Médica denuncia à Polícia uso indevido de seu nome em laudo falso para arrecadar doações

| VINICIUS SANTOS / JORNAL ALERTA DOURADOS


Foto: Divulgação
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Uma médica pediatra de São Paulo procurou a Polícia Civil após descobrir que seu nome está sendo utilizado de forma indevida em um laudo médico falso, usado para embasar pedidos de ajuda financeira divulgados na internet, em Mato Grosso do Sul e em outros estados do Brasil.

O documento fraudulento vem sendo utilizado em campanhas de vaquinhas virtuais e solicitações de doações via PIX, associadas a uma suposta paciente que se apresenta como Ana Carolina Alves, de 35 anos, enfrentando um câncer de mama do tipo HER2 positivo. Segundo os sites e redes sociais que divulgaram os pedidos, a suposta paciente estaria impossibilitada de trabalhar.

Diz ainda que precisa se dedicar integralmente ao tratamento e aos cuidados com o filho, sendo mãe solo de um menino de 6 anos. Diante das dificuldades financeiras, familiares e amigos teriam iniciado uma campanha solidária para arrecadar recursos.

A médica esclareceu no boletim de ocorrência registrado na Polícia Civil, 'Eu não sou oncologista e não trato câncer', reforçando que não possui qualquer vínculo com o tratamento descrito nos documentos falsificados.

Além disso, denunciou a utilização indevida de seu nome e do laudo médico para fins de estelionato. A linha de contato e chave PIX usadas nos pedidos fraudulentos possui DDD 67, correspondente a Mato Grosso do Sul.

Levantamento feito pela reportagem aponta que, ao pesquisar no Google termos como 'Ana Carolina, de 35 anos ajuda', é possível encontrar diversas publicações em sites e redes sociais solicitando doações. Em parte desses conteúdos, são utilizadas imagens de uma mulher, sem que seja possível confirmar se a pessoa retratada é de fato a suposta paciente.

Outro ponto que chama atenção é a contradição nas informações divulgadas. Em diferentes publicações, a suposta paciente se apresenta como moradora de Três Lagoas, Bonito, Campo Grande, Dourados e Fátima do Sul, reforçando a suspeita de irregularidade e indicando que o caso pode envolver fraude em escala nacional.

Diante da situação, a médica registrou o boletim de ocorrência na Polícia Civil em São Paulo, e o caso deverá ser formalizado também por meio de notícia-crime, para aprofundar as investigações sobre a autoria do laudo falso, a identidade da pessoa que solicita as doações e o destino dos valores arrecadados.

Atualmente, diversos sites jornalísticos já publicaram os pedidos de ajuda, agindo de boa-fé e acreditando na veracidade das alegações, o que acabou ampliando o alcance da possível fraude.

Quando o contato da linha 67 99641-7415 — incluindo a chave PIX — é questionado, há relatos de que a pessoa responsável chegou a oferecer pagamento para que sites publicassem notícias com pedido de ajuda. O caso agora segue sob investigação das autoridades competentes.



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