Política
A verdadeira polarização... Acorda, Brasil!
| DOURADOSNEWS / RODOLPHO BARRETO
Parece que muita gente não entende (ou finge não entender) a gravidade do que está acontecendo em nosso país. Será que fingir que está tudo bem é a melhor estratégia para que um problema desapareça? Porque, 'no Brasil das realidades', como diria Guzzo, parece que muitos preferem a máxima de que “o que os olhos não veem, o coração não sente”. Nossa democracia morreu, somos governados por uma juristocracia, enterramos o devido processo legal e a Constituição... Mas é melhor fingir que não sabemos de nada? (Jocelaine Santos)
VOCÊ, caro leitor(a), com certeza já ouviu falar da tal da 'polarização'. Ela está nas tribunas do Congresso, nos meios de comunicação, nas reuniões de família, nas redes sociais e nas mesas de bar. Tudo se transformou num Fla-Flu: esquerda ou direita, pró-Lula ou antiLula, pró-Bolsonaro ou antiBolsonaro, pró-Estado ou antiestado, pró-polícia ou pró-bandido, pró-Israel ou pró-Hamas... Sim, a polarização é um fenômeno do nosso tempo, com o qual temos de conviver, de um jeito ou de outro, por mais incômodo que isso possa ser. E a democracia tem que ser barulhenta mesmo! Democracia silenciosa, com censura, sem debate, sem liberdade, é tudo, menos democracia...
No Brasil de hoje, porém, a grande polarização não é tanto a ideológica, com a qual até já nos acostumamos, em maior ou menor grau, com o passar dos anos. A polarização que realmente divide os brasileiros hoje é a que opõe quem contesta as arbitrariedades cometidas pelo STF (Supremo Tribunal Federal), especialmente pelo ministro Alexandre de Moraes, e quem apoia ou 'passa pano' para o regime de exceção que se instaurou no país. Ou seja, a grande polarização não se trata tanto de direita e esquerda, mas de quem defende o que é certo, a legalidade e a justiça - contra aqueles que insistem em defender ou relativizar o errado, a ilegalidade e os abusos. (Fonte: gazetadopovo.com)
VAMOS aos Fatos? Quando o brasileiro imagina que o nível de sordidez das instituições finalmente chegou ao fundo do poço, surge mais uma notícia para lembrar que, no país de hoje, o poço não tem fundo! Primeiro, descobriu-se que um banco protagonizou uma fraude bilionária — com a cumplicidade silenciosa de uma série de órgãos públicos. Logo depois, o mesmo país que condenou uma cabeleireira a 14 anos de cadeia por pintar uma estátua com batom assistiu à libertação do dono da instituição financeira após apenas 11 dias preso! (Alexandre Garcia)
Isso é normalidade judicial e democrática? Mas a coisa só vai ficando pior e mais escancarada. Descobriu-se que o ministro do Supremo, Dias Toffoli, havia pegado carona em um jato particular rumo à final da Libertadores, em Lima — ao lado de um dos advogados deste banqueiro. Pouco depois de viajarem juntos, Toffoli retirou da primeira instância tudo o que dizia respeito ao caso, puxou o processo para seu gabinete e decretou “sigilo máximo”.
NÃO bastasse essa situação esdrúxula, descobriu-se ainda que um dos escritórios de advocacia contratados pelo banco envolvido nas bandalheiras era o de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes! Um contrato de R$ 129 milhões ao longo de três anos — em parcelas mensais de R$ 3,6 milhões. “Se fosse jogadora de futebol, só perderia para Neymar no quesito arrecadação mensal.” (Augusto Nunes)
Diante disso, torna-se quase compreensível que o presidente da República não se sinta pressionado a explicar o envolvimento de um de seus irmãos e de um de seus filhos no roubo de aposentados e pensionistas. Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, é acusado de receber uma mesada de R$ 300 mil mensais do “Careca do INSS”. E vai ficar por isso mesmo? Que beleza de Justiça, hein? E o pessoal que grita 'sem anistia', numa hora dessas, faz o quê? Fica em silêncio, claro. (Rodrigo Constantino)
A 'grande imprensa', por muito tempo tratada como “o quarto poder”, infelizmente, tem enorme responsabilidade nesse estado de coisas. Grandes veículos de comunicação escolheram simplesmente não enxergar com a necessária ênfase o envolvimento do atual governo no escândalo dos aposentados. E, agora, adotam o mesmo comportamento diante das relações promíscuas entre ministros do STF e advogados de réus que pagam honorários multimilionários. Uma mídia que, durante anos, também recusou-se a ver o avanço da ditadura do Judiciário. Como exceções, claro, temos este e outros espaços jornalísticos, onde são denunciados o avanço do autoritarismo, as ilegalidades cometidas e os infindáveis atropelos à Constituição.
HOJE, a polarização que separa os brasileiros, portanto, é a dos que defendem o respeito ao devido processo legal e a igualdade de todos os brasileiros perante a lei, em qualquer circunstância, e dos que abraçam a aplicação seletiva (e inconstitucional) de interpretações judiciais para perseguir adversários políticos. É a polarização entre os que defendem a independência dos Poderes, a atuação do STF dentro dos limites constitucionais e os que legitimam a ditadura da toga que legisla no lugar do Congresso. É, enfim, a polarização entre os que defendem os direitos individuais e a liberdade de expressão como valor universal e os que querem impor novamente a censura, para calar vozes divergentes, aplaudem restrições a manifestações públicas e acham que é normal se tornar alvo de processos na Justiça por dar uma opinião nas redes sociais.
Não precisa ser 'bolsonarista' para estar do lado certo da história. Basta ser um cidadão decente e coerente, defensor da justiça e da legalidade. Basta não ser um hipócrita, travestido de defensor da democracia, que admite a concessão de “poderes extraordinários” ao STF em nome 'da causa'. Para quem verdadeiramente lutou pelas diretas-já, pela anistia, pela Constituinte e pelo fim da censura no fim dos anos 1970 e no início dos anos 1980, não dá para aceitar passivamente os rumos autoritários que o Brasil está trilhando. É triste, muito triste, ver a que ponto chegamos 40 anos depois da redemocratização e assistir à chamada “Constituição Cidadã” de 1988 ser rasgada e jogada na lata de lixo.
ABUSO de poder, violação de garantias democráticas básicas, extinção do devido processo legal, cerceamento de defesa, processos conduzidos sem respeito ao juiz natural, condenações sem provas, a instituição de crimes de opinião, condenações por crimes que não foram sequer tentados... Um único destes itens já bastaria para se anular um processo inteiro – e por muito menos o Supremo já anulou condenações e processos da Lava Jato, cujos crimes foram reais e confessados por seus autores. (Fonte: revistaoeste.com)
A REAL situação brasileira é esta, infelizmente – temos personagens que jamais foram eleitos governando o país e que se autocolocaram como 'salvadores da democracia', empurrando goela abaixo dos brasileiros o que bem entendem. Mas o pior mesmo é o silêncio de muitos da sociedade, os quais teriam o dever de 'gritar': imprensa, OAB, Ministério Público, congressistas, dentre outras instituições e representações do povo, que assistem a tudo isso, percebem os rumos do país, mas continuam inertes, fingindo que não há nada de errado. Como disse Edemir Bogesky, o Brasil está renunciando à liberdade – e ao futuro, 'caminhando para um modelo de controle autoritário, não por imposição, guerra civil ou por uma ruptura violenta, mas por decisão institucional, silenciosa e progressiva”.
Denunciar os arbítrios – que são muitos, constantes e crescentes – é só um primeiro passo, mas fundamental para gerar uma onda de indignação e, especialmente, ações concretas para colocar um ponto final nos abusos que temos vivido. Como diz o ditado, as autoridades brasileiras ainda são 'como feijão: só funcionam na base da pressão'. Despertemos, façamos a nossa parte, enquanto podemos e enquanto é tempo! Acorda, BRASIL!
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