Economia
Gigante do etanol anuncia investimentos de R$2,3 bilhões em energia sustentável em MS
O valor adicional complementa o plano de investimento anunciado em 2023 de R$ 3 bilhões para os próximos três anos voltados para ampliação agrícola e modernização industrial
| CORREIO DO ESTADO / KARINA VARJãO
Uma das maiores empresas de biocombustíveis do Brasil e parceira do Estado de Mato Grosso do Sul, Atvos, anunciou um pacote de investimentos de R$ 2,36 bilhões para a instalação de três plantas industriais em MS: uma de biometano e mais duas usinas de etanol de milho.
A estimativa é que cada uma das usinas de etanol de milho processe em torno de 534 mil toneladas de milho por safra, resultando em uma produção de aproximadamente 250 milhões de litros de etanol de milho, segundo estudos de engenharia.
Desde o ano passado, a Atvos vem investindo R$ 350 milhões na construção da sua primeira instalação industrial de biometano, para purificação do biogás, no Estado, na Usina Santa Luzia, em Nova Alvorada do Sul.
Após concluída, a planta terá capacidade instalada de 28 milhões de metros cúbicos de biometano por safra, utilizando resíduos de cana-de-açúcar.
Os investimentos de parcerias privadas e políticas públicas colocam Mato Grosso do Sul no caminho rumo à neutralidade de carbono.
No evento promovido anualmente pela Atvos: Parceiros Mais Fortes, o secretário de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck, destacou estratégias como descarbonização, políticas de inclusão social e ações de transição energética do Governo de MS que sustentam a estratégia para esse objetivo.
“Em um período de três anos, conseguimos reintegrar ao processo produtivo cinco milhões de hectares de pastagens degradadas, destinando-as ao cultivo de eucalipto, soja e milho, uma iniciativa que não só otimiza a produção remanescente, mas também contribui de forma expressiva para a redução das emissões de metano.” A ação, conforme destacou Verruck, equivale ao impacto de dois milhões de hectares de pastagem.
O secretário também ressaltou que Mato Grosso do Sul avançou no desenvolvimento de um braço do mercado de carbono através do mecanismo de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal em áreas amplas, o REDD+ Jurisdicional, tornando o Estado habilitado para 85 milhões de toneladas de CO2 equivalente.
O edital para comercialização desses créditos deve ser lançado em janeiro, com expectativa de investidores internacionais, em especial, fundos árabes.
Desde 2023, a Atvos já havia anunciado um plano de investimento de cerca de R$ 3 bilhões para os próximos três anos no Estado voltados para a ampliação agrícola, modernização industrial e expansão da base produtiva, sendo por volta de R$ 1 bilhão direcionado para a modernização da linha de produção e o aumento da produtividade de cana-de-açúcar.
Atualmente, a empresa mantém três polos de produção em Mato Grosso do Sul: a Santa Luzia, a Unidade Eldorado, em Rio Brilhante, e a Unidade Costa Rica, em Costa Rica. Em média, são 4 mil pessoas empregadas diretamente no Estado.
Sobre a meta de declarar o Estado como carbono neutro, Verruck reconheceu que, embora o prazo 2030 se aproxime, a restauração florestal e outras medidas de descarbonização estão em curso, com adesão crescente de empresas.
“Talvez a concretização plena só ocorra em 2031 ou 2032. Mas o importante é que estabelecemos um propósito claro, legítimo e duradouro”, afirmou.
Biogás
De acordo com dados do Panorama do Biogás no Brasil 2023, Mato Grosso do Sul está entre as unidades da federação mais representativas em relação ao número de usinas biogás em operação.
Em 2022, eram 59 plantas de produção do biocombustível, saltando para 83 unidades em 2023, o que representa um crescimento de 41%, o terceiro melhor índice do País, atrás somente do Paraná e de Goiás.
O crescimento do número de usinas de biogás em Mato Grosso do Sul é parte do resultado do MSRenovável (Programa Estadual de Incentivo ao Desenvolvimento das Fontes Renováveis de Produção de Energia Elétrica), política do Governo do Estado, implementada pela Semadesc.
Conforme os dados da Cibiogás, 3 plantas de produção de biometano já estão em operação em Mato Grosso do Sul, com capacidade total instalada de 8,16 milhões de Nm³/ano (metros cúbicos normais, ao ano).
Já estão em operação as usinas: da Adecoagro, em Ivinhema com capacidade de 2,4 milhões de Nm³/ano; a JBS, em Campo Grande, com capacidade de 1,38 milhão de Nm³/ano e a SF Agropecuária, no município de Brasilândia, com capacidade de 4,38 milhões de Nm³/ano.
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