e acompanhamento jurídico para mulheres em situação de risco.

Mulheres que enfrentam ameaças, agressões ou qualquer tipo de violência doméstica podem procurar delegacias, inclusive unidades especializadas, além de acionar o 190 (emergência) e a Central de Atendimento à Mulher pelo número 180. Cada denúncia pode ser decisiva para evitar que a violência evolua para casos extremos como o de Leise.



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