Nem Corrente Azul, Nem Corrente Rosa - Por Kaily Yada  

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Por Kaily Yada  
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Nem Corrente Azul, Nem Corrente Rosa

   Por Kaily Yada  

Não me visto de azul nem de rosa,
não marcho por slogans que gritam sem causa.
Nem bandeira feminista, nem escudo machista,
ambos se perdem em guerras egoístas.

Feminismo disse: “liberdade é romper,”
mas rompeu famílias, lares e o dever.
Machismo retrucou: “eu sou autoridade,”
mas feriu mulheres, apagou identidades.

Nos dois extremos, vi o mesmo:
ódio travestido de discurso intenso.
De um lado, negam o homem por raiva,
do outro, pisam na mulher sem trava.

Falam em empoderamento e justiça,
mas esquecem o preço da briga omissa.
As sufragistas lutaram por voto com honra,
mas hoje usam seu nome pra ideologia que afronta.

Simone de Beauvoir negou a maternidade,
e abriu portas pra uma geração de ansiedade.
Enquanto isso, o machismo da década passada
calava mulheres dentro da própria casa.

Hitler exaltava a mulher só no lar,
enquanto Stalin dizia: “é só parir e calar.”
Nem um, nem outro, amava de verdade,
usavam o corpo feminino por autoridade.

Feministas de hoje queimam sutiãs,
mas esquecem que muitas mães
sustentam filhos com suor e oração,
sem precisar humilhar o irmão.

Machistas exaltam a virilidade,
mas são frágeis diante da igualdade.
Tratam a mulher como posse, objeto,
e chamam respeito de "inversão de afeto".

Ambos querem controle disfarçado,
ambos julgam, gritam e ferem ao lado.
Mas nenhum dos dois oferece perdão,
só repete o ciclo da dominação.

O feminismo diz que não precisa de homem,
o machismo diz que mulher tem que obedecer sem nome.
Mas eu digo: os dois estão errados —
um nega o amor, o outro fere calado.

Não quero ver mulheres guerreando contra os pais,
nem filhos aprendendo que respeito não vale mais.
Não quero homens com medo de serem gentis,
nem moças que acham que ser grossa é ser feliz.

A história mostrou o que o ódio constrói:
países em guerra, valores que se desfazem e se corroem.
Revoluções feitas com rancor,
só deixam ruínas onde deveria haver amor.

Ninguém vence quebrando o outro,
ninguém brilha diminuindo o corpo.
A mulher não é mais por gritar,
o homem não é mais por mandar calar.

Se há valor, ele está no equilíbrio,
no servir, no proteger, no convívio.
Ser mulher não é ser vítima eterna,
ser homem não é viver com pena.

Respeito não precisa de cartaz,
precisa de caráter, de alma em paz.
Feminismo e machismo são espelhos invertidos,
ambos ferem, ambos são partidos.

Eu não preciso de extremos pra viver,
eu só preciso de amor pra florescer.
Não me vista com cor de guerra,
me deixe andar com os pés na terra.

Sou contra os dois — e isso é liberdade.
Não me curvo à histeria nem à autoridade.
Não sou lado, sou ponte, sou voz que não se cala:
nem corrente azul, nem corrente rosa — eu prefiro a Palavra.



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