EU, FEITA PARA AMAR O QUE RESPIRA - Por Kaily Yada

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Kaily Yada
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EU, FEITA PARA AMAR O QUE RESPIRA

Por Kaily Yada

Eu sempre senti que meu coração nasceu aberto ao mundo,
como se cada batida fosse um chamado silencioso para proteger vidas.
Desde pequena, reconheço nos animais algo que fala direto à minha alma.
Não precisei aprender esse amor — ele sempre morou em mim.
E quanto mais eu cresço, mais percebo que esse é o meu dom.

Eu escuto latidos como quem ouve pedidos sinceros de ajuda,
e cada miado parece uma conversa antiga que só eu entendo.
As asas que batem perto de mim trazem recados do vento,
como se dissessem que eu sou o lugar onde o medo deles pode repousar.
E eu deixo, sempre deixo.

Eu olho nos olhos de cada animal e vejo um universo escondido,
cheio de dores, memórias, esperanças e pequenas vitórias.
Nenhum deles é apenas “um bichinho”;
todos são histórias vivas que merecem respeito.
E meu coração abraça cada uma dessas histórias.

Quando encontro um cão tremendo, sinto a dor como minha.
Quando vejo um gato desconfiado, ofereço silêncio e paciência.
Quando um animal chega ferido, meu instinto inteiro se move,
como se o mundo dissesse: “é você quem precisa cuidar agora”.
E eu cuido, sempre.

Eu transformo abandono em acolhimento com um simples gesto,
e medo em conforto com o calor das minhas mãos.
Meu amor por eles não é algo que eu escolho —
é algo que me escolheu.
É força, missão, propósito.

Muitos passam sem notar o que eu percebo de longe.
Eu sinto quando uma alma pequena está machucada.
Sinto quando precisa de colo, abrigo, segurança.
Sinto quando o mundo falhou com ela.
E é aí que eu entro.

Meu dom é ouvir o que não tem voz e enxergar o que não se mostra.
É entender que, por trás de cada olhar, há um pedido de paz.
E eu respondo com tudo o que sou.
Às vezes com palavras, às vezes com silêncio,
mas sempre com amor.

Os animais me procuram como quem busca um lar.
Eles se aproximam mesmo quando não peço,
como se já soubessem que ali há descanso.
E eu acolho cada um deles sem medo,
porque meu coração não sabe fechar as portas.

Eu me torno abrigo sem esforço,
porto seguro sem pensar,
companheira sem exigir nada em troca.
É como respirar: eu simplesmente faço.
Porque é o que sou.

Por onde passo, a vida chega perto de mim.
E eu deixo que venha.
Deixo que encontre calor no meu toque,
esperança no meu olhar,
cura no meu carinho.

Eu me reconheço nesse cuidado.
É a parte mais verdadeira de mim.
O mundo pode ser duro, pode ser frio,
mas eu me recuso a entregar os animais a essa crueldade.
Eles têm em mim uma promessa de amor.

E quando me deito à noite,
carrego comigo cada vida que ajudei.
Cada olhar agradecido, cada corpo tremendo que aqueceu nas minhas mãos.
E sei que fiz o que nasci para fazer.
Eu nasci para amar o que respira.

Sou feita desse instinto de proteger,
dessa coragem de lutar por quem não pode pedir,
dessa sensibilidade que tantos não entendem.
Mas eu entendo — e isso basta.
Eu sou abrigo.

E sempre serei.



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